O BRASIL PASSADO A LIMPO

Desde a fundação da República, em 1889, o Brasil já enfrentou diversos golpes de Estado. A própria proclamação da República foi, em si, um golpe. Em 1891, quando Deodoro da Fonseca renunciou, o marechal Floriano Peixoto assumiu a presidência desrespeitando a Constituição recém-promulgada. Em 1930, os militares depuseram Washington Luís, impediram a posse do presidente eleito Júlio Prestes e entregaram o poder a Getúlio Vargas, que, derrotado nas urnas, suspendeu a Constituição da República Velha e governou por decretos-leis até 1934.

Três anos depois, em 1937, o capitão Olímpio Mourão Filho elaborou o falso Plano Cohen, atribuindo aos comunistas uma conspiração para tomada do poder. O pânico gerado serviu de pretexto para que Vargas aplicasse um auto-golpe, instaurando o Estado Novo, que perdurou até 1945, em regime autoritário. Em 1955, houve uma tentativa de golpe para impedir a posse de Juscelino Kubitschek. O marechal Henrique Lott interveio e garantiu a legalidade. Em nome da “pacificação”, os golpistas foram perdoados — entre eles, o mesmo Olímpio Mourão Filho.

Em 1964, novamente sob liderança de Mourão Filho, agora general, tropas saíram de Juiz de Fora rumo ao Rio de Janeiro e depuseram o presidente constitucional João Goulart. Sob influência direta dos Estados Unidos, instaurou-se no país uma ditadura que produziu mortes, desaparecimentos, torturas e graves violações de direitos humanos. Em 1979, a chamada Lei da Anistia concedeu perdão tanto a perseguidos quanto a agentes do regime, perpetuando a impunidade.

Agora, em 2025, o Brasil testemunhou mais uma tentativa de golpe, desta vez conduzida por uma organização criminosa liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A tentativa fracassou. As instituições resistiram. Porém, como em episódios anteriores, não tardaram os pedidos de anistia, travestidos de “pacificação nacional”.

A diferença é que, pela primeira vez, a resposta foi outra. O Supremo Tribunal Federal, em 11 de setembro de 2025, sob firme direção do ministro Alexandre de Moraes, condenou os líderes do movimento a mais de 27 anos de prisão. Todos os acusados tiveram amplo direito de defesa. Ninguém foi torturado, ninguém foi lançado ao mar. Manifestações em apoio aos criminosos foram permitidas, sem repressão violenta. O próprio líder da quadrilha chegou a cumprir prisão domiciliar, mesmo após tentar obstruir a Justiça. Altos oficiais militares e ex-ministros de Estado foram julgados e condenados.

Pela primeira vez na história, militares e civis que tentaram impor sua vontade pela força foram responsabilizados judicialmente. O Brasil, enfim, começou a acertar as contas com seu passado de autoritarismo. É um marco histórico: a democracia brasileira resistiu, e o povo brasileiro reafirmou seu direito de viver em liberdade.

Viva a democracia brasileira. Viva o povo brasileiro.

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