Autor: Professor Juliano Marques

  • Não use a Bíblia para justificar a sua ignorância

    Alguns líderes políticos, empresariais e religiosos estão subestimando a pandemia de Covid-19. Eu compreendo e respeito a intensão de cada um. Entretanto eu gostaria também que respeitassem o meu direito de optar pelo distanciamento social. Não sou menos cristão por causa disso; não sou um medroso. Apenas optei por uma orientação que vem das autoridades sanitárias mundiais, como a OPAS e a OMS/ONU.

    Ficar em casa é um gesto de respeito e de amor ao próximo. Não desejo para o outro o que não desejo para mim. Poderiam me dizer… Você não confia em seu Deus? Sim, Confio! Confio também que ele deu inteligência aos homens para que possamos passar por este momento com prudência, empatia e respeito. Jesus ao ser tentado no deserto disse: “Também está escrito: não tentarás a teu Deus”. (Mt 4:7).

    Então, não use a Bíblia para justificar a sua coragem de não respeitar a quarentena nem para chamar aqueles que respeitam a quarentena de “crente medroso”.

    “Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver: Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás. Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte” (Ap 2:8‭-‬11).

  • Juro, eu tentei!

    Eu resolvi fazer este texto, para poder expor as minhas ideias de forma clara, direta e linear, pois assim não serei interrompido aos gritos e aos berros de ser acusado de comunista, de ser “petê” ou até mesmo ser “LulaLivre”.

    Eu fiz um acordo comigo mesmo, para meu próprio bem, parar de repercutir o que este energúmeno vem falando. Mas a capacidade dele de produzir imbecilidades a cada dia é superior à minha capacidade de longanimidade.

    Juro, eu tentei!

    Antes de mais nada, uma breve exposição sobre o que penso sobre a vida.

    1. Pra começo de conversa.

    Desde a minha juventude eu fui militante de movimentos sociais, comecei no movimento estudantil, sendo presidente de Grêmio Estudantil. Participei ativamente do “Fora Collor”, coordenando uma das importantes forças políticas da juventude naquela época, a JSB (Juventude Socialista Brasileira, chegando a ser coordenador estadual desta força, posteriormente). Aos 18 anos fui eleito o diretor sindical mais novo da História do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte (o 3º maior sindicato de bancários do país), ficando lá até 2005. Neste mesmo período, iniciei meus estudos no Curso de História da PUC Minas, isso lá nos idos de 1993. Nessa época já era membro da executiva estadual do Partido Socialista Brasileiro (MG), quando militava (fazendo oposição à esquerda do ex-prefeito de BH, Dr. Célio de Castro, a quem sempre tive o maior respeito).

    Como pode ser percebido, a minha militância política não começa hoje. Sempre me identifiquei com as questões sociais, com os desfavorecidos e com os excluídos. Nunca participei do establishment político. Nas eleições de 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014 sempre votei nos candidatos da chamada esquerda progressista (Lula e Dilma), por reconhecer neles uma oportunidade do povo pobre que sempre foi invisível aos governos burgueses anteriores (não que os governos do PT não tenham sido governos burgueses, tal ok?) serem, pela primeira vez, vistos e ouvidos. Sem dúvida, a eleição do Lula em 2002 representou uma quebra no paradigma da política brasileira tradicional, nem que para isso valha as alianças com as raposas da velha política tradicional.

    2. Valeu a pena vender a alma ao diabo?

    O PT e a esquerda progressista que governou o Brasil de 2002 a 2016 cometeram erros? Demais da conta. Desde alianças espúrias com setores condenáveis da estrutura oligárquica brasileira, ao abandono de bandeiras históricas da esquerda brasileira, como, por exemplo, a taxação das grandes fortunas e a não realização de uma reforma agrária. Para fazer valer seu projeto de governo, se venderam, compraram deputados, roubaram recursos públicos. Roubaram o Povo.

    O PT e seu projeto de governo se esgotaram. A esquerda progressista perdeu os seus melhores quadros, muitos envelheceram, morreram e, como não estavam mais nas ruas, nas bases, não formaram novas lideranças. Nos sindicatos não se discute mais conjuntura política, não se discute mais teoria política. O que vale agora é o bom e velho assistencialismo e a desgraça do corporativismo.

    Ao abandonarem as ruas, as fábricas, as escolas, as favelas, o movimento social foi perdendo qualidade na sua militância e nos seus quadros. O grupo que não foi cooptado pelo sistema, adotou uma postura mais radical ainda, com discurso virulento e raivoso. Ao se afastarem do povo, a esquerda progressista acabou. Perdeu a sua representatividade e a sua capacidade de dialogar com os mais pobres, miseráveis e excluídos. O discurso raivoso também não encontra eco.

    Ficou um vácuo.

    Vácuo este ocupado por ideias reacionárias. Não conservadoras. Porque o conservadorismo, em linhas bem gerais, é o movimento que tende a conservar o que existe, avançando muito pouco e gradualmente, em termos de conquistas sociais, mas tudo dentro de um Estado Democrático de Direito, onde as instituições são preservadas e mantidas e onde o imperativo da LEI seja a regra (lembrando que quem faz as leis é o establishment político que está a serviço dos grupos dominantes). O reacionarismo já é o oposto do conservadorismo. O reacionarismo, nem sabe o que quer. Não sabem se querem a VOLTA do que já existiu, num tempo diferente daquele, ou se querem algo que nunca viveram. Quer voltar ao que era, numa sociedade que rompeu com o que foi. Seria como voltar a ser criança, já sendo adulto. Impossível. Mas lutam cegamente por isso. E são capazes das maiores atrocidades em nome desse reacionarismo. O reacionarismo é antidemocrático pois não aceita a ideia do diferente, não aceita a existência de uma minoria; é totalitário; estatista; corporativista e creem numa sociedade em que o Estado e a Religião andam de mãos dadas. Enfim, o reacionarismo anda de mãos dadas com o FASCISMO.

    3. Falsos Profetas

    Hoje, os grupos reacionários estão alocados, em grande parte, dentro de diversas denominações religiosas. Onde um discurso anti-comunista é amplamente difundido. Entretanto, sequer sabem o que vem a ser o que defendem. São massas de manobra. Gado mesmo. Ficam aos berros mandando ir morar em Cuba ou Venezuela, como se estes países fossem comunistas (só porque os regimes se dizem, nominalmente comunista ou socialista sendo que disso só tem o nome. Eu adoraria dar uma aula sobre comunismo para este povo). Não querem aprender. Tem uma aversão ao conhecimento científico. Preferem receber a comida mastigada por seus pastores que mantém alto padrão de vida, enquanto os fiéis amargam a fome, a doença e a precarização das relações de trabalho.

