Categoria: Sala de Aula
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UMA BREVE HISTÓRIA DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL
“A escravidão não nasceu do racismo;
mas o racismo foi a consequência da escravidão”,
( Eric Williams)Racismo é o preconceito e discriminação direcionados a quem possui uma raça ou etnia diferente, define o dicionário. Para entender a atual configuração social brasileira, e principalmente, o racismo, sociólogos e historiadores recorrem ao nosso passado.
O racismo no Brasil é uma CONSEQUÊNCIA de três séculos de escravidão e por teorias racialistas que fizeram parte da construção da identidade nacional. Após a abolição, a ausência do Estado na integração da população negra por meio do fornecimento de condições materiais e políticas para sua participação em uma sociedade livre garantiu a sobrevivência e ressignificação da mentalidade e prática escravocrata nas estruturas da república.
Mas a escravidão não é algo exclusivo da história brasileira. A escravidão é, sem sombra de dúvida, uma chaga aberta na humanidade e nem sempre foi ligada a uma raça ou uma cor de pele. De acordo com o sociólogo Orlando Patterson, um dos mais renomados especialistas no tema, professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, “A escravidão existiu desde o início da história da humanidade até o século XX, nas sociedades mais primitivas e também nas mais avançadas”. De acordo com ele, “não há uma única região do planeta que em algum momento não tenha abrigado essa instituição. Provavelmente não existe hoje nenhum grupo de pessoas cujos ancestrais nunca tenham sido em algum momento escravos ou donos de escravos.
A ESCRAVIDÃO NO BRASIL
Ao chegar no Brasil em 1500, os portugueses não encontraram o que procuravam: especiarias (temperos especiais e refinados, sal, açúcar) tecidos especiais e ouro. Deram de cara com uma área de floresta densa e virgem (a Mata Atlântica) e alguns habitantes, nus, que eles chamaram de índios. Durante os trinta primeiros anos, a exploração das terras brasileiras não interessou para Portugal. Somente com a ameaça de perda do território para outras nações e o desinteresse econômico em continuar realizando o périplo africano par se chegar às Índias é que fez com a Coroa Portuguesa mudasse a sua postura para com a sua colônia na América.
Assim, para efetivar o processo colonizador nas terras americanas, Portugal teve que trabalhar a terra. Entretanto a falta de braços na Metrópole era um fator que impeditivo. Assim, os colonos portugueses optaram, inicialmente, pela escravização dos indígenas. A partir de meados do século XVI, contudo, os nativos foram sendo substituídos por africanos escravizados, essencialmente, por três motivos: a) o extermínio de muitos povos indígenas do litoral e a fuga dos sobreviventes para o interior, o que dificultava sua captura; b) o interesse da Coroa e dos comerciantes no rendoso tráfico de escravos africanos; e c) aumento das receitas reais com as taxas pagas no embarque e desembarque dos negros na África e no Brasil.
Os colonos perceberam, também, outras vantagens no emprego da mão de obra africana: eles tinham menos chance de fugir, pois desconheciam a língua e o lugar para onde eram levados; os portugueses podiam estabelecer relações pacíficas com os indígenas e livrar-se de seus ataques. Do século XVII em diante, o número de africanos escravizados superou o de indígenas como mão de obra. O escravo africano foi a solução ideal, do ponto de vista do capital mercantil europeu, para a questão da mão de obra nas áreas coloniais. Mãos negras cortariam cana, produziriam tabaco, extrairiam ouro, colheriam café, serviriam nas Casas-Grandes, desempenhariam tarefas nas cidades coloniais. Nenhuma atividade seria sequer pensada sem contar com as mãos negras dos escravos.
Estima-se que, entre 1531 e 1870, mais de 13,5 milhões de africanos foram raptados, vendidos como escravos e transportados para o continente americano. Desses, cerca de 4,9 milhões vieram para o Brasil, até a segunda metade do século XIX. Cerca de 20%, 1,8 milhão de pessoas, não chegaram ao destino – morreram de escorbuto, varíola, sarampo, sífilis, disenteria ou mesmo pela brutalidade dos traficantes. Muitas vezes os mortos jaziam por dias junto aos vivos nos navios negreiros até que fossem lançados ao mar. Nenhum outro lugar do mundo recebeu tantos escravos. Em comparação, nos Estados Unidos, foram 389 mil.
De acordo com o jornalista Laurentino Gomes, em A Escravidão: Do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares, a “história da escravidão africana no Brasil é repleta de dor e sofrimento. Centenas de livros já foram escritos sobre o tema, mas, provavelmente, nenhum deles conseguirá jamais expressar as aflições de um único cativo dos milhões capturados na África, embarcados à força em um navio, arrematados como mercadoria qualquer num leilão do outro lado do oceano, numa terra que lhes era completamente estranha e hostil, onde trabalhariam pelo resto de suas vidas sob o chicote e o tacão de seu senhor”.
Ainda de acordo com o jornalista, para se ter uma ideia, ainda que remota, do tamanho dessa tragédia: “diz respeito ao comportamento dos tubarões que seguiam as rotas dos navios negreiros”, vejamos:
“durante mais de três séculos e meio, o Atlântico foi um grande cemitério de escravos. Era no mar, durante a travessia, que as cifras de mortalidade ficavam mais evidentes: como escravos representavam um “investimento”, uma mercadoria valiosa do ponto de vista dos traficantes, cada óbito tinha de ser registrado nos chamados Livros dos mortos pelos capitães dos navios, ao lado de diversos outros itens que apareciam nas colunas de crédito e débito dos relatórios de contabilidade. Por isso, os números de mortos durante esse tipo de viagem são mais precisos do que os das demais travessias náuticas da época, geralmente baseados em estimativas. Isso permite fazer hoje um cálculo assustador. Se, entre o início e o final do tráfico negreiro, pelo menos 1,8 milhão de cativos morreram durante a travessia, isso significa que, sistematicamente, ao longo de 350 anos, em média, catorze cadáveres foram atirados ao mar todos os dias. Por essa razão, os navios que faziam a rota África-Brasil eram chamados de “tumbeiros”, ou seja, tumbas flutuantes.
Alguns exemplos ajudam a dar uma noção mais precisa desses números. Em 1805, um brigue sob o comando do capitão Félix da Costa Ribeiro partiu da região de Biafra com 340 escravos, dos quais 230 morreram nos quarenta dias de travessia até Salvador. Portanto, esse navio, sozinho, teria lançado ao mar entre cinco e seis cadáveres por dia, média semelhante à do Protector, que teve 151 mortos na viagem de cinquenta dias entre Luanda e o Rio de Janeiro. No caso do brigue Flor da Bahia, que perdeu 192 dos 557 cativos embarcados de Moçambique para Salvador, uma viagem de cerca de setenta dias, a média de corpos atirados da amurada do navio teria sido de quase três por dia.
Morria-se de doenças como disenteria, febre amarela, varíola e escorbuto. Morria-se de suicídio — escravos que, tomados pelo desespero, aproveitavam-se de um descuido dos tripulantes, subiam à amurada das embarcações e jogavam-se ao mar. Por essa razão, os navios negreiros geralmente eram equipados com redes estendidas ao redor do deque superior, para prevenir esses atos. Morria-se, ainda, de banzo, nome dado pelos africanos para o surto de depressão muito frequente entre os cativos. Alguém acometido por banzo parava de comer, perdia o brilho no olhar e assumia uma postura inerte enquanto suas forças vitais se esvaiam no prazo de poucos dias. “O banzo é um ressentimento entranhado por qualquer princípio, como a saudade dos seus ou de sua pátria”, descreveu, no final do século XVIII, Luís Antônio de Oliveira Mendes, advogado português nascido na Bahia. “É uma paixão da alma a que se entregam que só é extinta com a morte.”*
Os cadáveres eram então atirados por sobre as ondas, sem qualquer cerimônia, às vezes sem ao menos a proteção de um pano ou lençol, para serem imediatamente devorados por tubarões e outros predadores marinhos. Segundo inúmeras testemunhas da época, mortes tão frequentes e em cifras tão grandes fizeram com que esses grandes peixes mudassem suas rotas migratórias, passando a acompanhar os navios negreiros na travessia do oceano, à espera dos corpos que seriam lançados sobre as ondas e lhes serviriam de alimento. Esses rituais eram parte da rotina a bordo.
“Os tubarões começavam a seguir os navios negreiros assim que as embarcações alcançavam a costa da Guiné”, escreveu o historiador Marcus Rediker. “Eram observados pelos marinheiros da Senegâmbia ao Congo e Angola, passando pela Costa do Ouro e dos Escravos (atuais Gana, Togo, República do Benim e Nigéria), sempre que os navios estavam ancorados ou se moviam lentamente.” Um corpo ou um homem vivo que caísse nas águas por acidente seria imediatamente destroçado. Alexander Falconbridge, médico britânico que participou de quatro viagens negreiras entre 1780 e 1787, testemunhou diversas cenas como essa enquanto observava o embarque de cativos na costa de Bonny (atual Nigéria). Segundo ele, os tubarões cercavam os navios “em número inacreditável, devorando rapidamente os negros que eram arremessados da amurada”. Relato semelhante é o de John Atkins, também médico da Marinha Britânica na primeira metade do século XVIII: “Diversas vezes eu vi os tubarões se apoderarem de um cadáver, assim que era jogado ao mar, despedaçando-o e devorando-o com tal voracidade que não dava tempo sequer para que começasse a afundar nas águas”.
