Autor: Professor Juliano Marques

  • Bolsonaro. Pequi Roído. Genocida.

    MARILIZ PEREIRA JORGE
    Jornalista e roteirista de TV.
    Artigo publicado na Folha de S. Paulo em 18/03/2021

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2021/03/bolsonaro.shtml

    Genocida. Ignóbil. Basculho. Baixo. Repugnante. Canalha. Deplorável. Mesquinho. Patife. Ordinário. Reles. Pulha. Sórdido. Torpe. Velhaco. Abominável. Detestável. Ralé. Biltre. Infame. Bandalho. Aberração. Calhorda. Desprezível. Pífio. Ignorante. Vil. Ribaldo. Soez. Jacodes. Cafajeste. Bronco. Inculto. Boçal. Néscio. Estúpido. Rude. Verme. Desgraçado. Maldito. Jumento. Monstruoso. Sádico. Burro. Insensível. Mentecapto. Demônio. Desalmado. Incapaz. Covarde. Crápula. Incompetente. Doentio. Sociopata. Peste. Idiota. Energúmeno. Reaça. Desequilibrado. Imoral. Rato. Mandrião. Beócio. Abjeto. Descarado. Pusilânime. Enxurro. Choldra. Gentalha. Labrusco. Desrespeitoso. Cruel. Facínora. Atroz. Maligno. Cafona. Execrável. Infando. Nefando. Abominável. Inclemente. Mau. Sicário. Viperino. Tirano. Impiedoso. Desumano. Malfeitor. Celerado. Estrupício. Chorume. Louco. Escroto. Lixo. Inútil. Escória. Ogro. Mitômano. Ególatra. Tosco. Verdugo. Mentiroso. Asno. Babaca. Déspota. Autoritário. Morte. Opressor. Tapado. Mandão. Autocrata. Desnecessário. Safardana. Prepotente. Abusivo. Injusto. Reacionário. Fascista. Cínico. Animal. Desaforado. Histrião. Grosseiro. Vulgar. Malandro. Inconveniente. Sujo. Sem-vergonha. Obsceno. Brega. Charlatão. Perverso. Monstro. Ditador. Embusteiro. Horrível. Desnaturado. Carrasco. Egocêntrico. Mariola. Salafrário. Imbecil. Lunático. Bufão. Garganta. Farofeiro. Farsante. Oportunista. Indefensável. Broxável. Carniceiro. Irresponsável. Excrementíssimo. Marginal. Praga. Traiçoeiro. Criminoso. Terrorista. Asqueroso. Cu de boi. Podre. Capiroto. Embuste. Lazarento. Indecoroso. Desmoralizado. Imprudente. Maléfico. Parasita. Delinquente. Seboso. Coisa-ruim. Quadrilheiro. Arrombado. Mau-caráter. Frouxo. Fracassado. Ressentido. Obtuso. Boçal. Brutamontes. Cavalgadura. Descortês. Lorpa. Pateta. Cretino. Parvo. Pacóvio. Inapto.

    Desqualificado.

    Pequi roído.

    Genocida.

  • Por um julgamento justo, por um juiz imparcial.

    Como #ProfessorDeHistória acredito que tenho que fazer um esclarecimento sobre o que está em julgamento na questão relacionada à parcialidade ou não do ex-juiz #SérgioMoro.

    EM MOMENTO ALGUM está sendo discutido se o #Lula é ou não inocente; em momento algum está se discutindo o mérito das acusações. Eu não ouvi em nenhum momento durante a sessão de julgamento de hoje (e eu assisti sessão toda, ou seja, não estou repetindo argumentos de outras pessoas), nenhum ministro do STF afirmar que o Lula era culpado ou inocente. A CULPABILIDADE OU NÃO DE LULA NÃO ESTAVA EM JULGAMENTO!

    O que está em questão é se o ex-juiz e ex-Ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, agiu dentro da legalidade do que se espera de um magistrado, a saber: o ex-juiz foi parcial ou imparcial em seus atos e julgamentos.

    As mensagens obtidas pela #OperaçãoSpoofing não foram desmentidas pelos membros da #ForçaTarefaDaLavaJato. Eles apenas afirmam que elas foram obtidas de forma ilegal (uma prova obtida de forma ilegal não pode ser usada para condenar; mas pode ser usada na defesa do réu). Contudo, se fossem mentirosas as conversas, os respeitáveis membro do MP já teriam vindo à público e mostrado as incongruências (coisa que não fizeram).

    Em todas as falas e mensagens divulgadas até agora mostram uma profunda ligação entre o órgão acusador (Ministério Público) e o órgão julgador (Juiz). O Juiz (que deveria ser neutro), orientava a promotoria nas estratégias de acusação, obtenção de provas entre outras artimanhas. O órgão investigador, com a ajuda e anuência e do órgão acusador e julgador, instalou escuta ilegal no escritório da defesa. O Juiz agiu de forma, inúmeras vezes, no cenário político de forma a favorecer o candidato que venceria as eleições, ao usar o sistema penal para fazer política. O grampo contra a ex-presidente Dilma, outra ilegalidade, foi uma importante jogada no xadrez das eleições de 2018. Ou seja, o ex-juiz agiu, de forma deliberada e articulada para fazer valer o seu juízo de valor de sociedade e não na aplicação da lei. Sérgio Moro agiu para tirar o ex-presidente do cenário político e, com isso, pavimentou o caminho para o seu apaniguado e que viria a ser o seu futuro patrão.

    A Declaração Universal dos Direitos Humanos (#DUDH) da #ONU, na qual o Brasil é um dos signatários, aponta, em 30 artigos claros e concisos, todos os direitos humanos que devem ser respeitados e disseminados pelos povos de todo o mundo. O seu artigo 10o. refere-se especificamente ao direito a um julgamento justo:”TODA PESSOA TEM DIREITO, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um TRIBUNAL INDEPENDENTE E IMPARCIAL, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele (NAÇÕES UNIDAS, 1948).

    Por sua vez, o inciso I do artigo 14 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (PIDCP), o qual o Brasil também é signatário afirma: “Todas as pessoas são iguais perante os Tribunais e as Cortes de Justiça. TODA PESSOA terá o direito de ser ouvida publicamente e com as devidas garantias por um TRIBUNAL COMPETENTE, INDEPENDENTE E IMPARCIAL“O Código de Processo Penal e o Código de Processo Civil também são importantes instrumentos na garantia do direito a um julgamento justo no Brasil. Destacam-se, alguns dispositivos desses códigos; no Código de Processo Penal, o artigo 155: “O juiz formará sua convicção pela LIVRE APRECIAÇÃO da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas”.

    Se o #STF demorou, se está parecendo estranho o porquê de se estar agindo só agora eu não tenho a resposta. A #História, mais uma vez, nos dará as respostas. O que posso dizer é que EM UM ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO um JUIZ DEVE SER IMPARCIAL!

    Eu não gostaria de ser julgado por um juiz que, em conluio com a promotoria, tramasse a minha condenação. Eu não gostaria de ser julgado por um juiz que combina com o Ministério Público como deve ser a minha acusação e que grampeia o escritório do meu advogado. Como disse o ministro #GilmarMendes, este tipo de atitude só é possível em ESTADOS AUTORITÁRIOS (eu diria FASCISTA mesmo!).

    ESSA É A GRANDE QUESTÃO: QUAL TIPO DE JUIZ VOCÊ GOSTARIA QUE JULGASSE VOCÊ?

    NÃO SE COMBATE UM CRIME, COMETENDO OUTRO CRIME!

    Se acham que Lula roubou, é corrupto, que o façam dentro dos limites da Lei e que o juiz seja imparcial.

    ISSO É UMA MARCA DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO.

  • A volta às aulas

    Olá meus amigos, bão?!Para quem não sabe, eu também sou professor de História das Redes Públicas de Ensino de Contagem (sou professor de uma EJA – ensino fundamental I e II) e do Estado (onde leciono para os alunos do 6o, 7p. ano/Fundamental e para uma turma do 2o. ano/Médio. Já fui vice-diretor de uma escola do Estado, Diretor de Escola Municipal por 06 anos, coordenador da EJA por 2 anos. Já trabalhei em cursinho pré-vestibular (desde aqueles voltados para a elite até aqueles populares), em cursos preparatórios, em escola particular… Ou seja, já vivi de tudo um pouco dentro do ambiente escolar. E é baseado nessa experiência que vou deixar uma reflexão aqui.

    Essa pandemia serviu para mostrar/escancarar uma coisa: como o ensino público é sucateado!

    A volta às aulas, nas escolas públicas, é IMPOSSÍVEL agora! As escolas públicas NÃO TEM A MÍNIMA CONDIÇÃO de criar um ambiente MINIMAMENTE seguro. Falta tudo em uma escola pública: sabão, papel higiênico, ventilação, cadeiras, mesas, quadros, pinceis… falar em álcool em gel, em pias para se lavar, em torneiras funcionando e em bebedouros adaptados é algo, então, surreal.