    A defesa cega do governo Bolsonaro e do próprio Bolsonaro em si, que é considerado por muitos líderes religiosos, o enviado de Deus para o Brasil, o “ungido” do SENHOR, aquele que vai levar a nação brasileira a um outro patamar é preocupante (para não dizer outra coisa). Defendem o indefensável, o intolerável.

    Por um lado eu consigo vê-los no espelho invertido. Eles defendem o Bolsonaro com a mesma força com que eu defendia o governo Lula. A diferença é que não ocupo nenhum cargo de liderança religiosa, ou seja, não possuo o poder mudar opinião e muito menos sou um formador de opinião que ocupa um lugar privilegiado, um púlpito. Quando defendia Lula, nos anos 2003 em diante, só tinha como força a lógica do argumento e dos fatos. Hoje, estes líderes religiosos além de possuírem o dom do proselitismo, são excelentes formadores de opiniões e sabem, como ninguém, manipular a Palavra de Deus a seu favor. São possuidores legitimidade intelectual. Para muitos membros, eles são os verdadeiros intérpretes da realidade política e como tal, a sua opinião é alçada à categoria de verdade absoluta. Dessa forma, quem pensa diferente é taxado de infiel, de comunista (?), de ser “petê”, de defender ou possuir bandido de estimação.

    Contudo, não consigo entender como ainda tem gente que não consegue enxergar o óbvio.

    Jair Bolsonaro é um dos políticos mais estúpidos que este país já teve.  É cognitivamente limitado. Intelectualmente incapaz. E, se não bastasse isso, não compreendeu a importância e o rito que o cargo que ocupa representa. Ele não é mais representante de um segmento, como era na época em que foi Deputado Federal. Ele é PRESIDENTE DO BRASIL, Chefe de Estado, Chefe de Governo, Comandante-Em-Chefe das Forças Armadas. Ele é muito estúpido, não tem amor para com o próximo. De sua boca não saem palavras que edificam e está muito menos interessado em dividir o país. Ele quer é dividir o povo, dividir os cristãos, pois é muito mais fácil destruir um povo dividido.

    Agora ele foi alçado à categoria de PROFETA CONTRA A VIOLÊNCIA. Como que um homem que se inspira em Carlos Brilhante Ustra um torturador diabólico), que defende a tese de que  bandido bom é bandido morto (tal como os fariseus fizeram com Jesus), que defende a liberação do porte de arma de fogo, que faz arminha com as mãos, que não nem aí para os mais de 5 mil mortos pode ser um profeta da paz?

    O mais triste é ver gente de coração bom, pessoas que amam verdadeiramente a Cristo, defenderem um ser tão desprezível? Em nome de uma luta contra um COMUNISMO, contra o SOCIALISMO (como se isso fosse uma ameaça real), contra a ESQUERDA (ora, se a esquerda fosse tão forte assim, teria ganho as eleições e seria governo hoje! Vamos pensar gente!

  • O Islamismo – Um resumo

    A península Arábica é uma região inóspita, pouco favorável à sobrevivência humana, devido à predominância de desertos. Por volta de 600 d.C., era habitada por tribos nômades, os beduínos, que viviam do pastoreio, e por tribos que habitavam as cidades, como Medina, Taife e Meca, localizadas na estreita faixa fértil da região oeste. Caravanas de mercadores atravessavam o deserto levando no dorso de camelos especiarias, perfumes, metais preciosos, marfim, seda etc., vindos da Índia, Síria e África. Esses produtos eram comercializados nas grandes cidades.

    Meca era a cidade mais próspera, além de importante centro religioso, pois ali estava a Caaba e um santuário com centenas de estátuas de deuses e deusas árabes. Cada tribo tinha seus ídolos, mas todas adoravam a principal divindade, Alhah, o criador do Universo, e veneravam a Pedra Negra, que os árabes consideram sagrada.

    A partir de 613, Muhammad, um ex-caravaneiro, começou a fazer pregações dizendo-se inspirado pelo anjo Gabriel e enviado por Allah como profeta de uma nova religião: o Islam ou islamismo. Ele condenava o politeísmo árabe e anunciava a salvação eterna àqueles que obedecessem a Allah.

    Os mercadores e autoridades de Meca, para os quais o culto aos ídolos era uma fonte de lucros, não aceitaram o monoteísmo de Muhammad passaram a perseguí-lo. Muhammad fugiu para Medina, “a cidade do profeta”, e ali fundou uma comunidade de fiéis (Ummah) da nova religião, os muçulmanos. Esse episódio, conhecido como Hégira, ocorreu em 622 e é o marco inicial do calendário muçulmano. Anos depois, em 630, Muhammad voltou a Meca, venceu seus inimigos e transformou a cidade no centro religioso do islamismo. Conservou a Caaba e a Pedra Negra, mas destruiu todos os ídolos. Com a morte de Maomé, em 632, o islamismo se difundiu pela Arábia, unindo as tribos em uma única fé e sob um único líder, o califa, sucessor do profeta.

    Após sua morte, seus ensinamentos foram registrados em um livro sagrado, o Corão. O islamismo reúne princípios do judaísmo, do cristianismo e de uma religião persa antiga, o zoroastrismo. Reconhece cinco profetas importantes antes de Muhammad: Adão, Noé, Abraão, Moisés e Jesus.

    O IMPÉRIO ISLÂMICO

    Muhammad ordenou aos seus seguidores que convertessem todos os povos ao islamismo. Prometia aos vitoriosos os bens dos vencidos e o paraíso àqueles que morressem combatendo pelo Islã. Os árabes muçulmanos obedeceram a Maomé e, no mesmo ano da morte do profeta, começaram o jihad, a guerra santa. Encontraram pela frente povos enfraquecidos e desunidos ou dispostos a acolher os invasores para se libertarem de um domínio ainda mais opressivo.

    Os árabes dominaram extensas regiões do Império Bizantino, ocuparam o Império Persa, estenderam suas fronteiras até a Índia e parte da China. Tentaram submeter Constantinopla, mas foram duas vezes repelidos (em 678 e 718). Atravessaram o estreito de Gibraltar ocuparam a Península Ibérica. Planejaram invadir a região correspondente à França atual, mas foram derrotados na batalha de Poitiers (732). Em menos de um século os muçulmanos conquistaram grande parte do que havia sido o antigo Império Romano. Foi uma das expansões mais rápidas da História.