Do embarque na costa da África, cardumes de tubarões seguiam as embarcações por milhares de quilômetros na travessia do oceano, segundo os registros no diário do capitão Hugh Crow, que fez dez viagens nesse percurso. “Eles estão sempre ao redor do navio, à espera de que algum corpo seja jogado nas águas”, descreveu Crow. Comprovando suas observações, em 1785 diversos jornais de Kingston, capital da Jamaica, noticiaram que a chegada de novas cargas de escravos tinha trazido consigo uma tal quantidade de tubarões que “banhar-se nas águas do rio local se tornou algo extremamente perigoso”
O registro de desembarque oficial de escravizados no Brasil data de 1531, quando a produção de cana-de-açúcar começava a despontar. O auge do tráfico negreiro no Brasil ocorreu entre 1800 e 1850. A maior parte dos negros que aqui desembarcavam era proveniente de Angola, Congo, Moçambique e Golfo do Benim. As condições precárias de higiene, alimentação e descanso, as jornadas exaustivas e os cruéis castigos físicos a que eram submetidos restringiam a expectativa de vida dos escravizados a uma média de 25 anos.
O escravismo no Brasil não surgiu a partir de uma evolução interna da sociedade, mas foi introduzida de fora para dentro, a partir de 1531, com o objetivo de viabilizar a produção de cana-de-açúcar no Brasil.
A escravidão foi garantida por Estado e por uma ideologia que além de legitimar a escravidão sujeitava o escravo a sua condição de escravo. Este devia encontrar consolo em Deus, depositar as esperanças de dias melhores nos céus. Quem aceitasse a escravidão como destino seria recompensado com o Paraíso; quem se revoltasse seria condenado às Chamas Eternas. Ao pegar o conformismo, ao eternizar a escravidão, o cristianismo foi utilizado como um eficiente mecanismo de controle social. De acordo com a concepção religiosa daquela época, os sofrimentos do corpo deviam ser aceitos como remissão dos pecados cometidos e a cometer. Cada açoite do homem branco significava um degrau a mais no caminho do céu. A submissão total do corpo significava a libertação total da alma.
No campo espiritual, a própria igreja legitimou a escravidão como sendo algo natural aos olhos de Deus e como instrumento de salvação das almas.
Durante os mais de 300 anos de escravidão, inúmeros teólogos, pregadores e chefes da Igreja usaram a maldição de Cam para defender o cativeiro dos africanos. Um exemplo é o jesuíta italiano Jorge Benci, que escreveu Economia Cristã Dos Senhores No Governo Dos Escravos, publicado em 1705, que defendia que o cativeiro era parte e consequência da natureza decaída do ser humano, “um dos efeitos do pecado original de nossos primeiros pais, Adão e Eva, donde se originaram todos os nossos males”. Segundo o jesuíta, “o pecado foi o que abriu as portas por onde entrou o cativeiro”. Os escravos africanos seriam, portanto, herdeiros da maldição de Cam: “É a mesma geração dos pretos que nos servem; e, aprovando Deus essa maldição, foi condenada à escravidão e cativeiro”. (Citado por Laurentino Gomes em A Escravidão – Vol 01. Pg 46).
O padre Antônio Vieira atribuía o comércio de escravos a um grande milagre de Nossa Senhora do Rosário porque, segundo ele, tirados da barbárie e do paganismo na África, os cativos teriam a graça de serem salvos pelo catolicismo no Brasil. Foi esse o teor da homilia que pregou para uma irmandade de escravos de um engenho na Bahia, em 1633:
“A mãe de Deus, antevendo esta vossa fé, esta vossa piedade, esta vossa devoção, vos escolheu de entre tantos outros de tantas e tão diferentes nações, e vos trouxe ao grêmio da Igreja, para que lá [na África] não vos perdêsseis, e cá [no Brasil] como filhos seus, vos salvásseis. Este é o maior e mais universal milagre de quantos faz cada dia, e tem feito por seus devotos a Senhora do Rosário. […] Oh, se a gente preta tirada das brenhas da sua Etiópia, e passada ao Brasil, conhecera bem quanto deve a Deus, e a Sua Santíssima Mãe, por este que pode parecer desterro, cativeiro e desgraça, e não é senão milagre, e grande milagre!”
Ainda no mesmo sermão, o jesuíta afirmava que o escravo devia ver o seu sofrimento como uma bem-aventurança, já que estava a imitar o que Cristo passou na cruz:
“Bem-aventurados vós se soubéreis conhecer a fortuna do vosso estado, e com a conformidade e imitação de tão alta e divina semelhança aproveitar e santificar o trabalho. […] Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado […] porque padeceis em um modo muito semelhante o que o mesmo Senhor padeceu na sua cruz, e em toda a sua paixão” (Citado por Laurentino Gomes, pg 204)
Ideologicamente, a violência contra os africanos era explícita. Vários filósofos também justificaram a escravização dos negros africanos. O jornalista Laurentino Gomes em A Escravidão – Vol 01. Pg 46 fez uma lista de alguns pensadores, eu separei algumas passagens:
- David Hume, um importante pensador do século XVIII disse em 1748, “eu suspeito que os negros, como em geral todas as outras espécies de seres humanos, sejam naturalmente inferiores aos brancos. Nunca houve entre eles nação alguma tão civilizada quanto entre os brancos. Nenhum grande inventor entre eles, nenhuma Arte, nenhuma ciência […]. Uma diferença tão constante e uniforme não poderia se repetir em tantos lugares e em épocas tão distintas se a natureza não tivesse também uma distinção original entre essas espécies de seres humanos”;
- O alemão Immanuel Kant escreveu em 1764: os negros africanos não receberam da natureza qualquer inteligência que os coloque acima da tolice. Portanto, a diferença entre as duas raças (negra e branca) é muito substancial. A distância no que diz respeito às faculdades mentais parece ser tão grande quanto a da cor (da pele).
- Georg W. Friedrich Hegel, também alemão e talvez o mais citado entre todos os filósofos formadores da ideologia racista no século XIX, afirmava que a África não merecia atenção dos povos ocidentais por ser um continente, na sua visão, sem qualquer contribuição significativa à história do mundo. “A falta de controle distingue o caráter dos negros”, afirmou no livro A Filosofia da História, de 1837. “Essa condição incapacita o desenvolvimento e a cultura.” Por essa razão, segundo Hegel, “a única essencial ligação que existiu e permaneceu entre negros e europeus é aquela da escravidão”.
O jornalista também afirma que houve outras motivações, mais profundas e de natureza estética e psicológica, para o racismo contra os negros africanos durante o regime escravagista. De acordo com Gomes, citando o historiador David Brion Davis “é a conotação negativa sempre atribuída à cor preta em diversas culturas, usada como indicativo de infortúnio, tristeza, maldade e impureza. Na tradição judaico-cristã, a cor branca estaria sempre associada à inocência, à pureza e à santidade, enquanto a cor escura (tecnicamente, a ausência de cor) era sinônimo de pecado, perversão e morte. Os textos bíblicos se referem repetidas vezes a uma permanente luta entre os “filhos da luz” e os “filhos da escuridão”. Nas obras de arte medievais, demônios de pele negra e traços fisionômicos semelhantes aos dos africanos emergem das sombras para molestar os seres humanos, enquanto os santos são invariavelmente representados com a pele clara dos europeus. Num ensaio publicado em 1837, o pintor francês Jacques-Nicolas Paillot de Montabert lembrava seus colegas artistas que o branco “é o símbolo da Divindade ou de Deus”, ao passo que o preto “é o símbolo da escuridão, e a escuridão expressa todos os males”. Segundo ele, a cor escura significava o caos, a feiura, o vício, a culpa, o pecado e a má-fortuna.”
Em outras palavras, a violência contra os escravos pode ser compreendida com parte integral e fundamental do sistema escravista e inerente à própria civilização dos séculos XVI ao XVIII. A completa perda da identidade original do escravo e sua nova condição de submisso à vontade do senhor só seria possível mediante o uso continuado da força. De acordo com o historiador Orlando Patterson, “Não existe uma única sociedade escravista em que o chicote não tenha sido um instrumento indispensável”. Ainda de acordo com Patterson, “as formas mais desenvolvidas de escravidão eram aquelas em que os cativos eram removidos a uma grande distância do seu local de nascimento, ou de moradia de seus familiares, de maneira a enfatizar a condição de forasteiros ou estranhos ao grupo social que os mantinha submissos pelo uso da violência”. Desse modo, “escravo” se converteu em sinônimo de “estrangeiro”, ou de “o outro”, aquele que não pertence ao grupo social que o domina.
Apesar da população de escravos ser numericamente muito maior, constituindo-se na maioria da população colonial, esta maioria não resultava em uma organização dos negros escravizados. Muito pelo contrário. Conscientes da situação de revolta permanente, potencialmente destrutivas, os senhores tinham a preocupação de evitar qualquer tipo de união, de identificação entre os escravos e, consequentemente, de impedir uma possível revolta coletiva. Os escravos nunca deviam ficar ociosos, nem terem momentos de conversas em grupos. A arbitrariedade formava parte do sistema, e estes deviam se sentir permanentemente vigiados, ameaçados e agredidos. Os flagelos sem causas justificadas formavam parte do mecanismo de submissão total dos escravos. Ninguém estava a salvo.
Homens de línguas, origens e regiões diferentes eram misturados nas senzalas. As guerras tribais africanas também dividiam os escravos numa mesma fazenda. Os castigos violentos e permanentes faziam com que os escravos permanecessem num constante estado de tensão, denunciando-se mutuamente, atuando mecanicamente. Nestas situações, a revoltas individuais eram mais frequentes que as revoltas coletivas. Lamentavelmente, as primeiras não fazem parte dos arquivos históricos.
Por quase 400 anos o Brasil foi um país escravista e praticamente todos os aspectos da vida colonial giravam em torno da escravidão, que também definia a forma como as cidades eram organizadas, a produção nas lavouras, nos engenhos, nas minas de ouro e diamante. Eram os escravos que realizavam praticamente todo o trabalho: na lavoura, nas casas, na exploração mineira, nos serviços urbanos e no transporte de pessoas e mercadorias. Trabalhavam até o limite máximo de suas forças.