    As escolas particulares tem melhores condições, sem dúvida. Não tenho a menor dúvida de que eles tem TODAS as condições para o retorno das atividades presenciais. É claro que há o risco

    Para mim, a grande questão que está em jogo não é se as escolas tem ou não capacidade para se retornar. Para mim, o que se está em jogo é essencialmente a POLÍTICA EDUCACIONAL adotada pelo ESTADO brasileiro. O retorno das aulas exporá as vísceras da educação pública. Será o carimbo definitivo do abismo que separa as redes pública e privada de educação.

    Ao voltar, as diferenças sociais serão expostas de forma explícitas. É certo e sabido que haverá um crescimento da curva de contágios. E a pergunta que se faz é: onde serão tratados os doentes? Os contaminados da rede privada serão tratados na rede privada. O SUS suportará? Quem aí está disposto a ficar doente para tirar a prova dos nove?

    Voltando para a educação.

    Este período sem aulas só confirmou o que já se sabia. A educação pública está sucateada. E não se trata de financiamento, porque dinheiro TEM. Quando falo de sucateamento, não me refiro à falta de dinheiro. Refiro, principalmente, à falta de uma política pública que defina rumos certos e sensatos. O sistema educacional brasileiro é burocrático.

    Vou dar exemplo do que está acontecendo nas escolas estaduais. Exige-se do professor e dos gestores o preenchimento de trocentos relatórios que devem ser impressos e arquivados (ou seja, uma rotina analógica). Foram feitos PET (uma espécie de apostila onde o estudante irá realizar algumas atividades) descontextualizados e, para dizer o mínimo, estranhos (o de história do segundo ano/médio então… nem quero falar!). Aí cada escola criou uma rotina e uma forma de trabalho. Ao final do mês os estudantes enviam fotos dos pets respondidos e é lançado no relatório. Muitos não estão fazendo, alguns fazem bem feito e outros nem tanto. E pronto. Fica por isso. Isso não é ensino à distância. Isso não é educação. Estão fazendo algo para dar uma satisfação à sociedade. E a mesma está aceitando.

    Os professores, mal remunerados, sucateados, sem formação para trabalhar no digital são, muitas vezes ridicularizados por não saberem usarem as TIC’s. Assim, o abismo entre as redes aumentam. Muitos dos profissionais em educação sequer tem como bancar uma rede de dados móvel ou fixa com estabilidade e capacidade de tráfego de dados. Além do mais, também são pais e mães com filhos nas escolas. Sem acesso à internet para o básico. Pronto. Aumenta-se o abismo.

    Os pais querem que as escolas voltem pois não aguentam mais ficar com as suas crias em casa. Esqueceram que são responsabilidade deles. Há muitos anos transferiram para a escola o papel de agente educador (por essas e por outras não gosto de ser chamado de educador). E agora, com a hiperconvivência, não sabe o que fazer. Querem que a escola volte não para que seus filhos aprendam… mas sim para terem paz! Que situação chegamos! Na verdade, não estão nem um pouco preocupados com os seus filhos, se serão contaminados, se irão levar o vírus para casa onde moram pais, avós, tios… ou, muito menos, se irá contaminar o professor e os demais servidores da escola… afinal, querem o que… apenas terem paz! Talvez a paz sepulcral é que irão receber.

    Enfim, o governador quando diz que vai abrir as escolas, está jogando pra galera. Não tem responsabilidade e sabe que isso não irá ocorrer. Sabe que as escolas que estão sob sua responsabilidade não tem como voltar. E se voltar, sabe que vai ter que lidar com o crescimento de contaminados e, certamente, os casos graves irão aumentar também… a famosa curva vai subir novamente. O retorno às aulas vai deixar as estranhas da educação pública exposta aos urubus de plantão.

    E deixo aqui uma pergunta: quem da sua família você está disposto a deixar morrer para que as aulas voltem?

    Escolas do Distrito Federal amanhecem vazias
  • A César o que é de César

    No dia de hoje (14/09/2020), o presidente #JairBolsonaro vetou uma parte da lei que anistiava as igrejas do pagamento de dívidas para com a Receita Federal do Brasil. Disse que acreditava que o pleito era justo mas, se ele aprovasse a lei do jeito que estava iria incorrer em crime de responsabilidade e sugeriu ao Congresso Federal que derrubasse o veto dele, aprovando, assim, a anistia.

    Algumas considerações:

    1. O Brasil é, desde 07 de janeiro de 1890 um ESTADO LAICO (Decreto 119 A, de autoria de Ruy Barbosa, ainda durante o Governo Provisório do Marcehal Deodoro da Fonseca). Por ESTADO LAICO entendemos que existe uma SEPARAÇÃO FORMAL E LEGAL entre os interesses do Estado e os insteresses da Igreja (independentemente da matiz). Ressalto aqui: laico, mas não ateu.

    2. A atual Constituição da República Federativa do Brasil assegura no seu artigo 150, inc VI, alínea B, “a imunidade tributária dos templos religiosos”.

    3. As Igrejas não pagam nenhum imposto nas suas atividades fins.

    4. Não há recolhimento de contribuição previdenciária nas Prebendas Pastorais, já que essas, de acordo com a Lei Federal 8.212/91, não são vistas como salários (ou remuneração direta), mas uma forma de retribuir financeiramente ao pastor por sua dedicação ao Ministério.

    5. Muitas igrejas são verdadeiras empresas: compram terrenos (urbanos e rurais), imóveis, investem no mercado financeiro, especulam, exercem atividades comerciais regulares (e aqui não estou me referindo ao comércio de almas… isso é um outro assunto). E se são empresas e auferem lucros, devem pagar o respectivo imposto que a legislação determina, uma vez que, especular em bolsa de valores ou comprar fazenda não se trata de atividade fim de uma igreja (de acordo com Jesus Cristo, a missão de todo cristão é IR e pregar as Escrituras a toda a criatura para que sejam salvos)

    6. A renúncia fiscal a que o governo está abrindo mão é referente a mais de 1 bilhão de reais (estima-se algo em torno de UM BILHÃO E QUINHENTOS MILHÕES DE REAIS)

    7. Enquanto isso, o povo pobre está sofrendo com a alta de preços do básico (arroz, feijão, óleo), porque o governo federal não tem nenhuma política monetária eficaz. Na verdade, eu gostaria de saber qual é o plano de governo desse mandrião que ocupa a presidência (triste capítulo este de nossa história… triste e vergonhoso)

    8. O governo federal tenta emplacar uma reforma administrativa que coloca todo o peso nos servidores do executivo (formado em sua maioria por professores, servidores da saúde e segurança, sendo que a massa salarial mais achatada é formada pelos dois primeiros) e deixam de fora o judiciário e o legislativo, ou seja, quem vota e quem julga não estará sujeito à reforma.

    Talvez seja por isso que vemos muitas “lideranças” religiosas vociferando nas redes sociais palavras de apoio a Bolsonaro, aos berros e usando termos não muito cristãos para desqualificar todos aqueles que ousam a pensar fora da caixa. É muito triste ver isso. É muito triste ver o apego que a IGREJA tem ao poder. Mas, se a gente for pensar direitinho… Na época de Jesus era a mesma coisa… a Religião estava sempre vinculada aos poderosos.

    A Religião sempre foi usada para domesticar o povo a aceitar aquilo que os poderosos querem. Por isso Marx não estava errado ao afirmar que a IGREJA é ópio do povo. Em momento algum ele disse que Jesus era o problema. Mas sim, a igreja (e aqui temos que levar em consideração que ele – Marx – fez uma análise histórica da igreja do tempo dele – a do século XIX – a mesma igreja que legitimou e justificou a escravidão como algo salvador e redentor).

    Jesus não frequentava igreja. Jesus não tinha vínculo com poderosos. Jesus não pedia bênção aos poderosos de plantão. Ele era, ELE é e ELE sempre será o REI DOS REIS. O diabo até tentou oferecer a Ele o poder sobre todos os reinos (Mt 4:8-11). Muitos tentaram proclamar Jesus rei, mas então “Jesus, sabendo que estavam para vir pegá-lo a fim de fazê-lo rei, retirou-se novamente para o monte, sozinho” (Jo 6:15).Pra terminar fico com Jesus diante da pergunta dos herodianos (É certo pagar imposto a César – no nosso caso, César representa o ESTADO – ou não?): “Paguem a César o que é de César, mas a Deus o que é de Deus.”. (Mc 12:17)

  • UMA BREVE HISTÓRIA DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL

    “A escravidão não nasceu do racismo;
    mas o racismo foi a consequência da escravidão”,
    ( Eric Williams)

    Racismo é o preconceito e discriminação direcionados a quem possui uma raça ou etnia diferente, define o dicionário. Para entender a atual configuração social brasileira, e principalmente, o racismo, sociólogos e historiadores recorrem ao nosso passado.