    O poder político e religioso estava inicialmente concentrado tem uma única pessoa: o Califa. Ele exercia a justiça e administrava os negócios do governo imperial. Seu imenso palácio ficava na capital, inicialmente Medina, depois Damasco e mais tarde Bagdá. O Império Islâmico dividia-se em diversas províncias. Com o tempo, algumas delas tornaram-se independentes do califa, como foi o caso da província islâmica da Península Ibérica (Portugal e Espanha), em 756. Contudo, o espírito religioso e a língua mantiveram unidos os árabes de todo o império.

    As cidades eram os principais centros da comunidade muçulmana. Algumas eram enormes para a época. Ali estavam as mesquitas, os palácios, as lojas (os bazares), os armazéns, as oficinas, os banhos públicos, as bibliotecas, as escolas e universidades. Ali chegavam caravanas e navios carregados de mercadorias da Índia, da China, da África e da Europa. No comércio, usavam-se moedas árabes (o dinar) e bizantinas.

    A atividade rural também recebeu atenção do governo islâmico. Foram construídos aquedutos subterrâneos que levavam água até as plantações e aldeias. Os lavradores receberam instrução para preparar diferentes misturas de estrumes para cada cultivo. Plantas das regiões tropicais e subtropicais, como laranja, limão, cana-de-açúcar, algodão, romã e amendoim, foram introduzidas na Península Ibérica.

    A ARTE A CULTURA ISLÂMICA

    Uma das mais importantes contribuições dos árabes muçulmanos para o Ocidente foi a transmissão dos conhecimentos gregos antigos. Sábios árabes traduziram os grandes filósofos, como Aristóteles, os tratados de Medicina de Hipócrates e Galeno e de Geografia de Ptolomeu. Assimilaram também os conhecimentos dos bizantinos, persas, indianos e chineses, introduzindo na Europa algumas invenções desses povos, como a bússola, o astrolábio, o papel e, provavelmente, a pólvora.

    Os árabes descobriram diversas substâncias químicas, como o álcool, o ácido sulfúrico, o alume, o salitre etc. Descreveram os processos químicos da destilação, filtração e sublimação. Fizeram importantes descobertas na Medicina, como a natureza contagiosa da tuberculose, a propagação de doenças pela contaminação da água e do solo, o diagnóstico da varíola e do sarampo e muitas outras. Seus hospitais eram famosos.

    Na Matemática, difundiram o sistema decimal, os chamados algarismos arábicos e o sistema posicional de numeração, com um símbolo para o zero – elementos tomados dos indianos, que usamos até hoje. Essas inovações revolucionaram a matemática, pois permitiam escrever qualquer número e fazer cálculos complexos utilizando apenas dez algarismos.

    Desenvolveram a álgebra, a trigonometria e a geometria com os cálculos de áreas e volumes. A partir da observação do céu e dos astros, que lhes serviam para se orientarem pelo deserto, deixaram importantes estudos sobre estrelas e constelações.

    Construíram observatórios astronômicos em Bagdá, Damasco, Córdoba e Cairo. Calcularam com exatidão a circunferência e o diâmetro da Terra.

    A Península Ibérica, chamada em árabe AI-Andalus, foi um importante centro difusor dos conhecimentos árabes para o restante da Europa. As peças de ferro, cerâmica, vidro, peles e marfim produzidas pelos mouros (como eram chamados os muçulmanos na Espanha) eram muito prestigiadas. Os reis europeus adquiriam com moedas de ouro objetos feitos pelos artesãos árabes, especialmente as famosas espadas de Toledo. Córdoba tornou-se, a partir do século X, a principal cidade do Ocidente.

    Ali conviviam, com relativa tolerância, comunidades de cristãos, muçulmanos e judeus. A cidade possuía setenta bibliotecas, livrarias, escolas e uma universidade. Suas mesquitas e palácios, com magníficas fontes e jardins internos, eram as mais imponentes construções da Europa.

  • O ISLAMISMO – TEXTO DE APROFUNDAMENTO

    O Islamismo é uma religião monoteísta, revelada pelo último profeta. De acordo com a crença Islâmica, Muhammad (Muhammad) foi o último profeta. Ele foi nasceu em Meca, cidade da Arábia Saudita, em 570 d.C.

    A expressão ‘islã’ representa ‘submissão’ e traduz a obediência às regras e aos desejos de Alá. Os que seguem esta doutrina são conhecidos como muçulmanos – os que se submetem a Deus.

    De acordo com os ritos islâmicos, Muhammad obteve das mãos do próprio anjo Gabriel, enviado divino, os preceitos básicos que constituem o Islã – orientações de ordem religiosa, dogmática e moral, organizadas em um livro considerado sagrado pelos muçulmanos, o Corão, que também retrata várias passagens do Antigo Testamento.

    Segundo as narrativas islâmicas, há um único Deus, Alá, e Muhammad foi seu último profeta, enviado para disseminar entre os homens os ensinamentos sagrados, quando este tinha quarenta anos. Com o auxílio da fortuna de sua esposa, Khadija, ele realizou seu apostolado, não sem enfrentar uma forte adversidade. Foi perseguido em sua cidade natal e obrigado a se exilar em Medina, em 20 de junho de 622, episódio que historicamente ficou conhecido como Hégira – emigração, ponto zero do calendário muçulmano até nossos dias.

    O Islamismo condensa influências de várias religiões, além do princípio essencial da revelação divina, congregando elementos legados pelo Judaísmo, como a circuncisão, e possivelmente também o seu teor monoteísta; pela doutrina judaico-cristã, a idéia do Juízo Final; os djinn, gênios do bem ou do mal, herdados de crenças ancestrais. Os preceitos ditados pelo Alcorão são considerados como verdades absolutas, incapazes de conter qualquer falha. Este livro é organizado em 114 suras ou capítulos, dispostos por tamanho, o maior contendo 286 versos. Há uma outra fonte de orientação para os muçulmanos, princípios que partem dos ditos e feitos do Profeta, ou seja, dos ahadith, contidos na Suna.

    O Islã, significativo em seu teor religioso, é também uma doutrina moral e política. Como algumas religiões cristãs, ele também prega a crença no Juízo Final, com sua divisão entre os justos, que irão para o Paraíso, por toda a eternidade, e os maus, que arderão no fogo do inferno para sempre. Mas, ao mesmo tempo, o homem parece não ter escolha entre o bem e o mau, pois as pessoas parecem ter seu destino já traçado por Alá – uma de suas máximas afirma ‘estava escrito’.