O trabalho nas lavouras e nos engenhos era exaustivo e, por vezes, desumano. Os cativos eram submetidos a jornadas diárias longas, pesadas e perigosas. Nos campos, o trabalho começava antes ainda do nascer do sol e ia até o anoitecer. Picadas de cobras ou ferimentos produzidos por facões, machados e outros instrumentos cortantes eram comuns. Muitos causavam mutilações para o resto da vida ou mesmo a morte das vítimas. Nos engenhos, o turno de trabalho na época da safra e do auge da produção anual de açúcar podia chegar a dezoito ou vinte horas. As caldeiras ferviam dia e noite sobre fornalhas que os cativos iam alimentando com lenha, expostos a temperaturas altíssimas
Os escravos eram tão importantes para a sociedade brasileira, que o padre jesuíta André João Antonil chegou a afirmar em 1710 que “Os escravos são as mãos e os pés do senhor do engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente”. Por volta de 1860, o senador gaúcho Gaspar Silveira Martins, ao tratar dos barões do café e seus escravos nas fazendas do Vale do Paraíba, entre São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais afirmou que “o Brasil é o café, e o café é o negro”.
Os castigos aplicados em público para servir de exemplo aos demais eram cruéis: açoites, amputações, palmatória, tronco, máscara e coleira de ferro, correntes com peso. O castigo físico era considerado um direito e um dever dos senhores
Os escravos das cidades tinham uma vida diferente daquela dos que trabalhavam nas fazendas e nos engenhos. Além de realizarem todos os trabalhos manuais e servirem de besta de carga, eram uma fonte de riqueza importante para seus senhores, pois exerciam ofícios recebendo remuneração que era revertida para o seus donos. Eram chamados, por isso, de “escravos de ganho”.
Eles conseguiam, às vezes, guardar parte dos rendimentos que recebiam e, assim, após décadas de poupança, era possível a alguns comprar a sua liberdade. Houve cativos que adquiriram escravos que, com seu trabalho, auxiliaram seus donos a alcançar a alforria.
Apesar de toda a dificuldade e complexidade em se organizarem, os escravos reagiram de diversas formas à escravidão: vinganças contra feitores, sabotagens, revoltas e fugas. Mas havia também os que conseguiam fugir e formar quilombos. O maior deles foi o Quilombo dos Palmares, na região dos atuais estados de Alagoas e Pernambuco, que conseguiu reunir cerca de 50 mil quilombolas entre 1630 e 1695.
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Os Hebreus
HEBREUS: OS ALIADOS DE DEUS
A Bíblia, na parte denominada de Antigo Testamento, é o principal documento da História dos Hebreus. Parte dos episódios ali narrados foi confirmada por pesquisas arqueológicas
Os hebreus eram pastores nômades organizados em tribos, cada uma delas sob o comando de um Patriarca. Andavam pelas planícies da Mesopotâmia conduzindo seus rebanhos em busca de água e pastagens. Dessa forma, saindo de Ur, ao sul, por volta do ano 2000 a.C., atingiram a fértil cidade de Harã, no norte da Mesopotâmia.
A Bíblia conta que o Patriarca Abraão recebeu uma ordem de Deus para deixar Hara e seguir para uma terra que seria indicada por Ele. Obediente a voz de Deus, os hebreus seguiram Abraão e chegaram a uma aldeia no país de Canaã, a Terra Prometida (atual Palestina).
De pastores nômades, os hebreus se tornaram agricultores. Nessa época, já eram chamados de israelitas ou povo de Israel. Cerca de 1700 a.C., as terras de Canaã foram atingidas pelas secas e pela fome. Estimulados por José, um israelita que vivia no Egito, os hebreus se mudaram para as férteis terras do delta do Nilo. Ali permaneceram em paz por centenas de anos.
Tempos depois, um faraó preocupado com o crescimento daquele povo, decidi u tornar os hebreus escravos a serviço do Egito, colocando-os em trabalhos pesados nas minas e nas construções. Foi Moisés quem libertou os hebreus do cativeiro e os conduziu de volta a Canaã. Esse episódio ficou conhecido como “Êxodo”, e teria ocorrido por volta do século XIV a.C.
Diz a Bíblia que, nessa longa viagem de volta à Terra Prometida, Moisés recebeu de Deus, no monte Sinai, os Dez Mandamentos ou o Decálogo. Essas leis se tornaram a base da religião judaica e, mais tarde, do cristianismo e do islamismo. Quando saíram do Egito, os hebreus não eram um grupo homogêneo. Mas as dificuldades da viagem, a obediência às leis divinas e a renovação da aliança como Deus deram ao povo hebreu uma solidariedade grupal. Acreditavam terem sido escolhidos por Deus e que, sob sua proteção divina, reconquistariam a Terra Prometida.
Os hebreus foram o primeiro povo da História a ter uma religião monoteísta. Jeová ou Iavé, como chamavam a Deus, era o Senhor, o legislador e o Juiz de seu povo. Os líderes políticos eram somente seus representantes.
A HISTÓRIA POLÍTICA DOS HEBREUS
O Êxodo, a viagem de volta à Terra Prometida, levou décadas. Moisés morreu ainda no deserto. Foi Josué, seu sucessor, quem completou a viagem. Os hebreus encontraram Canaã ocupada por outros povos e lutaram para expulsá-los.
Durante esse período de lutas, os hebreus se organizaram politicamente e fundaram um reino (1030 a.C.). Seus reis mais importantes foram Davi e Salomão. O primeiro conquistou definitivamente as terras ocupadas (Palestina) e transformou Jerusalém em capital do Reino. Com Salomão, o reino atingiu o apogeu de sua prosperidade. Seus domínios estendiam-se do rio Eufrates ao Egito. Salomão mandou erguer o magnífico Templo de Jerusalém, construiu uma esquadra e equipou o Exército com carros de combate e armas de ferro.
Depois da morte de Salomão, o reino se dividiu em dois: Israel e Judá. Foi o Cisma. Em 722 a.C., os assírios destruíram o reino de Israel, e seus habitantes foram expulsos do território. Em 587 a.C., o Exército Babilônico de Nabucodonosor arrasou o reino de Judá, e seus habitantes, os judeus, foram levados como escravos para a Babilônia, onde ficaram por quase meio século. No exílio, os judeus conservaram sua identidade cultural e religiosa. Seus cultos e orações foram mantidos em casas chamadas Sinagogas. A lembrança do pacto com Deus reforçava a sua fé e a esperança de voltar à Palestina.
Foi Ciro, o rei dos Persas, que, ao conquistar a Babilônia, permitiu o regresso dos judeus à Palestina (538 a.C.), que também estava sob o seu domínio. O Templo de Jerusalém foi reconstruído e a Palestina passou a se chamar JUDEIA.
Depois dos persas, os judeus caíram sob o domínio de outros povos. Por fim, em 70 d.C., o maior golpe de sua história: os romanos destruíram Jerusalém, incendiaram o templo e escravizaram milhares de pessoas. Os objetos de valor tomados no templo, como o candelabro de ouro e as trombetas de prata de Davi, foram levados para Roma, onde desfilaram como troféus de guerra do Exército romano.
Os judeus sobreviveram ao massacre e espalharam-se ao redor do Mar Mediterrâneo. Foi a Diáspora. Por quase dois mil anos, os judeus não tiveram pátria, mas sua identidade cultural e religiosa os manteve unidos. Nessa longa diáspora, viveram em comunidades espalhadas pelo mundo, até a formação do Estado de Israel, pela ONU, em 1948
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ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
Nos últimos dias temos ouvido muito falar que o Brasil é um ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO. Mas o que quer dizer isso? Eu reuni três textos bem legais sobre o assunto. Após a leitura, tente responder ao que se pede ao final.
O primeiro deles está disponível no site do governo federal e reproduzo a seguir
1. ENTENDA O QUE É O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
Com a premissa de que todo o poder emana do povo prevista na Constituição Federal de 1988, a nação brasileira enquadra-se na categoria de Estado Democrático de Direito. Suas principais características são soberania popular; da democracia representativa e participativa; um Estado Constitucional, ou seja, que possui uma constituição que emanou da vontade do povo (como essa vontade foi exercida?); e um sistema de garantia dos direitos humanos. (Para você o que seria esse sistema de garantia dos direitos humanos? E quais diretos são esses?)
Como o nome sugere, a principal ideia da categoria é a democracia. Esse conceito está explícito e explicado no primeiro artigo da Constituição Federal de 1988. Está na Carta Magna (outro nome que se dá para CONSTITUIÇÃO FEDERAL): “Todo o poder emana do povo (isso significa que vivemos em uma República), que o exerce por meio de representantes eleitos (esses são os termos de uma democracia indireta, por meio das eleições de vereadores, prefeitos, governadores, deputados, senadores e presidentes) ou diretamente, nos termos desta Constituição (este trecho estabelece que, no Brasil, também funciona a democracia direta, em que o povo é o responsável direto pela tomada de decisões)”.
Conceitos
Para entender o conceito, é necessário compreender o que significa “democrático”, segundo o professor e mestre em direito constitucional Edgard Leite. Ele explica que essa palavra por si só concentra todo o significado da expressão. É justamente por isso que um Estado de Direito é totalmente diferente do Estado Democrático de Direito
“Resumidamente, no Estado Democrático de Direito, as leis são criadas pelo povo e para o povo, respeitando-se a dignidade da pessoa humana”, afirmou Leite (como o povo exerce essa vontade?)
Já o Estado de Direito é pautado por leis criadas e cumpridas pelo próprio Estado. Um exemplo, segundo o professor, é o Código Penal Brasileiro, um decreto-lei de 1940.