    O racismo no Brasil é uma CONSEQUÊNCIA de três séculos de escravidão e por teorias racialistas que fizeram parte da construção da identidade nacional. Após a abolição, a ausência do Estado na integração da população negra por meio do fornecimento de condições materiais e políticas para sua participação em uma sociedade livre garantiu a sobrevivência e ressignificação da mentalidade e prática escravocrata nas estruturas da república.

    Mas a escravidão não é algo exclusivo da história brasileira. A escravidão é, sem sombra de dúvida, uma chaga aberta na humanidade e nem sempre foi ligada a uma raça ou uma cor de pele. De acordo com o sociólogo Orlando Patterson, um dos mais renomados especialistas no tema, professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, “A escravidão existiu desde o início da história da humanidade até o século XX, nas sociedades mais primitivas e também nas mais avançadas”. De acordo com ele, “não há uma única região do planeta que em algum momento não tenha abrigado essa instituição. Provavelmente não existe hoje nenhum grupo de pessoas cujos ancestrais nunca tenham sido em algum momento escravos ou donos de escravos.

    A ESCRAVIDÃO NO BRASIL

    Ao chegar no Brasil em 1500, os portugueses não encontraram o que procuravam: especiarias (temperos especiais e refinados, sal, açúcar) tecidos especiais e ouro. Deram de cara com uma área de floresta densa e virgem (a Mata Atlântica) e alguns habitantes, nus, que eles chamaram de índios. Durante os trinta primeiros anos, a exploração das terras brasileiras não interessou para Portugal. Somente com a ameaça de perda do território para outras nações e o desinteresse econômico em continuar realizando o périplo africano par se chegar às Índias é que fez com a Coroa Portuguesa mudasse a sua postura para com a sua colônia na América.

    Assim, para efetivar o processo colonizador nas terras americanas, Portugal teve que trabalhar a terra. Entretanto a falta de braços na Metrópole era um fator que impeditivo. Assim, os colonos portugueses optaram, inicialmente, pela escravização dos indígenas. A partir de meados do século XVI, contudo, os nativos foram sendo substituídos por africanos escravizados, essencialmente, por três motivos: a) o extermínio de muitos povos indígenas do litoral e a fuga dos sobreviventes para o interior, o que dificultava sua captura; b) o interesse da Coroa e dos comerciantes no rendoso tráfico de escravos africanos; e c) aumento das receitas reais com as taxas pagas no embarque e desembarque dos negros na África e no Brasil.

    Os colonos perceberam, também, outras vantagens no emprego da mão de obra africana: eles tinham menos chance de fugir, pois desconheciam a língua e o lugar para onde eram levados; os portugueses podiam estabelecer relações pacíficas com os indígenas e livrar-se de seus ataques. Do século XVII em diante, o número de africanos escravizados superou o de indígenas como mão de obra. O escravo africano foi a solução ideal, do ponto de vista do capital mercantil europeu, para a questão da mão de obra nas áreas coloniais. Mãos negras cortariam cana, produziriam tabaco, extrairiam ouro, colheriam café, serviriam nas Casas-Grandes, desempenhariam tarefas nas cidades coloniais. Nenhuma atividade seria sequer pensada sem contar com as mãos negras dos escravos.

    Estima-se que, entre 1531 e 1870, mais de 13,5 milhões de africanos foram raptados, vendidos como escravos e transportados para o continente americano. Desses, cerca de 4,9 milhões vieram para o Brasil, até a segunda metade do século XIX. Cerca de 20%, 1,8 milhão de pessoas, não chegaram ao destino – morreram de escorbuto, varíola, sarampo, sífilis, disenteria ou mesmo pela brutalidade dos traficantes. Muitas vezes os mortos jaziam por dias junto aos vivos nos navios negreiros até que fossem lançados ao mar. Nenhum outro lugar do mundo recebeu tantos escravos. Em comparação, nos Estados Unidos, foram 389 mil.

    De acordo com o jornalista Laurentino Gomes, em A Escravidão: Do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares, a “história da escravidão africana no Brasil é repleta de dor e sofrimento. Centenas de livros já foram escritos sobre o tema, mas, provavelmente, nenhum deles conseguirá jamais expressar as aflições de um único cativo dos milhões capturados na África, embarcados à força em um navio, arrematados como mercadoria qualquer num leilão do outro lado do oceano, numa terra que lhes era completamente estranha e hostil, onde trabalhariam pelo resto de suas vidas sob o chicote e o tacão de seu senhor”.

    Ainda de acordo com o jornalista, para se ter uma ideia, ainda que remota, do tamanho dessa tragédia: “diz respeito ao comportamento dos tubarões que seguiam as rotas dos navios negreiros”, vejamos:

    “durante mais de três séculos e meio, o Atlântico foi um grande cemitério de escravos. Era no mar, durante a travessia, que as cifras de mortalidade ficavam mais evidentes: como escravos representavam um “investimento”, uma mercadoria valiosa do ponto de vista dos traficantes, cada óbito tinha de ser registrado nos chamados Livros dos mortos pelos capitães dos navios, ao lado de diversos outros itens que apareciam nas colunas de crédito e débito dos relatórios de contabilidade. Por isso, os números de mortos durante esse tipo de viagem são mais precisos do que os das demais travessias náuticas da época, geralmente baseados em estimativas. Isso permite fazer hoje um cálculo assustador. Se, entre o início e o final do tráfico negreiro, pelo menos 1,8 milhão de cativos morreram durante a travessia, isso significa que, sistematicamente, ao longo de 350 anos, em média, catorze cadáveres foram atirados ao mar todos os dias. Por essa razão, os navios que faziam a rota África-Brasil eram chamados de “tumbeiros”, ou seja, tumbas flutuantes.

    Alguns exemplos ajudam a dar uma noção mais precisa desses números. Em 1805, um brigue sob o comando do capitão Félix da Costa Ribeiro partiu da região de Biafra com 340 escravos, dos quais 230 morreram nos quarenta dias de travessia até Salvador. Portanto, esse navio, sozinho, teria lançado ao mar entre cinco e seis cadáveres por dia, média semelhante à do Protector, que teve 151 mortos na viagem de cinquenta dias entre Luanda e o Rio de Janeiro. No caso do brigue Flor da Bahia, que perdeu 192 dos 557 cativos embarcados de Moçambique para Salvador, uma viagem de cerca de setenta dias, a média de corpos atirados da amurada do navio teria sido de quase três por dia.

     Morria-se de doenças como disenteria, febre amarela, varíola e escorbuto. Morria-se de suicídio — escravos que, tomados pelo desespero, aproveitavam-se de um descuido dos tripulantes, subiam à amurada das embarcações e jogavam-se ao mar. Por essa razão, os navios negreiros geralmente eram equipados com redes estendidas ao redor do deque superior, para prevenir esses atos. Morria-se, ainda, de banzo, nome dado pelos africanos para o surto de depressão muito frequente entre os cativos. Alguém acometido por banzo parava de comer, perdia o brilho no olhar e assumia uma postura inerte enquanto suas forças vitais se esvaiam no prazo de poucos dias. “O banzo é um ressentimento entranhado por qualquer princípio, como a saudade dos seus ou de sua pátria”, descreveu, no final do século XVIII, Luís Antônio de Oliveira Mendes, advogado português nascido na Bahia. “É uma paixão da alma a que se entregam que só é extinta com a morte.”*

    Os cadáveres eram então atirados por sobre as ondas, sem qualquer cerimônia, às vezes sem ao menos a proteção de um pano ou lençol, para serem imediatamente devorados por tubarões e outros predadores marinhos. Segundo inúmeras testemunhas da época, mortes tão frequentes e em cifras tão grandes fizeram com que esses grandes peixes mudassem suas rotas migratórias, passando a acompanhar os navios negreiros na travessia do oceano, à espera dos corpos que seriam lançados sobre as ondas e lhes serviriam de alimento. Esses rituais eram parte da rotina a bordo.

    “Os tubarões começavam a seguir os navios negreiros assim que as embarcações alcançavam a costa da Guiné”, escreveu o historiador Marcus Rediker. “Eram observados pelos marinheiros da Senegâmbia ao Congo e Angola, passando pela Costa do Ouro e dos Escravos (atuais Gana, Togo, República do Benim e Nigéria), sempre que os navios estavam ancorados ou se moviam lentamente.” Um corpo ou um homem vivo que caísse nas águas por acidente seria imediatamente destroçado. Alexander Falconbridge, médico britânico que participou de quatro viagens negreiras entre 1780 e 1787, testemunhou diversas cenas como essa enquanto observava o embarque de cativos na costa de Bonny (atual Nigéria). Segundo ele, os tubarões cercavam os navios “em número inacreditável, devorando rapidamente os negros que eram arremessados da amurada”. Relato semelhante é o de John Atkins, também médico da Marinha Britânica na primeira metade do século XVIII: “Diversas vezes eu vi os tubarões se apoderarem de um cadáver, assim que era jogado ao mar, despedaçando-o e devorando-o com tal voracidade que não dava tempo sequer para que começasse a afundar nas águas”.

