O século XIX (de 1801 a 1900) foi um período histórico marcado pelo colapso dos impérios da Espanha, China, França, Sacro Império Romano-Germânico e Mogol. O século também testemunhou o crescimento da influência dos impérios Britânico, Russo, Alemão, Japonês, e dos Estados Unidos, estimulando conflitos militares, mas também avanços científicos e de exploração. Depois da derrota do Império Francês em 1815 (Napoleão morreu em 1821 na Ilha de Santa Helena) e seus aliados nas Guerras Napoleônicas (As Guerras Napoleônicas revolucionaram os exércitos e táticas das nações da Europa, com grandes tropas sendo deslocadas para o combate de forma nunca antes vista no continente) o Império Britânico adquiriu a supremacia mundial, passando a controlar um quarto da população e um quinto do território mundial.
Aplicando a Pax Britannica, incentivou o comércio, e lutou contra a pirataria. O século XIX foi uma era de invenções e descobertas, com significante desenvolvimento nos campos da matemática, física, química, biologia, eletricidade e metalurgia, lançando as bases para os avanços tecnológicos do século XX. A Revolução Industrial começou na Inglaterra.
A Era Vitoriana (A era vitoriana no Reino Unido foi o período do reinado da rainha Vitória, em meados do século XIX, de junho de 1837 a janeiro de 1901) foi afamada pelo emprego de jovens crianças em fábricas e minas, além de valores morais rígidos. O Japão embarcou num programa de rápida modernização após a Restauração Meiji, antes de derrotar a China, sob a Dinastia Qing, na primeira Guerra Sino-Japonesa.
Avanços medicinais, o conhecimento da anatomia humana e a prevenção de doenças que ocorreram no século XIX, foram responsáveis pela rápida aceleração do crescimento populacional no Hemisfério Ocidental. A população europeia dobrou durante o século XIX, de cerca de 200 milhões para mais de 400 milhões.
A introdução de ferrovias, o primeiro grande avanço no transporte terrestre por séculos, melhorou o modo de vida das pessoas e favoreceu os grandes movimentos de urbanização nos países ao redor do globo.
Várias cidades ultrapassaram populações de um milhão ou mais, durante esse século. Londres transformou-se na maior cidade do mundo e na capital do Império Britânico. A sua população expandiu de 1 milhão, em 1800, para 6,7 milhões até o final do século.
Os territórios que restavam não descobertos, incluindo as vastas extensões do interior da África e Ásia, foram descobertos durante esse século. No entanto, o mesmo não ocorreu com zonas extremas do Ártico e da Antártida. Em 1890, havia precisos e detalhados mapas do globo.
O liberalismo tornou-se o movimento de reforma proeminente na Europa. A escravidão ou escravatura foi grandemente reduzida ao redor do mundo após o sucesso da Revolta Escrava no Haiti. A Inglaterra forçou bárbaros piratas a parar com as suas práticas de sequestro e escravismo, banindo a escravidão em todo seu domínio, além de cobrar que a sua marinha encerrasse com o comércio global de escravos. Os Estados Unidos, após a sua Guerra Civil, aboliram a escravidão em 1865. A escravidão brasileira foi abolida em 1888. E a servidão foi abolida na Rússia.
O século XIX também viu a rápida criação e desenvolvimento de muitos desportos, particularmente na Inglaterra e nos Estados Unidos.
Assim como o futebol, rúgbi e o beisebol, muitos outros desportes foram desenvolvidos durante esse período, enquanto o Império Britânico facilitou a propagação rápida de desportos como o críquete para diferentes partes do mundo.
O Imperialismo do século XIX consistiu num tipo de política expansionista das principais nações europeias, que tinha por objetivo a busca de mercado consumidor, de mão de obra barata e de matérias-primas para o desenvolvimento das indústrias. Esse fenômeno de expansão dos países europeus teve início a partir do momento em que, após as Revoluções Burguesas dos séculos XVII e XVIII e da formação das nações modernas na Europa (como Alemanha, Itália e França), houve um intenso processo de industrialização desses países.