“Isso ocorre em uma ditadura militar, por exemplo, quando o governante dispõe de instrumentos como o decreto-lei, por meio do qual ele governa ainda que sem a aprovação do Congresso Nacional.”Nota do seu professor: Um outro exemplo de leis criadas e cumpridas pelo próprio Estado são os Atos Institucionais da Ditadura Militar (1964-1985), quando o presidente baixava uma norma (lei) e que não submetia à apreciação do Congresso Nacional. Nestes casos, o que dava legitimidade à lei (ou seja, o fazia ela valer de verdade), não era a vontade do povo, mas sim o poder militar, já que eram as Forças Armadas que exerciam o poder no país, sem consulta ao povo.
Origem do conceito
A ideia de democracia surgiu na Grécia antiga junto ao conceito de cidadão ativo. “Foi quando surgiu a democracia direta. O cidadão ativo ateniense era aquele que poderia exercer poderes políticos. Naquela época, eram apenas homens livres com posses, que se reuniam em praça pública e decidiam os rumos da cidade-estado”, explicou o especialista.FONTE: http://www2.planalto.gov.br/mandatomicheltemer/acompanhe-planalto/noticias/2018/10/entenda-o-que-e-o-estado-democratico-de-direito acessado em 17/06/2020 às 18:00h
O segundo texto é do portal POLITIZE!
2. ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: ENTENDA O QUE É ESSE TERMO
Provavelmente você já deve ter ouvido alguém citar a expressão “Estado Democrático de Direito” em alguma conversa sobre política, certo? Mas você sabe o que isso significa? Pensando nessa dificuldade, o Politize! preparou este conteúdo para esclarecer suas dúvidas em relação a esse termo tão importante para a política, que está presente na Constituição de nosso país e que, apesar de frequente, é de difícil compreensão. Mesmo assim, é muito importante entender o que é o “Estado Democrático de Direito”, afinal, segundo a Constituição Federal, é por meio dessa forma de Estado que o Brasil se constitui:
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos (…)
Primeiramente, precisamos esclarecer algumas confusões que podem surgir devido à similaridade deste termo com outros que também fazem parte do vocabulário político. Nesse sentido, é importante ressaltar que esses outros termos, apesar de similares em sua composição, representam coisas diferentes. Por isso, vamos analisar esses termos similares para que, a partir destes, seja possível compreender exatamente o que é o Estado Democrático de Direito. Vamos lá?
A FORMAÇÃO DO ESTADO
Já citamos várias vezes em nosso texto a palavra “Estado”, mas você realmente sabe o que isso significa? Brevemente, ESTADO, para nós, é o que entende-se por Brasil. Nesse sentido, é nele que o Poder Legislativo criará as leis, o Poder Executivo fará valer as leis por meio do governo e o Poder Judiciário julgará aqueles que infringirem essas leis de maneira imparcial e de acordo com o que está definido em nossa legislação. Entretanto, as coisas não foram sempre assim. Ao longo da história da humanidade, o Estado já teve várias formas de organização, que foram explicadas por diversos pensadores, conhecidos por “teóricos do Estado”.
Nesse contexto, um dos primeiros teóricos que tentou justificar a existência do Estado surgiu no período das monarquias absolutistas (séculos XVI ao XVIII). Thomas Hobbes justificou a existência dessas formas de governo com seu célebre livro chamado “O Leviatã”. Ele acreditava que o ser humano em seu estado de natureza (antes de civilizar-se) era absolutamente livre e, dessa forma, não respeitava à lei alguma. Essa situação, para Hobbes, geraria conflitos entre as pessoas e instauraria uma “guerra de todos contra todos”, situação em que seria impossível o seu desenvolvimento pleno. Dessa forma, para que essa situação fosse superada, todos deveriam renunciar seus direitos a um soberano incontestável, que garantiria-lhes uma vida boa por meio de um contrato social. Nesse sentido, esse soberano seria o rei absolutista.
Entretanto, na prática, essa forma de governo não foi bem sucedida, afinal, os poderes do soberano eram ilimitados. Ele concentrava em suas mãos o poder absoluto do Estado, não havendo, dessa forma, separação entre os poderes estatais. Um bom exemplo de representação desse poder ilimitado do soberano está na ilustre frase dita pelo rei absolutista Luís XIV: “O Estado sou eu!”
Isso significa que o rei criava todas as leis, as executava e julgava àqueles que a desrespeitassem, estando, assim, acima da própria lei. Além disso, em diversas situações, o monarca não cumpria sua parte no contrato – a de garantir a seus súditos uma vida boa – e isso acabou gerando revoltas que colocaram em cheque essa forma de governo. A partir dessas revoltas nasceu o que conhecemos por “Estado de direito”.
ESTADO DE DIREITO
O Estado de Direito teve início depois da Revolução Francesa, que marcou o fim do absolutismo e a instauração de um sistema de governo parlamentarista. Durante o antigo regime – o absolutismo -, o governante detinha poder máximo e, dessa forma, não precisava respeitar nenhuma lei vigente. Contudo, com o fim desse regime e com o advento do parlamentarismo, passou a vigorar o que chamamos de Estado de Direito.
Essa forma de Estado foi justificada pelo teórico John Locke em seu livro “Segundo Tratado sobre o Governo”. Para ele, o estado de natureza do ser humano não era um estado de ausência absoluta de leis como para Hobbes, mas, sem que houvesse um Estado para mediar os conflitos, o homem usaria a força para satisfazer seus interesses próprios. No momento que isso acontecesse, entraríamos em um estado de guerra que só teria fim com o estabelecimento de um contrato em que as pessoas renunciassem seus direitos de aplicar a leis para o Estado, para que este, por sua vez, distribuísse com equidade os direitos de cada um.
O ponto que vale ressaltar aqui está relacionado ao fato de que, em um Estado de Direito, o governante não detém poder absoluto. Nesse caso, a figura do soberano como governante é substituída (absolutismo), sendo soberana, apenas a lei que está acima de todos, estando acima até mesmo dos governantes que, no caso da França pós-revolução, são os parlamentares.
Parece perfeito não é mesmo? Entretanto, esse modelo abre oportunidade para que a seguinte pergunta seja feita: a lei é soberana e está acima de todos, mas quem cria essa lei? E ela atende aos interesses de quem? A grande questão do Estado de Direito está no fato de que não há necessidade de contemplar o que chamamos de “vontade geral” – conceito que já vamos explicar melhor. Sendo assim, há a possibilidade de que alguns grupos sociais sejam mais representados do que outros, o que manteria a desigualdade. Nesse contexto, o poder não emana necessariamente do povo, como estamos acostumados atualmente, e não há responsabilidade com a soberania popular.
ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
Depois de uma jornada pela história do Estado, chegamos finalmente ao termo que representa a forma como o Brasil se constitui atualmente. O Estado Democrático de Direito é diferente do Estado de Direito pela soberania do que chamamos de “vontade geral”, conceito que é trabalhado pelo teórico Rousseau em seu livro “O contrato social”. Sendo assim, a vontade geral é o atendimento do interesse comum da sociedade, obtido por meio do consenso das partes.
Contudo, cabe aqui uma diferenciação importante: a vontade geral não é sinônimo de vontade da maioria ou de todos. Isso porque a vontade da maioria é uma simples soma numérica de vontades particulares que não reflete o uso da razão. Um exemplo que torna isso mais visível é o que aconteceu no holocausto: mesmo que a maior parte dos alemães estivesse em comum acordo com Hitler, suas atitudes não atendiam à vontade geral, pois não eram esclarecidas pela razão. Segundo o professor e mestre em direito constitucional Edgard Leite: “resumidamente, no Estado Democrático de Direito, as leis são criadas pelo povo e para o povo, respeitando-se a dignidade da pessoa humana”
Contudo, cabe aqui uma reflexão: se estamos em um Estado Democrático de Direito, por que não criamos as leis? Essa é uma pergunta que pode ser respondida se olharmos para o nosso regime político: vivemos em uma democracia representativa, ou seja, em vez de participarmos de cada decisão do Estado, elegemos representantes que exprimirão nossas vontades. Por isso é tão importante eleger candidatos que realmente representem nossos interesses.
Dessa forma, o Estado Democrático de Direito é uma forma de Estado em que a soberania popular é fundamental. Além disso, é marcado pela separação dos poderes estatais, a fim de que o legislativo, executivo e judiciário não se desarmonizem e comprometam a soberania popular. Outro ponto importante que caracteriza essa forma de Estado é o respeito aos Direitos Humanos que são fundamentais e naturais a todos os cidadãos. Assim, é possível perceber a importância do que está escrito no artigo 1º da Constituição Federal, que foi exposto no início do texto. Ou seja, o Estado Democrático de Direito permite que nos organizemos em uma sociedade minimamente justa e estável, com relações de poder que tragam mais benefícios que prejuízos.
FONTE: (https://www.politize.com.br/estado-democratico-de-direito/ acessado em 17/06/2020, às 18h)
E finalmente uma terceira opinião sobre o ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO, disponível no site http://www.significados.com.br
3. O QUE É O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
O Estado democrático de direito é um conceito que se refere a um Estado em que existe o respeito pelos direitos humanos e pelas e garantias fundamentais. Deve existir a garantia dos direitos individuais e coletivos, dos direitos sociais e dos direitos políticos.
Isto quer dizer que, para que um Estado atinja o objetivo de ser considerado um Estado democrático de direito, todos os direitos dos cidadãos devem ter proteção jurídica e ser garantidos pelo Estado, através dos seus governos.
No Estado democrático de direito os governantes devem respeito ao que é previsto nas leis, ou seja, deve ser respeitado e cumprido o que é definido pela lei. Isso significa que as decisões não podem ser contrárias ao que diz a lei e, dessa maneira, os direitos fundamentais dos cidadãos são protegidos.