    Do embarque na costa da África, cardumes de tubarões seguiam as embarcações por milhares de quilômetros na travessia do oceano, segundo os registros no diário do capitão Hugh Crow, que fez dez viagens nesse percurso. “Eles estão sempre ao redor do navio, à espera de que algum corpo seja jogado nas águas”, descreveu Crow. Comprovando suas observações, em 1785 diversos jornais de Kingston, capital da Jamaica, noticiaram que a chegada de novas cargas de escravos tinha trazido consigo uma tal quantidade de tubarões que “banhar-se nas águas do rio local se tornou algo extremamente perigoso”

    O registro de desembarque oficial de escravizados no Brasil data de 1531, quando a produção de cana-de-açúcar começava a despontar. O auge do tráfico negreiro no Brasil ocorreu entre 1800 e 1850. A maior parte dos negros que aqui desembarcavam era proveniente de Angola, Congo, Moçambique e Golfo do Benim. As condições precárias de higiene, alimentação e descanso, as jornadas exaustivas e os cruéis castigos físicos a que eram submetidos restringiam a expectativa de vida dos escravizados a uma média de 25 anos.

    O escravismo no Brasil não surgiu a partir de uma evolução interna da sociedade, mas foi introduzida de fora para dentro, a partir de 1531, com o objetivo de viabilizar a produção de cana-de-açúcar no Brasil.

    A escravidão foi garantida por Estado e por uma ideologia que além de legitimar a escravidão sujeitava o escravo a sua condição de escravo. Este devia encontrar consolo em Deus, depositar as esperanças de dias melhores nos céus. Quem aceitasse a escravidão como destino seria recompensado com o Paraíso; quem se revoltasse seria condenado às Chamas Eternas. Ao pegar o conformismo, ao eternizar a escravidão, o cristianismo foi utilizado como um eficiente mecanismo de controle social. De acordo com a concepção religiosa daquela época, os sofrimentos do corpo deviam ser aceitos como remissão dos pecados cometidos e a cometer. Cada açoite do homem branco significava um degrau a mais no caminho do céu. A submissão total do corpo significava a libertação total da alma.

    No campo espiritual, a própria igreja legitimou a escravidão como sendo algo natural aos olhos de Deus e como instrumento de salvação das almas.

    Durante os mais de 300 anos de escravidão, inúmeros teólogos, pregadores e chefes da Igreja usaram a maldição de Cam para defender o cativeiro dos africanos. Um exemplo é o jesuíta italiano Jorge Benci, que escreveu Economia Cristã Dos Senhores No Governo Dos Escravos, publicado em 1705, que defendia que o cativeiro era parte e consequência da natureza decaída do ser humano, “um dos efeitos do pecado original de nossos primeiros pais, Adão e Eva, donde se originaram todos os nossos males”. Segundo o jesuíta, “o pecado foi o que abriu as portas por onde entrou o cativeiro”. Os escravos africanos seriam, portanto, herdeiros da maldição de Cam: “É a mesma geração dos pretos que nos servem; e, aprovando Deus essa maldição, foi condenada à escravidão e cativeiro”. (Citado por Laurentino Gomes em A Escravidão – Vol 01. Pg 46).

    O padre Antônio Vieira atribuía o comércio de escravos a um grande milagre de Nossa Senhora do Rosário porque, segundo ele, tirados da barbárie e do paganismo na África, os cativos teriam a graça de serem salvos pelo catolicismo no Brasil. Foi esse o teor da homilia que pregou para uma irmandade de escravos de um engenho na Bahia, em 1633: 

    “A mãe de Deus, antevendo esta vossa fé, esta vossa piedade, esta vossa devoção, vos escolheu de entre tantos outros de tantas e tão diferentes nações, e vos trouxe ao grêmio da Igreja, para que lá [na África] não vos perdêsseis, e cá [no Brasil] como filhos seus, vos salvásseis. Este é o maior e mais universal milagre de quantos faz cada dia, e tem feito por seus devotos a Senhora do Rosário. […] Oh, se a gente preta tirada das brenhas da sua Etiópia, e passada ao Brasil, conhecera bem quanto deve a Deus, e a Sua Santíssima Mãe, por este que pode parecer desterro, cativeiro e desgraça, e não é senão milagre, e grande milagre!”

    Ainda no mesmo sermão, o jesuíta afirmava que o escravo devia ver o seu sofrimento como uma bem-aventurança, já que estava a imitar o que Cristo passou na cruz:

    “Bem-aventurados vós se soubéreis conhecer a fortuna do vosso estado, e com a conformidade e imitação de tão alta e divina semelhança aproveitar e santificar o trabalho. […] Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado […] porque padeceis em um modo muito semelhante o que o mesmo Senhor padeceu na sua cruz, e em toda a sua paixão” (Citado por Laurentino Gomes, pg 204)

    Ideologicamente, a violência contra os africanos era explícita. Vários filósofos também justificaram a escravização dos negros africanos. O jornalista Laurentino Gomes em A Escravidão – Vol 01. Pg 46 fez uma lista de alguns pensadores, eu separei algumas passagens:

    1. David Hume, um importante pensador do século XVIII disse em 1748, “eu suspeito que os negros, como em geral todas as outras espécies de seres humanos, sejam naturalmente inferiores aos brancos. Nunca houve entre eles nação alguma tão civilizada quanto entre os brancos. Nenhum grande inventor entre eles, nenhuma Arte, nenhuma ciência […]. Uma diferença tão constante e uniforme não poderia se repetir em tantos lugares e em épocas tão distintas se a natureza não tivesse também uma distinção original entre essas espécies de seres humanos”;
    2. O alemão Immanuel Kant escreveu em 1764: os negros africanos não receberam da natureza qualquer inteligência que os coloque acima da tolice. Portanto, a diferença entre as duas raças (negra e branca) é muito substancial. A distância no que diz respeito às faculdades mentais parece ser tão grande quanto a da cor (da pele).
    3. Georg W. Friedrich Hegel, também alemão e talvez o mais citado entre todos os filósofos formadores da ideologia racista no século XIX, afirmava que a África não merecia atenção dos povos ocidentais por ser um continente, na sua visão, sem qualquer contribuição significativa à história do mundo. “A falta de controle distingue o caráter dos negros”, afirmou no livro A Filosofia da História, de 1837. “Essa condição incapacita o desenvolvimento e a cultura.” Por essa razão, segundo Hegel, “a única essencial ligação que existiu e permaneceu entre negros e europeus é aquela da escravidão”.

              O jornalista também afirma que houve outras motivações, mais profundas e de natureza estética e psicológica, para o racismo contra os negros africanos durante o regime escravagista. De acordo com Gomes, citando o historiador David Brion Davis “é a conotação negativa sempre atribuída à cor preta em diversas culturas, usada como indicativo de infortúnio, tristeza, maldade e impureza. Na tradição judaico-cristã, a cor branca estaria sempre associada à inocência, à pureza e à santidade, enquanto a cor escura (tecnicamente, a ausência de cor) era sinônimo de pecado, perversão e morte. Os textos bíblicos se referem repetidas vezes a uma permanente luta entre os “filhos da luz” e os “filhos da escuridão”. Nas obras de arte medievais, demônios de pele negra e traços fisionômicos semelhantes aos dos africanos emergem das sombras para molestar os seres humanos, enquanto os santos são invariavelmente representados com a pele clara dos europeus. Num ensaio publicado em 1837, o pintor francês Jacques-Nicolas Paillot de Montabert lembrava seus colegas artistas que o branco “é o símbolo da Divindade ou de Deus”, ao passo que o preto “é o símbolo da escuridão, e a escuridão expressa todos os males”. Segundo ele, a cor escura significava o caos, a feiura, o vício, a culpa, o pecado e a má-fortuna.”

    Em outras palavras, a violência contra os escravos pode ser compreendida com parte integral e fundamental do sistema escravista e inerente à própria civilização dos séculos XVI ao XVIII. A completa perda da identidade original do escravo e sua nova condição de submisso à vontade do senhor só seria possível mediante o uso continuado da força. De acordo com o historiador Orlando Patterson, “Não existe uma única sociedade escravista em que o chicote não tenha sido um instrumento indispensável”. Ainda de acordo com Patterson, “as formas mais desenvolvidas de escravidão eram aquelas em que os cativos eram removidos a uma grande distância do seu local de nascimento, ou de moradia de seus familiares, de maneira a enfatizar a condição de forasteiros ou estranhos ao grupo social que os mantinha submissos pelo uso da violência”. Desse modo, “escravo” se converteu em sinônimo de “estrangeiro”, ou de “o outro”, aquele que não pertence ao grupo social que o domina.