A industrialização gerou, por conseguinte, uma forte concorrência entre as nações, que passaram a disputar territórios e estabelecer as suas fronteiras com exércitos modernizados e uma sofisticada diplomacia.
Esse processo acentuou gradualmente o caráter nacionalista dos países europeus. Ao mesmo tempo, a industrialização também exigia uma integração econômica nunca antes vista.
O capital gerado pela indústria, isto é, toda a riqueza do processo de produção – desde maquinários até produtos para consumo –, precisava de crédito e de sustentação financeira. Os setores do capital financeiro (bancos e bolsas de valores) passaram a se integrar com o setor das indústrias, criando assim maneiras de estruturar a complexidade da economia mundial integrada.
E, assim como nos séculos XV, XVI e XVII, nos quais nações europeias como Portugal e Espanha promoveram a colonização do continente americano (e dessas colônias extraíram matérias-primas e nelas desenvolveram sistemas de organização política e administrativa), as nações imperialistas industrializadas do século XIX promoveram a colonização de regiões da África, da Ásia e da Oceania. O processo de expansão para essas regiões foi marcado por várias tensões e guerras. A África, por exemplo, teve seu território dividido nesta época entre as nações europeias, num evento denominado Conferência de Berlim, ocorrido em novembro de 1884. Essa divisão caracterizou-se pela completa arbitrariedade, tribos africanas inteiras foram desagregadas com a divisão, enquanto que algumas se mesclaram com outras que eram suas rivais históricas. A Inglaterra, nessa época, ficou conhecida como o grande Império “onde o Sol não se põe”, exatamente por conta de sua vasta expansão, que integrava grandes países, como a Índia e a Austrália.
O Imperialismo chegou ao seu ponto de saturação no início do século XX, quando as tensões nacionalistas se tornaram mais veementes. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) é fruto direto dessa saturação.
O liberalismo
Em meio às transformações sociopolíticas da Era das Revoluções, duas correntes de pensamento fermentaram as atuações nos séculos XIX e XX: o liberalismo e o socialismo. Entre os pensadores liberais destacaram-se Malthus e Ricardo, herdeiros da economia política de Adam Smith. Malthus ficou conhecido por afirmar que o crescimento da população ocorreria em progressão geométrica, enquanto o crescimento da produção de alimentos ocorreria em progressão aritmética, o que resultaria em pobreza e fome generalizadas. A saída seria negar assistência às populações pobres e induzi-las à abstinência sexual. Ricardo defendia a “lei férrea dos salários”, garantindo a ordem produtiva e a sujeição trabalhista.
Os socialismos
As ideias voltadas para o social organizavam-se basicamente nas seguintes correntes: socialismo utópico, doutrina social da Igreja (socialismo cristão), anarquismo e marxismo (socialismo científico).
Entre os utópicos estavam Saint-Simon, Fourier (defendendo os falanstérios) e Robert Owen (defensor das cooperativas).
Na doutrina social da Igreja destaca-se a encíclica Rerum Novarum, de Leão XIII, defendendo entendimentos entre burgueses e operários.
No anarquismo, o principal nome foi Mikhail Bakunin, com suas propostas radicais de atuações terroristas, como a destruição do Estado.
No socialismo marxista, os líderes foram Karl Marx e Fricdrich Engels. O marxismo Marx e Engels defendiam como princípios centrais do socialismo científico: o materialismo dialético, a luta de classes, a mais-valia e a revolução socialista. No marxismo, o socialismo representaria uma transição entre o capitalismo e o comunismo.
Os movimentos trabalhistas
Os trade-unions e o ativismo reivindicatório e contestatório (Carthismo) contribuíram para as iniciativas em prol da organização dos trabalhadores de forma internacional.
A I Internacional foi fundada em Londres, em 1864, e caracterizou-se pelos confrontos entre marxistas e anarquistas, desaparecendo 12 anos depois.
A II Internacional (1889) foi baseada principalmente no ideal de alcançar o socialismo lentamente, via eleições, apesar da oposição de Rosa Luxemburgo e Lênin.
A III Internacional (1919) teve por base a revolução bolchevique russa de 1917, liderando e estimulando o surgimento dos partidos comunistas por quase todos os demais países da Europa, da Ásia e da América.
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