São algumas características do Estado democrático de direito:
– soberania popular: o controle sobre o poder político é exercido pelo povo, que elege os governantes que vão lhes representar: o povo também é o destinatário dos direitos,
– importância da Constituição Federal: a Constituição é chamada de “Lei Maior” porque é a lei que estabelece quais são os princípios fundamentais que devem orientar as decisões no país
– a ação e as decisões dos governantes devem sempre levar em consideração o que a lei estabelece, a lei coloca limites ao poder de decisão dos governantes
– as ações dos governos devem ser voltadas ao respeito e à satisfação dos direitos dos cidadãos, isto é, faz parte das funções do Estado trabalhar para garantir a justiça social no país
– divisão entre os três Poderes que fazem parte do Estado: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário são poderes independentes e cada um tem sua função. O Legislativo é o responsável por fazer as leis que permitem que o Executivo tome decisões. Já o Judiciário é independente para julgar e deve ser imparcial nas suas decisões.Estado democrático de direito na Constituição Federal de 1988
O Brasil é um Estado democrático de direito, de acordo com o que é expresso no 1º artigo da Constituição Federal de 1988: “Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito (…).”
Diferença entre Estado democrático de direito e Estado de direito
Embora existam semelhanças entre as duas definições é importante saber que Estado democrático de direito e Estado de direito não se tratam exatamente do mesmo conceito.
De maneira simplificada a ideia de Estado de direito é relacionada com o fato de que o funcionamento do Estado deve ser baseado no que é determinado pela lei, ou seja, o poder de decisão estatal é limitado pelo que a lei permite. Essa ideia também é presente no Estado democrático de direito.
O Estado de direito surgiu depois do período absolutista, em que os governantes tinham um poder ilimitado de decisão, não devendo obediência às leis. Depois do surgimento do Estado de direito o governante continuou a ter poder de decisão, mas ele ficou limitado ao que a lei permitia.
A principal diferença entre os conceitos é que no Estado de direito não existe a preocupação com a garantia dos direitos fundamentais e sociais dos cidadãos por parte do Estado.
Já no Estado democrático de direito, além do poder de decisão continuar a ser limitado pela lei, ele também deve levar em consideração os valores sociais e os princípios fundamentais da Constituição.
FONTE: (https://www.significados.com.br/estado-democratico-de-direito/ acessado dia 17/06/2020 às 18h)
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Os totalitarismos Europeus: o fascismo e o nazismo
Um dos principais reflexos da Grande Depressão (1929), que teria implicações mais profundas, foi o fortalecimento dos partidos nacionalistas de extrema direita na Europa.
Três fatores foram responsáveis pelo surgimento, na década de 20, do fascismo:
- cenário do pós guerra marcado pela incerteza e pela desilusão nos países mais prejudicados
- A vitória da Revolução Bolchevique e o temor frente a expansão comunista
- A desilusão para com o liberalismo e os valores democráticos.
O FASCISMO é um movimento político ultranacionalista e armamentista surgido na Itália no início do século 20. O fascismo prega um Estado forte e paramilitar, geralmente ligado a uma identidade étnica, com rejeição a outras culturas e vinculado à imagem de um líder. Rejeita tanto o liberalismo, quanto o socialismo e se declara uma nova ideologia baseada na força das armas e da propaganda política de exaltação do nacionalismo e do chefe de governo. Surgiu, na Itália, por volta de 1914, em reação ao comunismo e em defesa da pátria e da propriedade privada.

A palavra “fascismo” é de origem italiana e vem de “Fasci di Combattimento” (Esquadra de Combate). “Fascio”, em italiano, significa “feixe de varas”. O símbolo fascista consistia em uma machadinha envolta por um feixe. Em Roma, na Antiguidade, o lictor (uma espécie de oficial de justiça) levava uma machadinha envolta por um feixe de varas (em latim, “fesce”) nas mãos, quando ia executar as ordens judiciais. O feixe de varas significava união e força. As varas, unidas, ilustravam o povo italiano. A machadinha ilustrava o poder do “duce” (comandante) e a repressão. A mensagem era clara: ou os italianos se uniam e permaneciam fiéis a Mussolini, ou cabeças rolariam. Os fascistas do século XX tinham como influência o poderio do Império Romano. Queriam reviver as glórias passadas quando o Império predominou na Europa. Para isso, precisariam adotar um símbolo que remetesse disciplina e obediência. “Crer, obedecer e combater” eram os princípios da doutrina fascista. Características básicas da ideologia fascista:
- Nacionalismo (patriotismo exacerbado);
- Estatismo (Estado forte, paramentado e soberano);
- Transcendência (misticismo quanto ao discurso e às ações do líder);
- Expurgos (uso da violência, e não da razão pelos apoiadores);
- Paramilitarismo (Exército operante e influente dentro do Estado)
Em 1922, a MARCHA SOBRE ROMA, uma manifestação dos CAMISAS NEGRAS (membros do Partido Fascista), liderado por Benito Mussolini, desestabilizou o governo. Após esse episódio, Mussolini foi indicado como Primeiro Ministro da monarquia parlamentar italiana.
Na mesma década, as ideias fascistas começaram a ganhar espaço na Alemanha. Já em 1923, o agitador fascista Adolf Hitler, tentou um golpe, o PUTSCH DE MUNIQUE, que acabou por levá-lo a prisão.
Após a crise de 1929 e durante a Grande Depressão, agravou-se muito a situação na Itália e na Alemanha. Nesse contexto, o fascismo aparecia como a única alternativa para a classe média, uma vez que se tratava de uma ideologia burguesa.
À medida que a crise se agravou, os fascistas alemães, representado no Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista), aumentaram sua presença no Parlamento (Reichstag). Em 1933, o Partido Nazista (cujo nome derivava da sigla do Partido em alemão) chegou ao poder.

Hitler discursa para a Juventude Nazista 
clique aqui e conheça mais sobre esse símbolo CARACTERÍSTICAS DOS TOTALITARISMOS culto ao chefe e obediência cega ao líder, representados em um dos mais conhecidos lemas do nazi-fascismo: Acredita! Obedece! Luta! Totalitarismo Exaltação da coletividade nacional Nacionalismo soberania absoluta do Estado Autoritarismo Exaltação da guerra como uma força purificadora e revigoradora para um povo alcançar o poder militarismo monopólio da representação política por um único partido de massa Unipartidarismo Desprezo aos valores do individualismo liberal e defesa do ideal de colaboração entre as classes Voluntarismo Direção estatal da economia que continua privada corporativismo valorização da fé mística, do auto-sacrífício e culto ao heroísmo Romantismo Valorização da superioridade racial Racismo “Pouco racional, o fascismo é um protesto do instinto, um sobressalto das potências elementares contra o racionalismo. É também um movimento pragmático que enfatiza a eficácia, os valores de ação e não se constrange em apresentar um sistema completo e uma formulação explícita de si mesmo. Os movimentos fascistas se afirmam como uma reação: reação contra os adversários, contra as cotações que lhe são impostas, contra os perigos. O fascismo é um combate, e Hitler dá ao seu tratado um título significativo: Mein Kampf (Minha Luta)” (René Remond)
PERFIL DOS REGIMES TOTALITÁRIOS
Embora houvesse diferença entre eles, ao chegar ao governo, os movimentos totalitários mostraram diversas características em comum.- concentração do poder nas mãos de um pequeno grupo de pessoas, organizada em um único partido
- Extinção das liberdades e dos direitos individuais e coletivos
- Repressão sem limites, que estabelecia rígido controle sobre a vida pública e privada das pessoas
- Uso dos meios de comunicação de massa para exaltar o governo e a figura do líder e para difundir a ideologia do partido
- Perseguição implacável aos socialistas, comunistas e outros grupos opositores do regime
- Censura e controle dos meios de comunicação, violência e ódio contra as minorias, como homossexuais, imigrantes, ciganos e judeus
- Capacidade de mobilizar o apoio de amplos setores da população apesar da repressão exercida
ESSA NOVA FORMA DE CONTROLE DO PODER RECEBEU O NOME DE TOTALITARISMO
Apesar de apresentarem características em comum, o fascismo italiano, o nazismo alemão e ao stalinismo soviético não eram idênticos. Havia diferentes modos de organização do Estado e da Economia.Enquanto o nazismo e o fascismo são de extrema-direita, o stalinismo foi de extrema-esquerda.
Os nazistas e fascistas, entendiam que indústrias, fábricas e bancos deveriam pertencer a iniciativa privada. Para esses dois regimes, o Estado deveria interferir na economia para garantir o desenvolvimento do capitalismo e beneficiar grupos industriais e financeiros. Muitas empresas italianas e alemãs não só apoiaram como se beneficiaram com o nazismo e com o fascismo.
Já o stalinismo defendia a completa interferências do Estado na produção e o fim da propriedade privada. Assim, o regime stalinista obrigou os camponeses a abandonarem suas pequenas propriedades agrícolas a se organizarem em fazendas coletivas, manteve sob o controle estatal todo o desenvolvimento industrial da União Soviética.
O Nazismo, por sua vez, foi o único desses regimes totalitários a defender a ideia de superioridade biológica (eugenismo) e racial (racismo). Para os nazistas, a “raça germânica” – ou ariana – seria uma “raça pura e superior”. Assim, os arianos teriam direito – e até o dever – de subjugar povos considerados “inferiores”, como os judeus e os ciganos. A crença nessa suposta superioridade levou o regime nazista a por em prática um plano de eliminar os judeus (antissemitismo).

Mussolini (esquerda) e Hitler (direita), cada um com os seus símbolos A MORTE DE MUSSOLINI
O líder italiano Benito Mussolini morreu no dia 28 de abril de 1945 quando tentava fugir de Itália. Foi executado por resistentes anti-fascistas no norte do país e o seu corpo e o da amante, Claretta Petacci, exibidos em público.Após a execução, o corpo de Benito Mussolini foi levado até ao centro de Milão onde foi mutilado e pendurado de cabeça para baixo, ficando exposto para que todos o pudessem ver. Ao seu lado estava Claretta Petacci.
Terminava assim a vida do primeiro ditador fascista a assumir o poder num país europeu. Enquanto líder de Itália tentou reencarnar o espírito de Júlio César ressuscitando mesmo alguma da iconografia do período imperial.