    Apesar da população de escravos ser numericamente muito maior, constituindo-se na maioria da população colonial, esta maioria não resultava em uma organização dos negros escravizados. Muito pelo contrário. Conscientes da situação de revolta permanente, potencialmente destrutivas, os senhores tinham a preocupação de evitar qualquer tipo de união, de identificação entre os escravos e, consequentemente, de impedir uma possível revolta coletiva. Os escravos nunca deviam ficar ociosos, nem terem momentos de conversas em grupos. A arbitrariedade formava parte do sistema, e estes deviam se sentir permanentemente vigiados, ameaçados e agredidos. Os flagelos sem causas justificadas formavam parte do mecanismo de submissão total dos escravos. Ninguém estava a salvo.

    Homens de línguas, origens e regiões diferentes eram misturados nas senzalas. As guerras tribais africanas também dividiam os escravos numa mesma fazenda. Os castigos violentos e permanentes faziam com que os escravos permanecessem num constante estado de tensão, denunciando-se mutuamente, atuando mecanicamente. Nestas situações, a revoltas individuais eram mais frequentes que as revoltas coletivas. Lamentavelmente, as primeiras não fazem parte dos arquivos históricos.

      Por quase 400 anos o Brasil foi um país escravista e praticamente todos os aspectos da vida colonial giravam em torno da escravidão, que também definia a forma como as cidades eram organizadas, a produção nas lavouras, nos engenhos, nas minas de ouro e diamante. Eram os escravos que realizavam praticamente todo o trabalho: na lavoura, nas casas, na exploração mineira, nos serviços urbanos e no transporte de pessoas e mercadorias. Trabalhavam até o limite máximo de suas forças.

    O trabalho nas lavouras e nos engenhos era exaustivo e, por vezes, desumano. Os cativos eram submetidos a jornadas diárias longas, pesadas e perigosas. Nos campos, o trabalho começava antes ainda do nascer do sol e ia até o anoitecer. Picadas de cobras ou ferimentos produzidos por facões, machados e outros instrumentos cortantes eram comuns. Muitos causavam mutilações para o resto da vida ou mesmo a morte das vítimas. Nos engenhos, o turno de trabalho na época da safra e do auge da produção anual de açúcar podia chegar a dezoito ou vinte horas. As caldeiras ferviam dia e noite sobre fornalhas que os cativos iam alimentando com lenha, expostos a temperaturas altíssimas

    Os escravos eram tão importantes para a sociedade brasileira, que o padre jesuíta André João Antonil chegou a afirmar em 1710 que “Os escravos são as mãos e os pés do senhor do engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente”. Por volta de 1860, o senador gaúcho Gaspar Silveira Martins, ao tratar dos barões do café e seus escravos nas fazendas do Vale do Paraíba, entre São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais afirmou que “o Brasil é o café, e o café é o negro”.

    Os castigos aplicados em público para servir de exemplo aos demais eram cruéis: açoites, amputações, palmatória, tronco, máscara e coleira de ferro, correntes com peso. O castigo físico era considerado um direito e um dever dos senhores

    Os escravos das cidades tinham uma vida diferente daquela dos que trabalhavam nas fazendas e nos engenhos. Além de realizarem todos os trabalhos manuais e servirem de besta de carga, eram uma fonte de riqueza importante para seus senhores, pois exerciam ofícios recebendo remuneração que era revertida para o seus donos. Eram chamados, por isso, de “escravos de ganho”.

    Eles conseguiam, às vezes, guardar parte dos rendimentos que recebiam e, assim, após décadas de poupança, era possível a alguns comprar a sua liberdade. Houve cativos que adquiriram escravos que, com seu trabalho, auxiliaram seus donos a alcançar a alforria.

    Apesar de toda a dificuldade e complexidade em se organizarem, os escravos reagiram de diversas formas à escravidão: vinganças contra feitores, sabotagens, revoltas e fugas. Mas havia também os que conseguiam fugir e formar quilombos. O maior deles foi o Quilombo dos Palmares, na região dos atuais estados de Alagoas e Pernambuco, que conseguiu reunir cerca de 50 mil quilombolas entre 1630 e 1695.

  • Os Hebreus

    HEBREUS: OS ALIADOS DE DEUS

    A Bíblia, na parte denominada de Antigo Testamento, é o principal documento da História dos Hebreus. Parte dos episódios ali narrados foi confirmada por pesquisas arqueológicas

    Os hebreus eram pastores nômades organizados em tribos, cada uma delas sob o comando de um Patriarca. Andavam pelas planícies da Mesopotâmia conduzindo seus rebanhos em busca de água e pastagens. Dessa forma, saindo de Ur, ao sul, por volta do ano 2000 a.C., atingiram a fértil cidade de Harã, no norte da Mesopotâmia.

    A Bíblia conta que o Patriarca Abraão recebeu uma ordem de Deus para deixar Hara e seguir para uma terra que seria indicada por Ele. Obediente a voz de Deus, os hebreus seguiram Abraão e chegaram a uma aldeia no país de Canaã, a Terra Prometida (atual Palestina).

    De pastores nômades, os hebreus se tornaram agricultores. Nessa época, já eram chamados de israelitas ou povo de Israel. Cerca de 1700 a.C., as terras de Canaã foram atingidas pelas secas e pela fome. Estimulados por José, um israelita que vivia no Egito, os hebreus se mudaram para as férteis terras  do delta do Nilo. Ali permaneceram em paz por centenas de anos.

    Tempos depois, um faraó preocupado com o crescimento daquele povo, decidi u tornar os hebreus escravos a serviço do Egito, colocando-os em trabalhos pesados nas minas e nas construções. Foi Moisés quem libertou os hebreus do cativeiro e os conduziu de volta a Canaã. Esse episódio ficou conhecido como “Êxodo”, e teria ocorrido por volta do século XIV a.C.

    Diz a Bíblia que, nessa longa viagem de volta à Terra Prometida, Moisés recebeu de Deus, no monte Sinai, os Dez Mandamentos ou o Decálogo. Essas leis se tornaram a base da religião judaica e, mais tarde, do cristianismo e do islamismo. Quando saíram do Egito, os hebreus não eram um grupo homogêneo. Mas as dificuldades da viagem, a obediência às leis divinas e a renovação da aliança como Deus deram ao povo hebreu uma solidariedade grupal. Acreditavam terem sido escolhidos por Deus e que, sob sua proteção divina, reconquistariam a Terra Prometida.

    Os hebreus foram o primeiro povo da História a ter uma religião monoteísta. Jeová ou Iavé, como chamavam a Deus, era o Senhor, o legislador e o Juiz de seu povo. Os líderes políticos eram somente seus representantes. 

    A HISTÓRIA POLÍTICA DOS HEBREUS

    O Êxodo, a viagem de volta à Terra Prometida, levou décadas. Moisés morreu ainda no deserto. Foi Josué, seu sucessor, quem completou a viagem. Os hebreus encontraram Canaã ocupada por outros povos e lutaram para expulsá-los.

    Durante esse período de lutas, os hebreus se organizaram politicamente e fundaram um reino (1030 a.C.). Seus reis mais importantes foram Davi e Salomão. O primeiro conquistou definitivamente as terras ocupadas (Palestina) e transformou Jerusalém em capital do Reino. Com Salomão, o reino atingiu o apogeu de sua prosperidade. Seus domínios  estendiam-se do rio Eufrates ao Egito. Salomão mandou erguer o magnífico Templo de Jerusalém, construiu uma esquadra e equipou o Exército com carros de combate e armas de ferro. 

    Depois da morte de Salomão, o reino se dividiu em dois: Israel e Judá. Foi o Cisma. Em 722 a.C., os assírios destruíram o reino de Israel, e seus habitantes foram expulsos do território. Em 587 a.C., o Exército Babilônico de Nabucodonosor arrasou o reino de Judá, e seus habitantes, os judeus, foram levados como escravos para a Babilônia, onde ficaram por quase meio século. No exílio, os judeus conservaram sua identidade cultural e religiosa. Seus cultos e orações foram mantidos em casas chamadas Sinagogas. A lembrança do pacto com Deus reforçava a sua fé e a esperança de voltar à Palestina.

    Foi Ciro, o rei dos Persas, que, ao conquistar a Babilônia, permitiu o regresso dos judeus à Palestina (538 a.C.), que também estava sob o seu domínio. O Templo de Jerusalém foi reconstruído e a Palestina passou a se chamar JUDEIA.

    Depois dos persas, os judeus caíram sob o domínio de outros povos. Por fim, em 70 d.C., o maior golpe de sua história: os romanos destruíram Jerusalém, incendiaram o templo e escravizaram milhares de pessoas. Os objetos de valor tomados no templo, como o candelabro de ouro e as trombetas de prata de Davi, foram levados para Roma, onde desfilaram como troféus de guerra do Exército romano. 