    Entre as obrigações dos fiéis do Islamismo estão as orações obrigatórias, cinco vezes ao dia, voltado para Meca; não exercer o culto de imagens, o que para eles representa um ato de idolatria, e visitar Meca pelo menos uma vez na vida. Aliás, esta é uma das cidades sagradas para os muçulmanos, que assim consideram também Medina, onde o Profeta edificou sua primeira mesquita, e Jerusalém, que os islamitas acreditam ser o local de onde Muhammad ascendeu aos céus, na direção do Paraíso, para lá permanecer junto a Jesus e a Moisés.

    Não há um clero islâmico, com uma hierarquia fixa e estabelecida. Quem coordena as orações em público é o imã, enquanto os teólogos cultos são conhecidos como Ulemás. Os muçulmanos realizam suas cerimônias religiosas dentro de templos chamados de mesquitas.

    Há algumas nações islâmicas em que o Governo permite a poligamia, prescrita pelo Corão, e nestes lugares o marido pode se unir a quatro esposas.

    Os muçulmanos formam basicamente dois blocos maiores – Sunitas e Xiitas. Os primeiros subdividem-se em Hanafitas, Malequitas, Chafeitas e Hambanitas. Eles são herdeiros da tradição de Muhammad, que teve continuidade nas mãos de seu tio All-Abbas. Já os Xiitas são discípulos de Ali, marido de Fátima, filha do Profeta; consideram-se os sucessores espirituais de Muhammad.

    Esta religião tem crescido muito nos últimos tempos, é agora a segunda maior do Planeta. Seus seguidores já ultrapassam a casa dos 1.2 bilhões, com grande parte de seus discípulos localizada nos países árabes do Oriente Médio e do Norte da África.

    Alguns dos preceitos religiosos islâmicos estão traduzidos na Sharia, que guia os muçulmanos mais radicais no seu dia-a-dia, no comportamento, nas ações e na alimentação. Também impõe penas brutais para desvios ou atitudes consideradas incorretas perante o Alcorão. Por exemplo, o roubo é punido com o amputamento das mãos; questionar o Alcorão ou Muhammad, ser homossexual ou mudar de religião são crimes punidos com a morte (apedrejamento, fuzilamento, etc.). A Sharia ainda autoriza o casamento de meninas a partir dos 9 anos de idade, determina a mutilação do clitóris, proíbe que as mulheres testemunhem contra homens em casos de estupro, incentiva a Taqiyya (a propagação de mentiras e contra-informação, desde que isso contribua para a causa do Islã) entre muitas outras ações.

  • O Século XIX

    O século XIX (de 1801 a 1900) foi um período histórico marcado pelo colapso dos impérios da Espanha, China, França, Sacro Império Romano-Germânico e Mogol. O século também testemunhou o crescimento da influência dos impérios Britânico, Russo, Alemão, Japonês, e dos Estados Unidos, estimulando conflitos militares, mas também avanços científicos e de exploração. Depois da derrota do Império Francês em 1815 (Napoleão morreu em 1821 na Ilha de Santa Helena) e seus aliados nas Guerras Napoleônicas (As Guerras Napoleônicas revolucionaram os exércitos e táticas das nações da Europa, com grandes tropas sendo deslocadas para o combate de forma nunca antes vista no continente) o Império Britânico adquiriu a supremacia mundial, passando a controlar um quarto da população e um quinto do território mundial.

    Aplicando a Pax Britannica, incentivou o comércio, e lutou contra a pirataria. O século XIX foi uma era de invenções e descobertas, com significante desenvolvimento nos campos da matemática, física, química, biologia, eletricidade e metalurgia, lançando as bases para os avanços tecnológicos do século XX. A Revolução Industrial começou na Inglaterra.

    A Era Vitoriana (A era vitoriana no Reino Unido foi o período do reinado da rainha Vitória, em meados do século XIX, de junho de 1837 a janeiro de 1901) foi afamada pelo emprego de jovens crianças em fábricas e minas, além de valores morais rígidos. O Japão embarcou num programa de rápida modernização após a Restauração Meiji, antes de derrotar a China, sob a Dinastia Qing, na primeira Guerra Sino-Japonesa.

    Avanços medicinais, o conhecimento da anatomia humana e a prevenção de doenças que ocorreram no século XIX, foram responsáveis pela rápida aceleração do crescimento populacional no Hemisfério Ocidental. A população europeia dobrou durante o século XIX, de cerca de 200 milhões para mais de 400 milhões.

    A introdução de ferrovias, o primeiro grande avanço no transporte terrestre por séculos, melhorou o modo de vida das pessoas e favoreceu os grandes movimentos de urbanização nos países ao redor do globo.

    Várias cidades ultrapassaram populações de um milhão ou mais, durante esse século. Londres transformou-se na maior cidade do mundo e na capital do Império Britânico. A sua população expandiu de 1 milhão, em 1800, para 6,7 milhões até o final do século.

    Os territórios que restavam não descobertos, incluindo as vastas extensões do interior da África e Ásia, foram descobertos durante esse século. No entanto, o mesmo não ocorreu com zonas extremas do Ártico e da Antártida. Em 1890, havia precisos e detalhados mapas do globo.

    O liberalismo tornou-se o movimento de reforma proeminente na Europa. A escravidão ou escravatura foi grandemente reduzida ao redor do mundo após o sucesso da Revolta Escrava no Haiti. A Inglaterra forçou bárbaros piratas a parar com as suas práticas de sequestro e escravismo, banindo a escravidão em todo seu domínio, além de cobrar que a sua marinha encerrasse com o comércio global de escravos. Os Estados Unidos, após a sua Guerra Civil, aboliram a escravidão em 1865. A escravidão brasileira foi abolida em 1888. E a servidão foi abolida na Rússia.

    O século XIX também viu a rápida criação e desenvolvimento de muitos desportos, particularmente na Inglaterra e nos Estados Unidos.

    Assim como o futebol, rúgbi e o beisebol, muitos outros desportes foram desenvolvidos durante esse período, enquanto o Império Britânico facilitou a propagação rápida de desportos como o críquete para diferentes partes do mundo.

    O Imperialismo do século XIX consistiu num tipo de política expansionista das principais nações europeias, que tinha por objetivo a busca de mercado consumidor, de mão de obra barata e de matérias-primas para o desenvolvimento das indústrias. Esse fenômeno de expansão dos países europeus teve início a partir do momento em que, após as Revoluções Burguesas dos séculos XVII e XVIII e da formação das nações modernas na Europa (como Alemanha, Itália e França), houve um intenso processo de industrialização desses países.