FILMES PARA ENTENDER O FASCISMO
Por último, deixamos aqui algumas dicas de filmes para que se passam na época do fascismo e do nazismo para aprender enquanto come uma pipoquinha:- A vida é bela
- O menino do pijama listrado
- A lista de Schindler
- O leitor
- A escolha de Sofia
- Prelúdio de uma guerra
- A onda
- Bastardos Inglórios
CURIOSIDADE: O que significa ser “direita” ou “esquerda”?

Em política, a palavra “Direita” tem origem na Revolução Francesa (em alusão ao grupo que ficava a direita do Parlamento – Girondinos) e designa pessoas, grupos ou governos com posições políticas e sociais mais conservadoras. Oposta à esse termo está a palavra “esquerda” (que ficava a esquerda no Parlamento – Jacobinos), usada para definir pessoas, grupos ou governos que apoiam mudanças mais radicais na sociedade (como a reforma agrária, por exemplo) e valorizam a igualdade econômica e social entre as pessoas. O termo “centro”, por sua vez, em geral, designa pessoas ou grupos com posições políticas moderadas e que podem variar conforme a situação. No contexto que estamos, os fascistas e os nazistas são de direita, os socialistas/soviéticos, de esquerda.Um livro bem legal para se inteirar de assuntos relacionados à política é o DICIONÁRIO DE POLÍTICA, de Norberto Bobbio, clique aqui e compre o seu ou baixe em .pdf, clicando aqui.
Veja mais clicando aqui.
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O Islamismo – Um resumo
A península Arábica é uma região inóspita, pouco favorável à sobrevivência humana, devido à predominância de desertos. Por volta de 600 d.C., era habitada por tribos nômades, os beduínos, que viviam do pastoreio, e por tribos que habitavam as cidades, como Medina, Taife e Meca, localizadas na estreita faixa fértil da região oeste. Caravanas de mercadores atravessavam o deserto levando no dorso de camelos especiarias, perfumes, metais preciosos, marfim, seda etc., vindos da Índia, Síria e África. Esses produtos eram comercializados nas grandes cidades.
Meca era a cidade mais próspera, além de importante centro religioso, pois ali estava a Caaba e um santuário com centenas de estátuas de deuses e deusas árabes. Cada tribo tinha seus ídolos, mas todas adoravam a principal divindade, Alhah, o criador do Universo, e veneravam a Pedra Negra, que os árabes consideram sagrada.
A partir de 613, Muhammad, um ex-caravaneiro, começou a fazer pregações dizendo-se inspirado pelo anjo Gabriel e enviado por Allah como profeta de uma nova religião: o Islam ou islamismo. Ele condenava o politeísmo árabe e anunciava a salvação eterna àqueles que obedecessem a Allah.
Os mercadores e autoridades de Meca, para os quais o culto aos ídolos era uma fonte de lucros, não aceitaram o monoteísmo de Muhammad passaram a perseguí-lo. Muhammad fugiu para Medina, “a cidade do profeta”, e ali fundou uma comunidade de fiéis (Ummah) da nova religião, os muçulmanos. Esse episódio, conhecido como Hégira, ocorreu em 622 e é o marco inicial do calendário muçulmano. Anos depois, em 630, Muhammad voltou a Meca, venceu seus inimigos e transformou a cidade no centro religioso do islamismo. Conservou a Caaba e a Pedra Negra, mas destruiu todos os ídolos. Com a morte de Maomé, em 632, o islamismo se difundiu pela Arábia, unindo as tribos em uma única fé e sob um único líder, o califa, sucessor do profeta.
Após sua morte, seus ensinamentos foram registrados em um livro sagrado, o Corão. O islamismo reúne princípios do judaísmo, do cristianismo e de uma religião persa antiga, o zoroastrismo. Reconhece cinco profetas importantes antes de Muhammad: Adão, Noé, Abraão, Moisés e Jesus.
O IMPÉRIO ISLÂMICO
Muhammad ordenou aos seus seguidores que convertessem todos os povos ao islamismo. Prometia aos vitoriosos os bens dos vencidos e o paraíso àqueles que morressem combatendo pelo Islã. Os árabes muçulmanos obedeceram a Maomé e, no mesmo ano da morte do profeta, começaram o jihad, a guerra santa. Encontraram pela frente povos enfraquecidos e desunidos ou dispostos a acolher os invasores para se libertarem de um domínio ainda mais opressivo.
Os árabes dominaram extensas regiões do Império Bizantino, ocuparam o Império Persa, estenderam suas fronteiras até a Índia e parte da China. Tentaram submeter Constantinopla, mas foram duas vezes repelidos (em 678 e 718). Atravessaram o estreito de Gibraltar ocuparam a Península Ibérica. Planejaram invadir a região correspondente à França atual, mas foram derrotados na batalha de Poitiers (732). Em menos de um século os muçulmanos conquistaram grande parte do que havia sido o antigo Império Romano. Foi uma das expansões mais rápidas da História.
O poder político e religioso estava inicialmente concentrado tem uma única pessoa: o Califa. Ele exercia a justiça e administrava os negócios do governo imperial. Seu imenso palácio ficava na capital, inicialmente Medina, depois Damasco e mais tarde Bagdá. O Império Islâmico dividia-se em diversas províncias. Com o tempo, algumas delas tornaram-se independentes do califa, como foi o caso da província islâmica da Península Ibérica (Portugal e Espanha), em 756. Contudo, o espírito religioso e a língua mantiveram unidos os árabes de todo o império.
As cidades eram os principais centros da comunidade muçulmana. Algumas eram enormes para a época. Ali estavam as mesquitas, os palácios, as lojas (os bazares), os armazéns, as oficinas, os banhos públicos, as bibliotecas, as escolas e universidades. Ali chegavam caravanas e navios carregados de mercadorias da Índia, da China, da África e da Europa. No comércio, usavam-se moedas árabes (o dinar) e bizantinas.
A atividade rural também recebeu atenção do governo islâmico. Foram construídos aquedutos subterrâneos que levavam água até as plantações e aldeias. Os lavradores receberam instrução para preparar diferentes misturas de estrumes para cada cultivo. Plantas das regiões tropicais e subtropicais, como laranja, limão, cana-de-açúcar, algodão, romã e amendoim, foram introduzidas na Península Ibérica.
A ARTE A CULTURA ISLÂMICA
Uma das mais importantes contribuições dos árabes muçulmanos para o Ocidente foi a transmissão dos conhecimentos gregos antigos. Sábios árabes traduziram os grandes filósofos, como Aristóteles, os tratados de Medicina de Hipócrates e Galeno e de Geografia de Ptolomeu. Assimilaram também os conhecimentos dos bizantinos, persas, indianos e chineses, introduzindo na Europa algumas invenções desses povos, como a bússola, o astrolábio, o papel e, provavelmente, a pólvora.
Os árabes descobriram diversas substâncias químicas, como o álcool, o ácido sulfúrico, o alume, o salitre etc. Descreveram os processos químicos da destilação, filtração e sublimação. Fizeram importantes descobertas na Medicina, como a natureza contagiosa da tuberculose, a propagação de doenças pela contaminação da água e do solo, o diagnóstico da varíola e do sarampo e muitas outras. Seus hospitais eram famosos.
Na Matemática, difundiram o sistema decimal, os chamados algarismos arábicos e o sistema posicional de numeração, com um símbolo para o zero – elementos tomados dos indianos, que usamos até hoje. Essas inovações revolucionaram a matemática, pois permitiam escrever qualquer número e fazer cálculos complexos utilizando apenas dez algarismos.
Desenvolveram a álgebra, a trigonometria e a geometria com os cálculos de áreas e volumes. A partir da observação do céu e dos astros, que lhes serviam para se orientarem pelo deserto, deixaram importantes estudos sobre estrelas e constelações.
Construíram observatórios astronômicos em Bagdá, Damasco, Córdoba e Cairo. Calcularam com exatidão a circunferência e o diâmetro da Terra.
A Península Ibérica, chamada em árabe AI-Andalus, foi um importante centro difusor dos conhecimentos árabes para o restante da Europa. As peças de ferro, cerâmica, vidro, peles e marfim produzidas pelos mouros (como eram chamados os muçulmanos na Espanha) eram muito prestigiadas. Os reis europeus adquiriam com moedas de ouro objetos feitos pelos artesãos árabes, especialmente as famosas espadas de Toledo. Córdoba tornou-se, a partir do século X, a principal cidade do Ocidente.
Ali conviviam, com relativa tolerância, comunidades de cristãos, muçulmanos e judeus. A cidade possuía setenta bibliotecas, livrarias, escolas e uma universidade. Suas mesquitas e palácios, com magníficas fontes e jardins internos, eram as mais imponentes construções da Europa.
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O ISLAMISMO – TEXTO DE APROFUNDAMENTO
O Islamismo é uma religião monoteísta, revelada pelo último profeta. De acordo com a crença Islâmica, Muhammad (Muhammad) foi o último profeta. Ele foi nasceu em Meca, cidade da Arábia Saudita, em 570 d.C.
A expressão ‘islã’ representa ‘submissão’ e traduz a obediência às regras e aos desejos de Alá. Os que seguem esta doutrina são conhecidos como muçulmanos – os que se submetem a Deus.
De acordo com os ritos islâmicos, Muhammad obteve das mãos do próprio anjo Gabriel, enviado divino, os preceitos básicos que constituem o Islã – orientações de ordem religiosa, dogmática e moral, organizadas em um livro considerado sagrado pelos muçulmanos, o Corão, que também retrata várias passagens do Antigo Testamento.