    Os judeus sobreviveram ao massacre e espalharam-se ao redor do Mar Mediterrâneo. Foi a Diáspora. Por quase dois mil anos, os judeus não tiveram pátria, mas sua identidade cultural e religiosa os manteve unidos. Nessa longa diáspora, viveram em comunidades espalhadas pelo mundo, até a formação do Estado de Israel, pela ONU, em 1948

  • ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

    Nos últimos dias temos ouvido muito falar que o Brasil é um ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO. Mas o que quer dizer isso? Eu reuni três textos bem legais sobre o assunto. Após a leitura, tente responder ao que se pede ao final.

    O primeiro deles está disponível no site do governo federal e reproduzo a seguir

    1. ENTENDA O QUE É O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
    Com a premissa de que todo o poder emana do povo prevista na Constituição Federal de 1988, a nação brasileira enquadra-se na categoria de Estado Democrático de Direito. Suas principais características são soberania popular; da democracia representativa e participativa; um Estado Constitucional, ou seja, que possui uma constituição que emanou da vontade do povo (como essa vontade foi exercida?); e um sistema de garantia dos direitos humanos. (Para você o que seria esse sistema de garantia dos direitos humanos? E quais diretos são esses?)

    Como o nome sugere, a principal ideia da categoria é a democracia. Esse conceito está explícito e explicado no primeiro artigo da Constituição Federal de 1988. Está na Carta Magna (outro nome que se dá para CONSTITUIÇÃO FEDERAL): “Todo o poder emana do povo (isso significa que vivemos em uma República), que o exerce por meio de representantes eleitos (esses são os termos de uma democracia indireta, por meio das eleições de vereadores, prefeitos, governadores, deputados, senadores e presidentes) ou diretamente, nos termos desta Constituição (este trecho estabelece que, no Brasil, também funciona a democracia direta, em que o povo é o responsável direto pela tomada de decisões)”.

    Conceitos
    Para entender o conceito, é necessário compreender o que significa “democrático”, segundo o professor e mestre em direito constitucional Edgard Leite. Ele explica que essa palavra por si só concentra todo o significado da expressão. É justamente por isso que um Estado de Direito é totalmente diferente do Estado Democrático de Direito

    “Resumidamente, no Estado Democrático de Direito, as leis são criadas pelo povo e para o povo, respeitando-se a dignidade da pessoa humana”, afirmou Leite (como o povo exerce essa vontade?)

    Já o Estado de Direito é pautado por leis criadas e cumpridas pelo próprio Estado. Um exemplo, segundo o professor, é o Código Penal Brasileiro, um decreto-lei de 1940.

    “Isso ocorre em uma ditadura militar, por exemplo, quando o governante dispõe de instrumentos como o decreto-lei, por meio do qual ele governa ainda que sem a aprovação do Congresso Nacional.”

    Nota do seu professor: Um outro exemplo de leis criadas e cumpridas pelo próprio Estado são os Atos Institucionais da Ditadura Militar (1964-1985), quando o presidente baixava uma norma (lei) e que não submetia à apreciação do Congresso Nacional. Nestes casos, o que dava legitimidade à lei (ou seja, o fazia ela valer de verdade), não era a vontade do povo, mas sim o poder militar, já que eram as Forças Armadas que exerciam o poder no país, sem consulta ao povo.

    Origem do conceito
    A ideia de democracia surgiu na Grécia antiga junto ao conceito de cidadão ativo. “Foi quando surgiu a democracia direta. O cidadão ativo ateniense era aquele que poderia exercer poderes políticos. Naquela época, eram apenas homens livres com posses, que se reuniam em praça pública e decidiam os rumos da cidade-estado”, explicou o especialista.

    FONTE: http://www2.planalto.gov.br/mandatomicheltemer/acompanhe-planalto/noticias/2018/10/entenda-o-que-e-o-estado-democratico-de-direito acessado em 17/06/2020 às 18:00h

    O segundo texto é do portal POLITIZE!

    2. ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: ENTENDA O QUE É ESSE TERMO

    Provavelmente você já deve ter ouvido alguém citar a expressão “Estado Democrático de Direito” em alguma conversa sobre política, certo? Mas você sabe o que isso significa? Pensando nessa dificuldade, o Politize! preparou este conteúdo para esclarecer suas dúvidas em relação a esse termo tão importante para a política, que está presente na Constituição de nosso país e que, apesar de frequente, é de difícil compreensão. Mesmo assim, é muito importante entender o que é o “Estado Democrático de Direito”, afinal, segundo a Constituição Federal, é por meio dessa forma de Estado que o Brasil se constitui:

    Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos (…)

    Primeiramente, precisamos esclarecer algumas confusões que podem surgir devido à similaridade deste termo com outros que também fazem parte do vocabulário político. Nesse sentido, é importante ressaltar que esses outros termos, apesar de similares em sua composição, representam coisas diferentes. Por isso, vamos analisar esses termos similares para que, a partir destes, seja possível compreender exatamente o que é o Estado Democrático de Direito. Vamos lá?

    A FORMAÇÃO DO ESTADO

    Já citamos várias vezes em nosso texto a palavra “Estado”, mas você realmente sabe o que isso significa? Brevemente, ESTADO, para nós, é o que entende-se por Brasil. Nesse sentido, é nele que o Poder Legislativo criará as leis, o Poder Executivo fará valer as leis por meio do governo e o Poder Judiciário julgará aqueles que infringirem essas leis de maneira imparcial e de acordo com o que está definido em nossa legislação. Entretanto, as coisas não foram sempre assim. Ao longo da história da humanidade, o Estado já teve várias formas de organização, que foram explicadas por diversos pensadores, conhecidos por “teóricos do Estado”.

    Nesse contexto, um dos primeiros teóricos que tentou justificar a existência do Estado surgiu no período das monarquias absolutistas (séculos XVI ao XVIII). Thomas Hobbes justificou a existência dessas formas de governo com seu célebre livro chamado “O Leviatã”. Ele acreditava que o ser humano em seu estado de natureza (antes de civilizar-se) era absolutamente livre e, dessa forma, não respeitava à lei alguma. Essa situação, para Hobbes, geraria conflitos entre as pessoas e instauraria uma “guerra de todos contra todos”, situação em que seria impossível o seu desenvolvimento pleno. Dessa forma, para que essa situação fosse superada, todos deveriam renunciar seus direitos a um soberano incontestável, que garantiria-lhes uma vida boa por meio de um contrato social. Nesse sentido, esse soberano seria o rei absolutista.

    Entretanto, na prática, essa forma de governo não foi bem sucedida, afinal, os poderes do soberano eram ilimitados. Ele concentrava em suas mãos o poder absoluto do Estado, não havendo, dessa forma, separação entre os poderes estatais. Um bom exemplo de representação desse poder ilimitado do soberano está na ilustre frase dita pelo rei absolutista Luís XIV: “O Estado sou eu!”

    Isso significa que o rei criava todas as leis, as executava e julgava àqueles que a desrespeitassem, estando, assim, acima da própria lei. Além disso, em diversas situações, o monarca não cumpria sua parte no contrato – a de garantir a seus súditos uma vida boa – e isso acabou gerando revoltas que colocaram em cheque essa forma de governo. A partir dessas revoltas nasceu o que conhecemos por “Estado de direito”.

    ESTADO DE DIREITO

    O Estado de Direito teve início depois da Revolução Francesa, que marcou o fim do absolutismo e a instauração de um sistema de governo parlamentarista. Durante o antigo regime – o absolutismo -, o governante detinha poder máximo e, dessa forma, não precisava respeitar nenhuma lei vigente. Contudo, com o fim desse regime e com o advento do parlamentarismo, passou a vigorar o que chamamos de Estado de Direito.

    Essa forma de Estado foi justificada pelo teórico John Locke em seu livro “Segundo Tratado sobre o Governo”. Para ele, o estado de natureza do ser humano não era um estado de ausência absoluta de leis como para Hobbes, mas, sem que houvesse um Estado para mediar os conflitos, o homem usaria a força para satisfazer seus interesses próprios. No momento que isso acontecesse, entraríamos em um estado de guerra que só teria fim com o estabelecimento de um contrato em que as pessoas renunciassem seus direitos de aplicar a leis para o Estado, para que este, por sua vez, distribuísse com equidade os direitos de cada um.

    O ponto que vale ressaltar aqui está relacionado ao fato de que, em um Estado de Direito, o governante não detém poder absoluto. Nesse caso, a figura do soberano como governante é substituída (absolutismo), sendo soberana, apenas a lei que está acima de todos, estando acima até mesmo dos governantes que, no caso da França pós-revolução, são os parlamentares.