    A industrialização gerou, por conseguinte, uma forte concorrência entre as nações, que passaram a disputar territórios e estabelecer as suas fronteiras com exércitos modernizados e uma sofisticada diplomacia.

    Esse processo acentuou gradualmente o caráter nacionalista dos países europeus. Ao mesmo tempo, a industrialização também exigia uma integração econômica nunca antes vista.

    O capital gerado pela indústria, isto é, toda a riqueza do processo de produção – desde maquinários até produtos para consumo –, precisava de crédito e de sustentação financeira. Os setores do capital financeiro (bancos e bolsas de valores) passaram a se integrar com o setor das indústrias, criando assim maneiras de estruturar a complexidade da economia mundial integrada.

    E, assim como nos séculos XV, XVI e XVII, nos quais nações europeias como Portugal e Espanha promoveram a colonização do continente americano (e dessas colônias extraíram matérias-primas e nelas desenvolveram sistemas de organização política e administrativa), as nações imperialistas industrializadas do século XIX promoveram a colonização de regiões da África, da Ásia e da Oceania. O processo de expansão para essas regiões foi marcado por várias tensões e guerras. A África, por exemplo, teve seu território dividido nesta época entre as nações europeias, num evento denominado Conferência de Berlim, ocorrido em novembro de 1884. Essa divisão caracterizou-se pela completa arbitrariedade, tribos africanas inteiras foram desagregadas com a divisão, enquanto que algumas se mesclaram com outras que eram suas rivais históricas. A Inglaterra, nessa época, ficou conhecida como o grande Império “onde o Sol não se põe”, exatamente por conta de sua vasta expansão, que integrava grandes países, como a Índia e a Austrália.

    O Imperialismo chegou ao seu ponto de saturação no início do século XX, quando as tensões nacionalistas se tornaram mais veementes. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) é fruto direto dessa saturação.

    O liberalismo

    Em meio às transformações sociopolíticas da Era das Revoluções, duas correntes de pensa­mento fermentaram as atuações nos séculos XIX e XX: o liberalismo e o socialismo. Entre os pensadores liberais destacaram-se Malthus e Ricardo, herdeiros da economia polí­tica de Adam Smith. Malthus ficou conhecido por afirmar que o cres­cimento da população ocorreria em progressão geométrica, enquanto o crescimento da produ­ção de alimentos ocorreria em progressão arit­mética, o que resultaria em pobreza e fome gene­ralizadas. A saída seria negar assistência às po­pulações pobres e induzi-las à abstinência sexual. Ricardo defendia a “lei férrea dos salários”, garantindo a ordem produtiva e a sujeição trabalhista.

    Os socialismos

    As ideias voltadas para o social organizavam-se basicamente nas seguintes correntes: socialis­mo utópico, doutrina social da Igreja (socialis­mo cristão), anarquismo e marxismo (socialis­mo científico).

    Entre os utópicos estavam Saint-Simon, Fourier (defendendo os falanstérios) e Robert Owen (defensor das cooperativas).

    Na doutrina social da Igreja destaca-se a encí­clica Rerum Novarum, de Leão XIII, defendendo entendimentos entre burgueses e operários.

    No anarquismo, o principal nome foi Mikhail Bakunin, com suas propostas radicais de atua­ções terroristas, como a destruição do Estado.

    No socialismo marxista, os líderes foram Karl Marx e Fricdrich Engels. O marxismo Marx e Engels defendiam como princípios cen­trais do socialismo científico: o materialismo dialético, a luta de classes, a mais-valia e a revo­lução socialista. No marxismo, o socialismo representaria uma transição entre o capitalismo e o comunismo.

    Os movimentos trabalhistas

    Os trade-unions e o ativismo reivindicatório e contestatório (Carthismo) contribuíram para as iniciativas em prol da organização dos trabalha­dores de forma internacional.

    A I Internacional foi fundada em Londres, em 1864, e caracterizou-se pelos confrontos entre marxistas e anarquistas, desaparecendo 12 anos depois.

    A II Internacional (1889) foi baseada principal­mente no ideal de alcançar o socialismo lenta­mente, via eleições, apesar da oposição de Rosa Luxemburgo e Lênin.

    A III Internacional (1919) teve por base a revo­lução bolchevique russa de 1917, liderando e es­timulando o surgimento dos partidos comunistas por quase todos os demais países da Europa, da Ásia e da América.

  • Danton – O Processo da Revolução

    Danton – O Processo da Revolução

    Logo no comeco do filme:

    • Os fiscais estavam com o barrete frigio vermelho na cabeca (simbolo da revolucao)

    • Danton passa numa carroca e olha atentamene para a Guilhotina que esta suja de sangue

    • a crianca despida (a nova franca advinda da revolucao) diante da mae (revolucao) eh obrigada a recitar versos da Declaracao Universal dos Direitos do Homem, quando nao o faz de forma correta sofre punicao pela mae. Ou seja, a crianca representa a nova Franca que, se nao seguir os tracos correto podem ser corrigidos pelos seus lideres

    • ao abrir as cortinas, a mae, traz luz.

    • uma pessoa que passa a pe na fila do pao, estava a caminho da guilhotina

    • Danton é um grande lider popular

    • Os escritos de Danton sao uma afronta aos intresses de Robespierre, que representa o governo revolucionario. Ou seja, Danton é mais revolucionario ainda.

    • Saudacoes e Fraternidade

    • destruiram a grafica onde os impressos de Danton estavam sendo impressos. Onde esta a liberdade de expressao?

    • Enquanto o povo sofre com a pobreza, falta de pao, Robespierre se da ao luxe de ter barbeiros e de se produzir luxuosamente. Contrario ao que estava passando o povo. Isso que Danton questionava.

    • Desmolious é um aliado de Danton. Mas mais radical ainda.

    • A nova elite passou a tratar o povo comum da mesma forma que era tratado pela nobreza antes.

    • Na assembleia, é visivel que o lado direito é mais vazio que o esquerdo.

    • Pelo pais se faz qualquer coisa. Ou seja, eles (o governo da convencao) acham que a vontade deles é a correta e fazem qualquer coisa para manter-se no poder.

    • Todo individual excepcional é superior å massa. (Danton)

    • Aviso a Robespierre: separados cairemos os dois.

    • Danton se vangloria por ter o verdadeiro poder: o da rua.