Segundo as narrativas islâmicas, há um único Deus, Alá, e Muhammad foi seu último profeta, enviado para disseminar entre os homens os ensinamentos sagrados, quando este tinha quarenta anos. Com o auxílio da fortuna de sua esposa, Khadija, ele realizou seu apostolado, não sem enfrentar uma forte adversidade. Foi perseguido em sua cidade natal e obrigado a se exilar em Medina, em 20 de junho de 622, episódio que historicamente ficou conhecido como Hégira – emigração, ponto zero do calendário muçulmano até nossos dias.
O Islamismo condensa influências de várias religiões, além do princípio essencial da revelação divina, congregando elementos legados pelo Judaísmo, como a circuncisão, e possivelmente também o seu teor monoteísta; pela doutrina judaico-cristã, a idéia do Juízo Final; os djinn, gênios do bem ou do mal, herdados de crenças ancestrais. Os preceitos ditados pelo Alcorão são considerados como verdades absolutas, incapazes de conter qualquer falha. Este livro é organizado em 114 suras ou capítulos, dispostos por tamanho, o maior contendo 286 versos. Há uma outra fonte de orientação para os muçulmanos, princípios que partem dos ditos e feitos do Profeta, ou seja, dos ahadith, contidos na Suna.
O Islã, significativo em seu teor religioso, é também uma doutrina moral e política. Como algumas religiões cristãs, ele também prega a crença no Juízo Final, com sua divisão entre os justos, que irão para o Paraíso, por toda a eternidade, e os maus, que arderão no fogo do inferno para sempre. Mas, ao mesmo tempo, o homem parece não ter escolha entre o bem e o mau, pois as pessoas parecem ter seu destino já traçado por Alá – uma de suas máximas afirma ‘estava escrito’.
Entre as obrigações dos fiéis do Islamismo estão as orações obrigatórias, cinco vezes ao dia, voltado para Meca; não exercer o culto de imagens, o que para eles representa um ato de idolatria, e visitar Meca pelo menos uma vez na vida. Aliás, esta é uma das cidades sagradas para os muçulmanos, que assim consideram também Medina, onde o Profeta edificou sua primeira mesquita, e Jerusalém, que os islamitas acreditam ser o local de onde Muhammad ascendeu aos céus, na direção do Paraíso, para lá permanecer junto a Jesus e a Moisés.
Não há um clero islâmico, com uma hierarquia fixa e estabelecida. Quem coordena as orações em público é o imã, enquanto os teólogos cultos são conhecidos como Ulemás. Os muçulmanos realizam suas cerimônias religiosas dentro de templos chamados de mesquitas.
Há algumas nações islâmicas em que o Governo permite a poligamia, prescrita pelo Corão, e nestes lugares o marido pode se unir a quatro esposas.
Os muçulmanos formam basicamente dois blocos maiores – Sunitas e Xiitas. Os primeiros subdividem-se em Hanafitas, Malequitas, Chafeitas e Hambanitas. Eles são herdeiros da tradição de Muhammad, que teve continuidade nas mãos de seu tio All-Abbas. Já os Xiitas são discípulos de Ali, marido de Fátima, filha do Profeta; consideram-se os sucessores espirituais de Muhammad.
Esta religião tem crescido muito nos últimos tempos, é agora a segunda maior do Planeta. Seus seguidores já ultrapassam a casa dos 1.2 bilhões, com grande parte de seus discípulos localizada nos países árabes do Oriente Médio e do Norte da África.
Alguns dos preceitos religiosos islâmicos estão traduzidos na Sharia, que guia os muçulmanos mais radicais no seu dia-a-dia, no comportamento, nas ações e na alimentação. Também impõe penas brutais para desvios ou atitudes consideradas incorretas perante o Alcorão. Por exemplo, o roubo é punido com o amputamento das mãos; questionar o Alcorão ou Muhammad, ser homossexual ou mudar de religião são crimes punidos com a morte (apedrejamento, fuzilamento, etc.). A Sharia ainda autoriza o casamento de meninas a partir dos 9 anos de idade, determina a mutilação do clitóris, proíbe que as mulheres testemunhem contra homens em casos de estupro, incentiva a Taqiyya (a propagação de mentiras e contra-informação, desde que isso contribua para a causa do Islã) entre muitas outras ações.
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O Século XIX
O século XIX (de 1801 a 1900) foi um período histórico marcado pelo colapso dos impérios da Espanha, China, França, Sacro Império Romano-Germânico e Mogol. O século também testemunhou o crescimento da influência dos impérios Britânico, Russo, Alemão, Japonês, e dos Estados Unidos, estimulando conflitos militares, mas também avanços científicos e de exploração. Depois da derrota do Império Francês em 1815 (Napoleão morreu em 1821 na Ilha de Santa Helena) e seus aliados nas Guerras Napoleônicas (As Guerras Napoleônicas revolucionaram os exércitos e táticas das nações da Europa, com grandes tropas sendo deslocadas para o combate de forma nunca antes vista no continente) o Império Britânico adquiriu a supremacia mundial, passando a controlar um quarto da população e um quinto do território mundial.
Aplicando a Pax Britannica, incentivou o comércio, e lutou contra a pirataria. O século XIX foi uma era de invenções e descobertas, com significante desenvolvimento nos campos da matemática, física, química, biologia, eletricidade e metalurgia, lançando as bases para os avanços tecnológicos do século XX. A Revolução Industrial começou na Inglaterra.
A Era Vitoriana (A era vitoriana no Reino Unido foi o período do reinado da rainha Vitória, em meados do século XIX, de junho de 1837 a janeiro de 1901) foi afamada pelo emprego de jovens crianças em fábricas e minas, além de valores morais rígidos. O Japão embarcou num programa de rápida modernização após a Restauração Meiji, antes de derrotar a China, sob a Dinastia Qing, na primeira Guerra Sino-Japonesa.
Avanços medicinais, o conhecimento da anatomia humana e a prevenção de doenças que ocorreram no século XIX, foram responsáveis pela rápida aceleração do crescimento populacional no Hemisfério Ocidental. A população europeia dobrou durante o século XIX, de cerca de 200 milhões para mais de 400 milhões.
A introdução de ferrovias, o primeiro grande avanço no transporte terrestre por séculos, melhorou o modo de vida das pessoas e favoreceu os grandes movimentos de urbanização nos países ao redor do globo.
Várias cidades ultrapassaram populações de um milhão ou mais, durante esse século. Londres transformou-se na maior cidade do mundo e na capital do Império Britânico. A sua população expandiu de 1 milhão, em 1800, para 6,7 milhões até o final do século.
Os territórios que restavam não descobertos, incluindo as vastas extensões do interior da África e Ásia, foram descobertos durante esse século. No entanto, o mesmo não ocorreu com zonas extremas do Ártico e da Antártida. Em 1890, havia precisos e detalhados mapas do globo.
O liberalismo tornou-se o movimento de reforma proeminente na Europa. A escravidão ou escravatura foi grandemente reduzida ao redor do mundo após o sucesso da Revolta Escrava no Haiti. A Inglaterra forçou bárbaros piratas a parar com as suas práticas de sequestro e escravismo, banindo a escravidão em todo seu domínio, além de cobrar que a sua marinha encerrasse com o comércio global de escravos. Os Estados Unidos, após a sua Guerra Civil, aboliram a escravidão em 1865. A escravidão brasileira foi abolida em 1888. E a servidão foi abolida na Rússia.
O século XIX também viu a rápida criação e desenvolvimento de muitos desportos, particularmente na Inglaterra e nos Estados Unidos.
Assim como o futebol, rúgbi e o beisebol, muitos outros desportes foram desenvolvidos durante esse período, enquanto o Império Britânico facilitou a propagação rápida de desportos como o críquete para diferentes partes do mundo.
O Imperialismo do século XIX consistiu num tipo de política expansionista das principais nações europeias, que tinha por objetivo a busca de mercado consumidor, de mão de obra barata e de matérias-primas para o desenvolvimento das indústrias. Esse fenômeno de expansão dos países europeus teve início a partir do momento em que, após as Revoluções Burguesas dos séculos XVII e XVIII e da formação das nações modernas na Europa (como Alemanha, Itália e França), houve um intenso processo de industrialização desses países.
A industrialização gerou, por conseguinte, uma forte concorrência entre as nações, que passaram a disputar territórios e estabelecer as suas fronteiras com exércitos modernizados e uma sofisticada diplomacia.
Esse processo acentuou gradualmente o caráter nacionalista dos países europeus. Ao mesmo tempo, a industrialização também exigia uma integração econômica nunca antes vista.
O capital gerado pela indústria, isto é, toda a riqueza do processo de produção – desde maquinários até produtos para consumo –, precisava de crédito e de sustentação financeira. Os setores do capital financeiro (bancos e bolsas de valores) passaram a se integrar com o setor das indústrias, criando assim maneiras de estruturar a complexidade da economia mundial integrada.
E, assim como nos séculos XV, XVI e XVII, nos quais nações europeias como Portugal e Espanha promoveram a colonização do continente americano (e dessas colônias extraíram matérias-primas e nelas desenvolveram sistemas de organização política e administrativa), as nações imperialistas industrializadas do século XIX promoveram a colonização de regiões da África, da Ásia e da Oceania. O processo de expansão para essas regiões foi marcado por várias tensões e guerras. A África, por exemplo, teve seu território dividido nesta época entre as nações europeias, num evento denominado Conferência de Berlim, ocorrido em novembro de 1884. Essa divisão caracterizou-se pela completa arbitrariedade, tribos africanas inteiras foram desagregadas com a divisão, enquanto que algumas se mesclaram com outras que eram suas rivais históricas. A Inglaterra, nessa época, ficou conhecida como o grande Império “onde o Sol não se põe”, exatamente por conta de sua vasta expansão, que integrava grandes países, como a Índia e a Austrália.
O Imperialismo chegou ao seu ponto de saturação no início do século XX, quando as tensões nacionalistas se tornaram mais veementes. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) é fruto direto dessa saturação.