    Parece perfeito não é mesmo? Entretanto, esse modelo abre oportunidade para que a seguinte pergunta seja feita: a lei é soberana e está acima de todos, mas quem cria essa lei? E ela atende aos interesses de quem? A grande questão do Estado de Direito está no fato de que não há necessidade de contemplar o que chamamos de “vontade geral” – conceito que já vamos explicar melhor. Sendo assim, há a possibilidade de que alguns grupos sociais sejam mais representados do que outros, o que manteria a desigualdade. Nesse contexto, o poder não emana necessariamente do povo, como estamos acostumados atualmente, e não há responsabilidade com a soberania popular.

    ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

    Depois de uma jornada pela história do Estado, chegamos finalmente ao termo que representa a forma como o Brasil se constitui atualmente. O Estado Democrático de Direito é diferente do Estado de Direito pela soberania do que chamamos de “vontade geral”, conceito que é trabalhado pelo teórico Rousseau em seu livro “O contrato social”. Sendo assim, a vontade geral é o atendimento do interesse comum da sociedade, obtido por meio do consenso das partes.

    Contudo, cabe aqui uma diferenciação importante: a vontade geral não é sinônimo de vontade da maioria ou de todos. Isso porque a vontade da maioria é uma simples soma numérica de vontades particulares que não reflete o uso da razão. Um exemplo que torna isso mais visível é o que aconteceu no holocausto: mesmo que a maior parte dos alemães estivesse em comum acordo com Hitler, suas atitudes não atendiam à vontade geral, pois não eram esclarecidas pela razão. Segundo o professor e mestre em direito constitucional Edgard Leite: “resumidamente, no Estado Democrático de Direito, as leis são criadas pelo povo e para o povo, respeitando-se a dignidade da pessoa humana”

    Contudo, cabe aqui uma reflexão: se estamos em um Estado Democrático de Direito, por que não criamos as leis? Essa é uma pergunta que pode ser respondida se olharmos para o nosso regime político: vivemos em uma democracia representativa, ou seja, em vez de participarmos de cada decisão do Estado, elegemos representantes que exprimirão nossas vontades. Por isso é tão importante eleger candidatos que realmente representem nossos interesses.

    Dessa forma, o Estado Democrático de Direito é uma forma de Estado em que a soberania popular é fundamental. Além disso, é marcado pela separação dos poderes estatais, a fim de que o legislativo, executivo e judiciário não se desarmonizem e comprometam a soberania popular. Outro ponto importante que caracteriza essa forma de Estado é o respeito aos Direitos Humanos que são fundamentais e naturais a todos os cidadãos. Assim, é possível perceber a importância do que está escrito no artigo 1º da Constituição Federal, que foi exposto no início do texto. Ou seja, o Estado Democrático de Direito permite que nos organizemos em uma sociedade minimamente justa e estável, com relações de poder que tragam mais benefícios que prejuízos.

    FONTE: (https://www.politize.com.br/estado-democratico-de-direito/ acessado em 17/06/2020, às 18h)

    E finalmente uma terceira opinião sobre o ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO, disponível no site http://www.significados.com.br

    3. O QUE É O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

    O Estado democrático de direito é um conceito que se refere a um Estado em que existe o respeito pelos direitos humanos e pelas e garantias fundamentais. Deve existir a garantia dos direitos individuais e coletivos, dos direitos sociais e dos direitos políticos.

    Isto quer dizer que, para que um Estado atinja o objetivo de ser considerado um Estado democrático de direito, todos os direitos dos cidadãos devem ter proteção jurídica e ser garantidos pelo Estado, através dos seus governos.

    No Estado democrático de direito os governantes devem respeito ao que é previsto nas leis, ou seja, deve ser respeitado e cumprido o que é definido pela lei. Isso significa que as decisões não podem ser contrárias ao que diz a lei e, dessa maneira, os direitos fundamentais dos cidadãos são protegidos.

    São algumas características do Estado democrático de direito:

    – soberania popular: o controle sobre o poder político é exercido pelo povo, que elege os governantes que vão lhes representar: o povo também é o destinatário dos direitos,
    – importância da Constituição Federal: a Constituição é chamada de “Lei Maior” porque é a lei que estabelece quais são os princípios fundamentais que devem orientar as decisões no país
    – a ação e as decisões dos governantes devem sempre levar em consideração o que a lei estabelece, a lei coloca limites ao poder de decisão dos governantes
    – as ações dos governos devem ser voltadas ao respeito e à satisfação dos direitos dos cidadãos, isto é, faz parte das funções do Estado trabalhar para garantir a justiça social no país
    – divisão entre os três Poderes que fazem parte do Estado: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário são poderes independentes e cada um tem sua função. O Legislativo é o responsável por fazer as leis que permitem que o Executivo tome decisões. Já o Judiciário é independente para julgar e deve ser imparcial nas suas decisões.

    Estado democrático de direito na Constituição Federal de 1988

    O Brasil é um Estado democrático de direito, de acordo com o que é expresso no 1º artigo da Constituição Federal de 1988: “Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito (…).”

    Diferença entre Estado democrático de direito e Estado de direito

    Embora existam semelhanças entre as duas definições é importante saber que Estado democrático de direito e Estado de direito não se tratam exatamente do mesmo conceito.

    De maneira simplificada a ideia de Estado de direito é relacionada com o fato de que o funcionamento do Estado deve ser baseado no que é determinado pela lei, ou seja, o poder de decisão estatal é limitado pelo que a lei permite. Essa ideia também é presente no Estado democrático de direito.

    O Estado de direito surgiu depois do período absolutista, em que os governantes tinham um poder ilimitado de decisão, não devendo obediência às leis. Depois do surgimento do Estado de direito o governante continuou a ter poder de decisão, mas ele ficou limitado ao que a lei permitia.

    A principal diferença entre os conceitos é que no Estado de direito não existe a preocupação com a garantia dos direitos fundamentais e sociais dos cidadãos por parte do Estado.

    Já no Estado democrático de direito, além do poder de decisão continuar a ser limitado pela lei, ele também deve levar em consideração os valores sociais e os princípios fundamentais da Constituição.

    FONTE: (https://www.significados.com.br/estado-democratico-de-direito/ acessado dia 17/06/2020 às 18h)

  • Os totalitarismos Europeus: o fascismo e o nazismo

    Um dos principais reflexos da Grande Depressão (1929), que teria implicações mais profundas, foi o fortalecimento dos partidos nacionalistas de extrema direita na Europa.

    Três fatores foram responsáveis pelo surgimento, na década de 20, do fascismo:

    1. cenário do pós guerra marcado pela incerteza e pela desilusão nos países mais prejudicados
    2. A vitória da Revolução Bolchevique e o temor frente a expansão comunista
    3. A desilusão para com o liberalismo e os valores democráticos.

    O FASCISMO é um movimento político ultranacionalista e armamentista surgido na Itália no início do século 20. O fascismo prega um Estado forte e paramilitar, geralmente ligado a uma identidade étnica, com rejeição a outras culturas e vinculado à imagem de um líder. Rejeita tanto o liberalismo, quanto o socialismo e se declara uma nova ideologia baseada na força das armas e da propaganda política de exaltação do nacionalismo e do chefe de governo. Surgiu, na Itália, por volta de 1914, em reação ao comunismo e em defesa da pátria e da propriedade privada. 

    Simbolo fascista2
    A palavra “fascismo” é de origem italiana e vem de “Fasci di Combattimento” (Esquadra de Combate). “Fascio”, em italiano, significa “feixe de varas”. O símbolo fascista consistia em uma machadinha envolta por um feixe. Em Roma, na Antiguidade, o lictor (uma espécie de oficial de justiça) levava uma machadinha envolta por um feixe de varas (em latim, “fesce”) nas mãos, quando ia executar as ordens judiciais. O feixe de varas significava união e força. As varas, unidas, ilustravam o povo italiano. A machadinha ilustrava o poder do “duce” (comandante) e a repressão. A mensagem era clara: ou os italianos se uniam e permaneciam fiéis a Mussolini, ou cabeças rolariam. Os fascistas do século XX tinham como influência o poderio do Império Romano. Queriam reviver as glórias passadas quando o Império predominou na Europa. Para isso, precisariam adotar um símbolo que remetesse disciplina e obediência. “Crer, obedecer e combater” eram os princípios da doutrina fascista.

     

    Características básicas da ideologia fascista:

    • Nacionalismo (patriotismo exacerbado);
    • Estatismo (Estado forte, paramentado e soberano);
    • Transcendência (misticismo quanto ao discurso e às ações do líder);
    • Expurgos (uso da violência, e não da razão pelos apoiadores);
    • Paramilitarismo (Exército operante e influente dentro do Estado)

    Em 1922, a MARCHA SOBRE ROMA, uma manifestação dos CAMISAS NEGRAS (membros do Partido Fascista), liderado por Benito Mussolini, desestabilizou o governo. Após esse episódio, Mussolini foi indicado como Primeiro Ministro da monarquia parlamentar italiana.