    • Passam por cima da lei para fazer fazer a valer a vontade deles

    • O processo a que Danton foi submetido era um processo politico que tem uma mecanica diferente do processo judicia. No processo politico, os que dominam o poder 


    Resenha

    Fonte: Fonte: http://www.planocritico.com/critica-danton-o-processo-da-revolucao/

    A principal característica da filmografia de Andrzej Wajda são as constantes críticas à opressão e governos totalitaristas, algo que pode ser verificado no ótimo O Homem de Ferro. Mesmo em sua fase francesa, o diretor não abandonou seus ideais e nos presenteia com Danton- O Processo da Revolução, uma obra que, além de fazer essas críticas, apresenta o embate ideológico entre dois personagens importantes da revolução francesa.


    A obra mostra Danton (Gérard Depardieu), um dos líderes da revolução, que enfrenta o governo na tentativa de mudar a situação. Confiando no apoio popular, ele entra em choque com Robespierre (Wojciech Pszoniak), seu antigo aliado, mas acaba sendo levado a julgamento.

    O filme inicia 11 anos após a revolução francesa, a república já está estabelecida e a democracia é feita através dos comitês. Apesar de parecer um cenário promissor, Wajda, inteligentemente, logo na primeira cena, insere o tom de sua obra, mostrando uma carruagem aproximando-se da entrada de Paris e sendo abordada por guardas, enquanto a paleta de cores escura ressalta como o clima na França é de terror. Esse ambiente inseguro e de vigilância serve de motor para a trama. Portanto, vemos Danton questionando as decisões do governo enquanto Robespierre defende o país a qualquer custo, servindo para exemplificar os dois lados naquela disputa, o do povo e o dos governantes.

    Além do confronto ideológico sobre o futuro da França, Danton e Robespierre mostram duas visões opostas entre os revolucionários, a que ainda se importa com o povo e outra que se deslumbrou completamente com o poder. Aliás, o longa adquire um tom crítico com relação àqueles governantes, destacando como passaram a tomar atitudes que antes condenavam sobre o pretexto de ser pelo bem da nação. Portanto, as mesmas pessoas que condenavam os privilégios da elite moram em casas enormes e luxuosas, desfrutando do bom e do melhor, enquanto os cidadãos precisam passar horas na fila do pão, medida adotada pelos governantes para frear as manifestações contra-revolucionários, que eles dizem ser “contra o povo”, ou será contra seus interesses?

    Mais do que mostrar o deslumbramento que alguns revolucionistas tiveram com o poder, o roteiro, escrito por Jean-Claude Cirrière, Jacek Gasiorowski, Agnieszka Holland e Andrezj Wajda,  é perfeito em destacar como os ideais que motivaram a revolução francesa,  liberdade, igualdade e fraternidade, foram ignorados por estas mesmas pessoas que lutaram por eles anos antes. Há uma cena, por exemplo, onde uma gráfica é destruída porque os jornais impressos ali continham artigos anti-governo, representando a quebra da liberdade. Já o fim da igualdade pode ser visto quando Danton é julgado, uma vez que, não é concedido a ele os direitos previstos na lei, sem contar que o júri é manipulado para condená-lo. Por fim, a partir do momento que Robespierre diz que não pretende agir para dar felicidade às ruas fica claro que fraternidade também não é um dos objetivos dos governantes.

    Além do ótimo roteiro, o embate entre Danton e Robespierre funciona graças a grandes atuações de Gérard Depardieu e Wojciech Pszoniak e ambos conseguem transmitir com precisão a essência de seus personagens. Depardieu traz uma composição mais eloquente, mais gesticulada, mostrando o pouco refinamento de Danton e como ele assemelha-se mais com o povo do que com os governantes. Já Pszoniak mostra-se mais contido em seu papel, mas transmite em Robespierre um olhar de superioridade, demonstrando através de suas falas firmes que irá até o limite para conseguir o que quer.

    Tecnicamente o filme é extremamente eficiente em recriar o início do século XIX, através de cenários e locações que evocam com eficiência o período. O mesmo pode ser dito para o figurino que, além de representar a época, cria contrastes entre os personagens, deixando Robespierre intimidador com seu casaco preto e Danton acolhedor com sua larga manta marrom. Já a trilha sonora mostra-se extremamente melancólica e pessimista, ressaltando como, apesar do sucesso da revolução, o futuro no país não é promissor.

    A direção de Wajda opta aqui por usar vários planos médios e planos gerais, visando enquadrar mais de um personagem e assim valorizar o misancene. O diretor traz ainda alguns travellings laterais que servem para dinamizar determinados momentos e transmitir informações, como na cena em que Robespierre é questionado por seus colegas e a câmera lentamente o desloca do lado esquerdo para o centro  do quadro, destacando como ele comanda aquele ambiente.

    Conhecido por suas obras que se opõe ao totalitarismo, Wajda alcança aqui o auge de sua carreira, com uma obra que mostra como governos, por mais bem intencionados que sejam, podem se corromper facilmente com o poder. Além disso, fica claro aqui que o discurso populista e que se diz á favor da população, as vezes, não passa de uma fala para defender benefícios próprios.

    Danton – O Processo da Revolução (Danton) – França, Polônia, Alemanha, 1982
    Direção: Andrzej Wajda
    Roteiro: Jean-Claude Cirrière, Jacek Gasiorowski, Agnieszka Holland, Andrezj Wajda
    Elenco: Gérard Depardieu, Wojciech Pszoniak, Anne Alvaro, Roland Blanche, Patrice Chéreau, Emmanuelle Debever, Krzysztof Globisz, Ronald Guttman, Gérard Hardy, Tadeusz Huk, Stéphane Jobert, Marian Kociniak
    Duração: 136 min

    Fonte: http://www.planocritico.com/critica-danton-o-processo-da-revolucao/

  • “Vagabundo” não é quem faz greve. É quem se nega a estudar História

    Leonardo Sakamoto – Direitos que você tem hoje, como aposentadoria, férias, 13o salário, limite de jornada de trabalho, descanso aos finais de semana, piso de remuneração, proibição do trabalho infantil, licença maternidade não foram concessões vindas do céu. Mas custaram o suor e o sangue de muita gente através de diálogos e debates, demandas e reivindicações, paralisações e greves, não só no Brasil, mas em todo o mundo.


    É função de empregadores e políticos fazerem parecer que foram eles que, generosamente, ofereceram direitos. E função da História contada pelos vencedores registrar isso como fato inquestionável, retirando do povo, a massa muitas vezes amorfa e sem rosto, o registro dessas vitórias.