O liberalismo
Em meio às transformações sociopolíticas da Era das Revoluções, duas correntes de pensamento fermentaram as atuações nos séculos XIX e XX: o liberalismo e o socialismo. Entre os pensadores liberais destacaram-se Malthus e Ricardo, herdeiros da economia política de Adam Smith. Malthus ficou conhecido por afirmar que o crescimento da população ocorreria em progressão geométrica, enquanto o crescimento da produção de alimentos ocorreria em progressão aritmética, o que resultaria em pobreza e fome generalizadas. A saída seria negar assistência às populações pobres e induzi-las à abstinência sexual. Ricardo defendia a “lei férrea dos salários”, garantindo a ordem produtiva e a sujeição trabalhista.
Os socialismos
As ideias voltadas para o social organizavam-se basicamente nas seguintes correntes: socialismo utópico, doutrina social da Igreja (socialismo cristão), anarquismo e marxismo (socialismo científico).
Entre os utópicos estavam Saint-Simon, Fourier (defendendo os falanstérios) e Robert Owen (defensor das cooperativas).
Na doutrina social da Igreja destaca-se a encíclica Rerum Novarum, de Leão XIII, defendendo entendimentos entre burgueses e operários.
No anarquismo, o principal nome foi Mikhail Bakunin, com suas propostas radicais de atuações terroristas, como a destruição do Estado.
No socialismo marxista, os líderes foram Karl Marx e Fricdrich Engels. O marxismo Marx e Engels defendiam como princípios centrais do socialismo científico: o materialismo dialético, a luta de classes, a mais-valia e a revolução socialista. No marxismo, o socialismo representaria uma transição entre o capitalismo e o comunismo.
Os movimentos trabalhistas
Os trade-unions e o ativismo reivindicatório e contestatório (Carthismo) contribuíram para as iniciativas em prol da organização dos trabalhadores de forma internacional.
A I Internacional foi fundada em Londres, em 1864, e caracterizou-se pelos confrontos entre marxistas e anarquistas, desaparecendo 12 anos depois.
A II Internacional (1889) foi baseada principalmente no ideal de alcançar o socialismo lentamente, via eleições, apesar da oposição de Rosa Luxemburgo e Lênin.
A III Internacional (1919) teve por base a revolução bolchevique russa de 1917, liderando e estimulando o surgimento dos partidos comunistas por quase todos os demais países da Europa, da Ásia e da América.
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Danton – O Processo da Revolução
Danton – O Processo da Revolução
Logo no comeco do filme:
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Os fiscais estavam com o barrete frigio vermelho na cabeca (simbolo da revolucao)
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Danton passa numa carroca e olha atentamene para a Guilhotina que esta suja de sangue
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a crianca despida (a nova franca advinda da revolucao) diante da mae (revolucao) eh obrigada a recitar versos da Declaracao Universal dos Direitos do Homem, quando nao o faz de forma correta sofre punicao pela mae. Ou seja, a crianca representa a nova Franca que, se nao seguir os tracos correto podem ser corrigidos pelos seus lideres
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ao abrir as cortinas, a mae, traz luz.
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uma pessoa que passa a pe na fila do pao, estava a caminho da guilhotina
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Danton é um grande lider popular
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Os escritos de Danton sao uma afronta aos intresses de Robespierre, que representa o governo revolucionario. Ou seja, Danton é mais revolucionario ainda.
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Saudacoes e Fraternidade
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destruiram a grafica onde os impressos de Danton estavam sendo impressos. Onde esta a liberdade de expressao?
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Enquanto o povo sofre com a pobreza, falta de pao, Robespierre se da ao luxe de ter barbeiros e de se produzir luxuosamente. Contrario ao que estava passando o povo. Isso que Danton questionava.
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Desmolious é um aliado de Danton. Mas mais radical ainda.
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A nova elite passou a tratar o povo comum da mesma forma que era tratado pela nobreza antes.
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Na assembleia, é visivel que o lado direito é mais vazio que o esquerdo.
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Pelo pais se faz qualquer coisa. Ou seja, eles (o governo da convencao) acham que a vontade deles é a correta e fazem qualquer coisa para manter-se no poder.
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Todo individual excepcional é superior å massa. (Danton)
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Aviso a Robespierre: separados cairemos os dois.
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Danton se vangloria por ter o verdadeiro poder: o da rua.
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Passam por cima da lei para fazer fazer a valer a vontade deles
- O processo a que Danton foi submetido era um processo politico que tem uma mecanica diferente do processo judicia. No processo politico, os que dominam o poder
Resenha
Fonte: Fonte: http://www.planocritico.com/critica-danton-o-processo-da-revolucao/
A principal característica da filmografia de Andrzej Wajda são as constantes críticas à opressão e governos totalitaristas, algo que pode ser verificado no ótimo O Homem de Ferro. Mesmo em sua fase francesa, o diretor não abandonou seus ideais e nos presenteia com Danton- O Processo da Revolução, uma obra que, além de fazer essas críticas, apresenta o embate ideológico entre dois personagens importantes da revolução francesa.
A obra mostra Danton (Gérard Depardieu), um dos líderes da revolução, que enfrenta o governo na tentativa de mudar a situação. Confiando no apoio popular, ele entra em choque com Robespierre (Wojciech Pszoniak), seu antigo aliado, mas acaba sendo levado a julgamento.
O filme inicia 11 anos após a revolução francesa, a república já está estabelecida e a democracia é feita através dos comitês. Apesar de parecer um cenário promissor, Wajda, inteligentemente, logo na primeira cena, insere o tom de sua obra, mostrando uma carruagem aproximando-se da entrada de Paris e sendo abordada por guardas, enquanto a paleta de cores escura ressalta como o clima na França é de terror. Esse ambiente inseguro e de vigilância serve de motor para a trama. Portanto, vemos Danton questionando as decisões do governo enquanto Robespierre defende o país a qualquer custo, servindo para exemplificar os dois lados naquela disputa, o do povo e o dos governantes.
Além do confronto ideológico sobre o futuro da França, Danton e Robespierre mostram duas visões opostas entre os revolucionários, a que ainda se importa com o povo e outra que se deslumbrou completamente com o poder. Aliás, o longa adquire um tom crítico com relação àqueles governantes, destacando como passaram a tomar atitudes que antes condenavam sobre o pretexto de ser pelo bem da nação. Portanto, as mesmas pessoas que condenavam os privilégios da elite moram em casas enormes e luxuosas, desfrutando do bom e do melhor, enquanto os cidadãos precisam passar horas na fila do pão, medida adotada pelos governantes para frear as manifestações contra-revolucionários, que eles dizem ser “contra o povo”, ou será contra seus interesses?
Mais do que mostrar o deslumbramento que alguns revolucionistas tiveram com o poder, o roteiro, escrito por Jean-Claude Cirrière, Jacek Gasiorowski, Agnieszka Holland e Andrezj Wajda, é perfeito em destacar como os ideais que motivaram a revolução francesa, liberdade, igualdade e fraternidade, foram ignorados por estas mesmas pessoas que lutaram por eles anos antes. Há uma cena, por exemplo, onde uma gráfica é destruída porque os jornais impressos ali continham artigos anti-governo, representando a quebra da liberdade. Já o fim da igualdade pode ser visto quando Danton é julgado, uma vez que, não é concedido a ele os direitos previstos na lei, sem contar que o júri é manipulado para condená-lo. Por fim, a partir do momento que Robespierre diz que não pretende agir para dar felicidade às ruas fica claro que fraternidade também não é um dos objetivos dos governantes.
Além do ótimo roteiro, o embate entre Danton e Robespierre funciona graças a grandes atuações de Gérard Depardieu e Wojciech Pszoniak e ambos conseguem transmitir com precisão a essência de seus personagens. Depardieu traz uma composição mais eloquente, mais gesticulada, mostrando o pouco refinamento de Danton e como ele assemelha-se mais com o povo do que com os governantes. Já Pszoniak mostra-se mais contido em seu papel, mas transmite em Robespierre um olhar de superioridade, demonstrando através de suas falas firmes que irá até o limite para conseguir o que quer.
Tecnicamente o filme é extremamente eficiente em recriar o início do século XIX, através de cenários e locações que evocam com eficiência o período. O mesmo pode ser dito para o figurino que, além de representar a época, cria contrastes entre os personagens, deixando Robespierre intimidador com seu casaco preto e Danton acolhedor com sua larga manta marrom. Já a trilha sonora mostra-se extremamente melancólica e pessimista, ressaltando como, apesar do sucesso da revolução, o futuro no país não é promissor.
A direção de Wajda opta aqui por usar vários planos médios e planos gerais, visando enquadrar mais de um personagem e assim valorizar o misancene. O diretor traz ainda alguns travellings laterais que servem para dinamizar determinados momentos e transmitir informações, como na cena em que Robespierre é questionado por seus colegas e a câmera lentamente o desloca do lado esquerdo para o centro do quadro, destacando como ele comanda aquele ambiente.
Conhecido por suas obras que se opõe ao totalitarismo, Wajda alcança aqui o auge de sua carreira, com uma obra que mostra como governos, por mais bem intencionados que sejam, podem se corromper facilmente com o poder. Além disso, fica claro aqui que o discurso populista e que se diz á favor da população, as vezes, não passa de uma fala para defender benefícios próprios.
Danton – O Processo da Revolução (Danton) – França, Polônia, Alemanha, 1982
Direção: Andrzej Wajda
Roteiro: Jean-Claude Cirrière, Jacek Gasiorowski, Agnieszka Holland, Andrezj Wajda
Elenco: Gérard Depardieu, Wojciech Pszoniak, Anne Alvaro, Roland Blanche, Patrice Chéreau, Emmanuelle Debever, Krzysztof Globisz, Ronald Guttman, Gérard Hardy, Tadeusz Huk, Stéphane Jobert, Marian Kociniak
Duração: 136 min
Fonte: http://www.planocritico.com/critica-danton-o-processo-da-revolucao/
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