     

    Na mesma década, as ideias fascistas começaram a ganhar espaço na Alemanha. Já em 1923, o agitador fascista Adolf Hitler, tentou um golpe, o PUTSCH DE MUNIQUE, que acabou por levá-lo a prisão.

    Após a crise de 1929 e durante a Grande Depressão, agravou-se muito a situação na Itália e na Alemanha. Nesse contexto, o fascismo aparecia como a única alternativa para a classe média, uma vez que se tratava de uma ideologia burguesa. 

    À medida que a crise se agravou, os fascistas alemães, representado no Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista), aumentaram sua presença no Parlamento (Reichstag). Em 1933, o Partido Nazista (cujo nome derivava da sigla do Partido em alemão) chegou ao poder.

    Hitelr discursa para juventude nazista
    Hitler discursa para a Juventude Nazista

    Bandeira Nazista
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    CARACTERÍSTICAS DOS TOTALITARISMOS
    culto ao chefe e obediência cega ao líder, representados em um dos mais conhecidos lemas do nazi-fascismo: Acredita! Obedece! Luta! Totalitarismo
    Exaltação da coletividade nacional Nacionalismo
    soberania absoluta do Estado Autoritarismo
    Exaltação da guerra como uma força purificadora  e revigoradora para um povo alcançar o poder militarismo
    monopólio da representação política por um único partido de massa Unipartidarismo
    Desprezo aos valores  do individualismo liberal e defesa do ideal de colaboração entre as classes Voluntarismo
    Direção estatal da economia que continua privada corporativismo
    valorização da fé mística, do auto-sacrífício e culto ao heroísmo Romantismo
    Valorização da superioridade racial Racismo

    “Pouco racional, o fascismo é um protesto do instinto, um sobressalto das potências elementares contra o racionalismo. É também um movimento pragmático que enfatiza a eficácia, os valores de ação e não se constrange em apresentar um sistema completo e uma formulação explícita de si mesmo. Os movimentos fascistas se afirmam como uma reação: reação contra os adversários, contra as cotações que lhe são impostas, contra os perigos. O fascismo é um combate, e Hitler dá ao seu tratado um título significativo: Mein Kampf (Minha Luta)” (René Remond)

    PERFIL DOS REGIMES TOTALITÁRIOS
    Embora houvesse diferença entre eles, ao chegar ao governo, os movimentos totalitários mostraram diversas características em comum.

    • concentração do poder nas mãos de um pequeno grupo de pessoas, organizada em um único partido
    • Extinção das liberdades e dos direitos individuais e coletivos
    • Repressão sem limites, que estabelecia rígido controle sobre a vida pública e privada das pessoas
    • Uso dos meios de comunicação de massa para exaltar o governo e a figura do líder e para difundir a ideologia do partido
    • Perseguição implacável aos socialistas, comunistas e outros grupos opositores do regime
    • Censura e controle dos meios de comunicação, violência e ódio contra as minorias, como homossexuais, imigrantes, ciganos e judeus
    • Capacidade de mobilizar o apoio de amplos setores da população apesar da repressão exercida

    ESSA NOVA FORMA DE CONTROLE DO PODER RECEBEU O NOME DE TOTALITARISMO
    Apesar de apresentarem características em comum, o fascismo italiano, o nazismo alemão e ao stalinismo soviético não eram idênticos. Havia diferentes modos de organização do Estado e da Economia.

    Enquanto o nazismo e o fascismo são de extrema-direita, o stalinismo foi de extrema-esquerda.

    Os nazistas e fascistas, entendiam que indústrias, fábricas e bancos deveriam pertencer a iniciativa privada. Para esses dois regimes, o Estado deveria interferir na economia para  garantir o desenvolvimento do capitalismo e beneficiar grupos industriais e financeiros. Muitas empresas italianas e alemãs não só apoiaram como se beneficiaram com o nazismo e com o fascismo.

    Já o stalinismo defendia a completa interferências do Estado na produção e o fim da propriedade privada. Assim, o regime stalinista obrigou os camponeses a abandonarem suas pequenas propriedades  agrícolas a se organizarem em fazendas coletivas, manteve sob o controle estatal todo o desenvolvimento industrial da União Soviética.

    O Nazismo, por sua vez, foi o único desses regimes totalitários a defender a ideia de superioridade biológica (eugenismo) e racial (racismo). Para os nazistas, a “raça germânica” – ou ariana – seria uma “raça pura e superior”. Assim, os arianos teriam direito – e até o dever – de subjugar povos considerados “inferiores”, como os judeus e os ciganos. A crença nessa suposta superioridade levou o regime nazista a por em prática um plano de eliminar os judeus (antissemitismo).

    mussolini e hitler
    Mussolini (esquerda) e Hitler (direita), cada um com os seus símbolos

    A MORTE DE MUSSOLINI
    O líder italiano Benito Mussolini morreu no dia 28 de abril de 1945 quando tentava fugir de Itália. Foi executado por resistentes anti-fascistas no norte do país e o seu corpo e o da amante, Claretta Petacci, exibidos em público.

    Após a execução, o corpo de Benito Mussolini foi levado até ao centro de Milão onde foi mutilado e pendurado de cabeça para baixo, ficando exposto para que todos o pudessem ver. Ao seu lado estava Claretta Petacci.

    Terminava assim a vida do primeiro ditador fascista a assumir o poder num país europeu. Enquanto líder de Itália tentou reencarnar o espírito de Júlio César ressuscitando mesmo alguma da iconografia do período imperial.

     

    FILMES PARA ENTENDER O FASCISMO
    Por último, deixamos aqui algumas dicas de filmes para que se passam na época do fascismo e do nazismo para aprender enquanto come uma pipoquinha:

    • A vida é bela
    • O menino do pijama listrado
    • A lista de Schindler
    • O leitor
    • A escolha de Sofia
    • Prelúdio de uma guerra
    • A onda
    • Bastardos Inglórios

    CURIOSIDADE: O que significa ser “direita” ou “esquerda”?
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    Em política, a palavra “Direita” tem origem na Revolução Francesa (em alusão ao grupo que ficava a direita do Parlamento – Girondinos) e designa pessoas, grupos ou governos com posições políticas e sociais mais conservadoras. Oposta à esse termo está a palavra “esquerda” (que ficava a esquerda no Parlamento – Jacobinos), usada para definir pessoas, grupos ou governos que apoiam mudanças mais radicais na sociedade (como a reforma agrária, por exemplo) e valorizam a igualdade econômica e social entre as pessoas. O termo “centro”, por sua vez, em geral, designa pessoas ou grupos com posições políticas moderadas e que podem variar conforme a situação. No contexto que estamos, os fascistas e os nazistas são de direita, os socialistas/soviéticos, de esquerda.

    Um livro bem legal para se inteirar de assuntos relacionados à política é o DICIONÁRIO DE POLÍTICA, de Norberto Bobbio, clique aqui e compre o seu ou baixe em .pdf, clicando aqui.

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  • ideias brigam, pessoas não.

    Dias estranhos são estes que estamos vivendo, hein?

    Será que não estamos fazendo acepção de pessoas pelas ideias que elas tem da vida ou da forma como enxergam o mundo? “Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. (Tiago 2:1).

    O REINO DE DEUS será composto somente por um tipo de pensamento? A Igreja do SENHOR é uma igreja de pensamento único?

    Pessoas que aparentavam ser dotadas de uma caridade, de um amor se mostram violentas e virulentas para com aqueles que pensam de forma diferente. Consideram a SUA verdade, como sendo a única e não são capaz de aceitar o contraditório e o pensar diferente. Tenho ouvido muita palavra de maldição, muitos se colocando como juízes, acima do bem e do mal, só porque o outro não pensa igual. Ou seja, a mesma língua que professa o amor de Deus, professa maldição contra um próximo. Como diz o Apóstolo Tiago, “a língua, um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas” (Tg 3:5a) e mais “com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim” (Tg 3:9-10).

    Eu acredito, sinceramente, que isso vem de uma cultura em que a prática do debate não era cultivada. Não aprenderam a debater nas escolas/faculdades. Com isso, nunca tiveram que aprender a defender seus pontos de vistas com argumentos. Hoje as pessoas defendem seus argumentos aos berros, aos gritos; partem para a ofensa moral, pessoal; desqualificam o debatedor (que é diferente de desqualificar o argumento, tal-okei?); acuam com violência e disseminam um discurso de ódio. Nesse momento lembro de Paulo: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra que cause destruição, mas somente a que seja útil para a edificação, de acordo com a necessidade, a fim de que comunique graça aos que a ouvem” (Ef 4:29).

    Que obedeçamos ao apóstolo dos gentios: “Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” (Cl 3:2). E esta ordem “a vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um” (Cl 4:6). E isso vale para mim, também.

    IDEIAS BRIGRAM, PESSOAS NÃO.