    Desde que as Reformas da Previdência e Trabalhista foram apresentadas, o governo federal teve que ceder em alguns pontos devido à pressão social. Foram poucos, sem dúvida. Mas isso beneficiou desde o trabalhador assalariado que vê a vida passar do sofá da sala, chamando de ”comunistas” todos que reclamam das reformas, até aqueles que resolvem ir à luta. Sim, ironicamente muita gente se beneficia do resultado obtido por aqueles que costumava xingar.


    Não é de hoje que, na tentativa de menosprezar uma reivindicação de trabalhadores, nega-se a eles exatamente essa identificação. Afirma-se que quem entra em greve não é trabalhador porque, naquele momento, não está trabalhando. Aplicando essa lógica absurda a outros exemplos, quem viajar para fora do Brasil deixaria de ser brasileiro.

    Ou seja, nessa lógica, o trabalhador só merece ser tratado como produtivo à sociedade se estiver sempre trabalhando. Caso exerça seu direito, previsto na Constituição, de parar para protestar, torna-se o oposto – que, numa concepção distorcida significa preguiça e indolência.

    É paradigmático, portanto, que o prefeito de São Paulo, João Doria, tenha chamado grevistas de ”vagabundos” na manhã desta sexta (28). Ele, que defende as Reformas da Previdência e Trabalhista, tem criticado duramente o movimento. Afirmou que, “neste confronto, só a população que trabalha, que é honesta, é quem perde”.

    Ele tem todo o direito a ter sua opinião e a expressa-la quando quiser. Mas também temos a liberdade de lembrar que, durante muito tempo, a polícia exigiu a carteira de trabalho para definir se alguém era ”uma pessoa de bem” por aqui.

    A caracterização como ”vagabundos” daqueles que resolvem cruzar os braços e protestar por direitos não é nova e nem foi inventada por políticos brasileiros.

    Quem visita a cidade de Chicago, nos Estados Unidos, encontra uma frase gravada em um monumento: ”Chegará o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso do que as vozes que vocês estrangularam hoje”. Ele foi erguido em memória de uma greve que começou no dia Primeiro de Maio de 1886, exigindo a redução da jornada de trabalho para oito horas por dia, tocada por trabalhadores que foram chamados de vagabundos. Resultado: a polícia abriu fogo contra a multidão, mas a data foi escolhida para ser um dia de luta em todo o mundo por condições melhores de vida. Menos nos Estados Unidos, em que o Labor Day é na primeira segunda de setembro.

    Só o trabalho gera riqueza. E o silêncio de trabalhadores, que se reconhecem como tais, percebem a injustiça que, muitas vezes, recai sobre eles e resolvem cruzar os braços, não apenas aumentou salários ou criou aposentadorias, mas já ajudou a derrubar regimes, a democratizar países, a mudar o rumo da história.

    Mahatma Gandhi pediu para que trabalhadores cruzassem os braços e entrassem em greve, não por melhores salários, mas pela independência da Índia junto ao Reino Unido. Martin Luther King fez o mesmo pelo direitos civis de mulheres e homens negros diante do racismo institucionalizado nos EUA. É dele a frase: ”a greve, no fundo, é a linguagem dos que não são ouvidos”.

    Nelson Mandela foi chamado de vagabundo por querer que a África do Sul parasse contra o apartheid. A paralisação das operárias russas contra a fome e contra a participação do país na Primeira Guerra precipitou os acontecimentos que desencadearam a queda do regime imperial em 1917. Esse povo não protestou apenas em finais de semana e feriados, ou seja, em seu ”tempo livre”.

    Quero comparar essas figuras citadas com nossos líderes nacionais? Nunca, seria um crime histórico. O que discute-se aqui é até que ponto somos capazes de furar a programação que nos foi incutida, de criminalizar quem cruza os braços. Você pode discordar da greve. Mas não julgue alguém que concorda sem subsídios para tanto.


    Manifestações que questionam a desigualdade e a injustiça social, mais do que a política em si, tendem a ser reprimidas pela força pública. São vistas como subversivas. As ”ordeiras”, que não mexem com a estrutura econômica e social do país, não. Têm direito até a catracas de metrô liberadas.

    Tudo isso acaba por criar uma ”nova língua”. Paulo Mathias, prefeito regional de Pinheiros, município de São Paulo, gravou um vídeo mostrando que trabalhadores iriam dormir nas dependências do prédio para trabalharem nesta sexta de greve geral. Nele, diante de trabalhadores visivelmente constrangidos, afirmou: ”Sou a favor do direito à greve, mas não em dia de trabalho.” Foi parabenizado pelo chefe.

    O que ele disse é equivalente a pedir X-burguer sem queijo ou um cachorro-quente sem salsicha.

    Temos diversas formas de silêncio. O poder não está no silêncio das bocas fechadas que aceitam as coisas como elas são porque acreditam que nada pode mudar e que ficam felizes se ganharam uma TV do sindicato pelego no feriado.

    Mas dos braços parados que se negam a produzir riqueza sem que um diálogo aberto e franco com os empregadores seja estabelecido. Trabalhadores são fortes. Pena que se esquecem disso

    (Fonte: http://www.contraponto.blog.br/artigos/571/vagabundo-nao-e-quem-faz-greve-e-quem-se-nega-estudar-historia)

  • A Revolução Francesa – Um Resumo

    A Revolução Francesa, que ocorreu no ano de 1789, é o evento que, segundo alguns autores, inaugura a chamada Idade Contemporânea. Os historiadores do século XIX, que fizeram a linha divisória da História, imputaram a este acontecimento o caráter de marco divisor entre a Idade Moderna e a Contemporânea, por conta da radicalização política que o caracterizou. Para se entender a Revolução Francesa é necessário conhecer um pouco da situação econômica e social da França do século XVIII.


    Até o século XVIII, a França era um estado em que vigia o modelo do absolutismo monárquico. O então rei francês, Luís XVI, personificava o Estado, reunindo em sua pessoa os poderes legislativo, executivo e judiciário. Os franceses então não eram cidadãos de um Estado Democrático Constitucional, como hoje é comum em todo o mundo ocidental, mas eram súditos do rei. O rei personificava o Estado.

    Dentro da estrutura do Estado Absolutista, havia três diferentes estados nos quais a população se enquadrava: o primeiro estado era representado pelos bispos do Alto Clero; o segundo estado tinha como representantes a nobreza, ou a aristocracia francesa – que desempenhava funções militares (nobreza de espada) ou funções jurídicas (nobreza de toga); o terceiro estado, por sua vez, era representado pela burguesia, que se dividia entre membros do Baixo Clero, comerciantes, banqueiros, empresários, os sans-cullotes (“sem calções”), trabalhadores urbanos, e os camponeses, totalizando cerca de 97% da população.

    Ao longo da segunda metade do século XVIII, a França se envolveu em inúmeras guerras, como a Guerra do Sete Anos (1756-1763), contra a Inglaterra, e o auxílio dado aos Estados Unidos na Guerra de Independência (1776). Ao mesmo tempo, a Corte absolutista francesa, que possuía um alto custo de vida, era financiada pelo estado, que, por sua vez, já gastava bastante seu orçamento com a burocracia que o mantinha em funcionamento. Soma-se a essa atmosfera duas crises que a França teria que enfrentar: 1) uma crise no campo, em razão das péssimas colheitas das décadas de 1770 e 1780, o que gerou uma inflação 62%; e 2) uma crise financeira, derivada da dívida pública que se acumulava, sobretudo pela falta de modernização econômica – principalmente a falta de investimento no setor industrial.

    Os membros do terceiro estado (muitos deles influenciados pelo pensamento iluminista e pelos panfletos que propagavam as ideias de liberdade e igualdade, disseminados entre a população) passaram a ser os mais afetados pela crise. No fim da década de 1780, a burguesia, os trabalhadores urbanos e os camponeses começaram a exigir uma resposta do rei e da Corte à crise que os afetava, bem como passaram a reivindicar direitos mais amplos e maior representação dentro da estrutura política francesa. Em julho de 1788, houve a convocação dos Estados Gerais, isto é, uma reunião para deliberação sobre assuntos relacionados à situação política da França. Nesta convocação, o conflito entre os interesses do terceiro estado e os da nobreza e do Alto Clero, que apoiavam o rei, se acirraram. O rei então estabeleceu a Assembleia dos Estados Gerais em 5 de maio de 1789, com o objetivo de decidir pelo voto os rumos do país. Entretanto, os votos eram por representação de estado. Sendo assim, sempre o resultado seria dois votos contra um, ou seja: primeiro e segundo estados contra o terceiro. Fato que despertou a indignação de burgueses e trabalhadores.

    A burguesia, que liderava o terceiro estado, propôs em 10 de junho uma Assembleia Nacional, isto é, uma assembleia para se formular uma nova constituição para a França. Essa proposta não obteve resposta por parte do rei, da nobreza e do Alto Clero. Em 17 de junho, burgueses, trabalhadores e demais membros do terceiro estado se declararam em reunião para formulação de uma constituição, mesmo sem a resposta do primeiro e do segundo estado. Ao mesmo tempo, começava um levante popular em Paris e outro entre os camponeses. A Revolução se iniciou.

    Em 14 de julho de 1789, a massa de populares tomou a Bastilha, a prisão que era símbolo do Antigo Regime e, em 4 de agosto, a Assembleia Nacional instituiu uma série de decretos que, dentre outras coisas, cortava os privilégios da nobreza, como a isenção de impostos e o monopólio sobre terras cultiváveis. A Assembleia instituiu a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, que reivindicava a condição de cidadãos aos franceses e não mais de súditos do rei. Em setembro de 1791 foi promulgada a nova constituição francesa, assegurando a cidadania para todos e pressionando o monarca Luís XVI a aceitar os seus critérios. Essa constituição previa ainda a igualdade de todos perante a lei, o voto censitário, a confiscação das terras eclesiásticas, o fim do dízimo, a constituição civil do clero, dentre outros pontos. A partir deste momento, a França revolucionária esboçou o seu primeiro tipo de novo governo, a Monarquia Constitucional, que durou de 1791 a 1792.

    A ala mais radical da Revolução, os jacobinos (que haviam participado da Assembleia Constituinte, sentando-se à esquerda do plenário e opondo-se aos girondinos que se posicionavam à direita), defendiam uma ampliação da perspectiva revolucionária, cuja proposta era não se submeter às decisões da alta burguesia, que se articulava com a nobreza e o monarca. Os jacobinos queriam radicalizar a pressão contra os nobres e o clero, e instituir uma República Revolucionária, sem nenhum resquício da Monarquia.

    Prevendo a ameaça que vinha dos rumos que a Revolução tomava, o rei Luís XVI articulou um levante contra-revolucionário com o apoio das monarquia austríaca e prussiana. Em 1792, a Áustria invadiu a França e essa declarou guerra àquela. A população parisiense, após saber dos planos do rei, invadiu o palácio real de Tulleries e prendeu o rei e sua família. O Rei e sua esposa, Maria Antonieta, tiveram suas cabeças decepadas pela guilhotina em 1793 e a Monarquia Constitucional chegou ao seu fim no mesmo ano.

    Com o fim da Monarquia Constitucional, houve também a dissolução da Assembleia Constituinte e a Convenção Nacional de um novo parlamento. O período da convenção se caracterizou pela forte presença do radicalismo jacobino comandando a Revolução, momento que se tornou conhecido como a fase do Terror (sobretudo por conta do uso indiscriminado da guilhotina como máquina da morte). Nomes como Robespierre, Saint-Just e Danton figuram entre os principais líderes jacobinos. Foi neste período também que a Áustria e Prússia prosseguiram sua guerra contra a França, temendo que a Revolução se espalhasse por seus territórios. No processo de confronto contra essas duas monarquias, nasceu o exército nacional francês, isto é: um exército que, pela primeira vez, não era composto de mercenários e aristocratas, mas do povo de uma nação que se via como nação.

    Em 1795, a burguesia conseguiu retomar o poder e, através de uma nova constituição, instituir uma nova fase à Revolução, chamada o Diretório, órgão composto por cinco membros indicados pelos deputados. Mas a partir deste mesmo ano a crise social se tornou muito ampla na França, o que exigiu um contorno político mais eficaz, sob pena da volta da radicalização jacobina.

    Um dos mais jovens e destacados generais da Revolução, Napoleão Bonaparte, era o nome esperado pela burguesia para dar ordem à situação política francesa. Em 1799, ao regressar do Egito à França, Napoleão encontrou um cenário conspiratório contra o governo do Diretório. Foi neste cenário que ele passou a figurar como ditador, inicialmente, dando o golpe de 18 de Brumário (segundo o calendário revolucionário), e depois como imperador da França. O Período Napoleônico durou de 1800 a 1815 e mudou o cenário político do continente europeu, ao passo que expandiu o ideal nacionalista para várias regiões do mundo.