Categoria: Ensaios

Textos autorais, reflexões e intervenções públicas.

  • Bolsonaro. Pequi Roído. Genocida.

    MARILIZ PEREIRA JORGE
    Jornalista e roteirista de TV.
    Artigo publicado na Folha de S. Paulo em 18/03/2021

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2021/03/bolsonaro.shtml

    Genocida. Ignóbil. Basculho. Baixo. Repugnante. Canalha. Deplorável. Mesquinho. Patife. Ordinário. Reles. Pulha. Sórdido. Torpe. Velhaco. Abominável. Detestável. Ralé. Biltre. Infame. Bandalho. Aberração. Calhorda. Desprezível. Pífio. Ignorante. Vil. Ribaldo. Soez. Jacodes. Cafajeste. Bronco. Inculto. Boçal. Néscio. Estúpido. Rude. Verme. Desgraçado. Maldito. Jumento. Monstruoso. Sádico. Burro. Insensível. Mentecapto. Demônio. Desalmado. Incapaz. Covarde. Crápula. Incompetente. Doentio. Sociopata. Peste. Idiota. Energúmeno. Reaça. Desequilibrado. Imoral. Rato. Mandrião. Beócio. Abjeto. Descarado. Pusilânime. Enxurro. Choldra. Gentalha. Labrusco. Desrespeitoso. Cruel. Facínora. Atroz. Maligno. Cafona. Execrável. Infando. Nefando. Abominável. Inclemente. Mau. Sicário. Viperino. Tirano. Impiedoso. Desumano. Malfeitor. Celerado. Estrupício. Chorume. Louco. Escroto. Lixo. Inútil. Escória. Ogro. Mitômano. Ególatra. Tosco. Verdugo. Mentiroso. Asno. Babaca. Déspota. Autoritário. Morte. Opressor. Tapado. Mandão. Autocrata. Desnecessário. Safardana. Prepotente. Abusivo. Injusto. Reacionário. Fascista. Cínico. Animal. Desaforado. Histrião. Grosseiro. Vulgar. Malandro. Inconveniente. Sujo. Sem-vergonha. Obsceno. Brega. Charlatão. Perverso. Monstro. Ditador. Embusteiro. Horrível. Desnaturado. Carrasco. Egocêntrico. Mariola. Salafrário. Imbecil. Lunático. Bufão. Garganta. Farofeiro. Farsante. Oportunista. Indefensável. Broxável. Carniceiro. Irresponsável. Excrementíssimo. Marginal. Praga. Traiçoeiro. Criminoso. Terrorista. Asqueroso. Cu de boi. Podre. Capiroto. Embuste. Lazarento. Indecoroso. Desmoralizado. Imprudente. Maléfico. Parasita. Delinquente. Seboso. Coisa-ruim. Quadrilheiro. Arrombado. Mau-caráter. Frouxo. Fracassado. Ressentido. Obtuso. Boçal. Brutamontes. Cavalgadura. Descortês. Lorpa. Pateta. Cretino. Parvo. Pacóvio. Inapto.

    Desqualificado.

    Pequi roído.

    Genocida.

  • Por um julgamento justo, por um juiz imparcial.

    Como #ProfessorDeHistória acredito que tenho que fazer um esclarecimento sobre o que está em julgamento na questão relacionada à parcialidade ou não do ex-juiz #SérgioMoro.

    EM MOMENTO ALGUM está sendo discutido se o #Lula é ou não inocente; em momento algum está se discutindo o mérito das acusações. Eu não ouvi em nenhum momento durante a sessão de julgamento de hoje (e eu assisti sessão toda, ou seja, não estou repetindo argumentos de outras pessoas), nenhum ministro do STF afirmar que o Lula era culpado ou inocente. A CULPABILIDADE OU NÃO DE LULA NÃO ESTAVA EM JULGAMENTO!

    O que está em questão é se o ex-juiz e ex-Ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, agiu dentro da legalidade do que se espera de um magistrado, a saber: o ex-juiz foi parcial ou imparcial em seus atos e julgamentos.

    As mensagens obtidas pela #OperaçãoSpoofing não foram desmentidas pelos membros da #ForçaTarefaDaLavaJato. Eles apenas afirmam que elas foram obtidas de forma ilegal (uma prova obtida de forma ilegal não pode ser usada para condenar; mas pode ser usada na defesa do réu). Contudo, se fossem mentirosas as conversas, os respeitáveis membro do MP já teriam vindo à público e mostrado as incongruências (coisa que não fizeram).

    Em todas as falas e mensagens divulgadas até agora mostram uma profunda ligação entre o órgão acusador (Ministério Público) e o órgão julgador (Juiz). O Juiz (que deveria ser neutro), orientava a promotoria nas estratégias de acusação, obtenção de provas entre outras artimanhas. O órgão investigador, com a ajuda e anuência e do órgão acusador e julgador, instalou escuta ilegal no escritório da defesa. O Juiz agiu de forma, inúmeras vezes, no cenário político de forma a favorecer o candidato que venceria as eleições, ao usar o sistema penal para fazer política. O grampo contra a ex-presidente Dilma, outra ilegalidade, foi uma importante jogada no xadrez das eleições de 2018. Ou seja, o ex-juiz agiu, de forma deliberada e articulada para fazer valer o seu juízo de valor de sociedade e não na aplicação da lei. Sérgio Moro agiu para tirar o ex-presidente do cenário político e, com isso, pavimentou o caminho para o seu apaniguado e que viria a ser o seu futuro patrão.

    A Declaração Universal dos Direitos Humanos (#DUDH) da #ONU, na qual o Brasil é um dos signatários, aponta, em 30 artigos claros e concisos, todos os direitos humanos que devem ser respeitados e disseminados pelos povos de todo o mundo. O seu artigo 10o. refere-se especificamente ao direito a um julgamento justo:”TODA PESSOA TEM DIREITO, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um TRIBUNAL INDEPENDENTE E IMPARCIAL, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele (NAÇÕES UNIDAS, 1948).

    Por sua vez, o inciso I do artigo 14 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (PIDCP), o qual o Brasil também é signatário afirma: “Todas as pessoas são iguais perante os Tribunais e as Cortes de Justiça. TODA PESSOA terá o direito de ser ouvida publicamente e com as devidas garantias por um TRIBUNAL COMPETENTE, INDEPENDENTE E IMPARCIAL“O Código de Processo Penal e o Código de Processo Civil também são importantes instrumentos na garantia do direito a um julgamento justo no Brasil. Destacam-se, alguns dispositivos desses códigos; no Código de Processo Penal, o artigo 155: “O juiz formará sua convicção pela LIVRE APRECIAÇÃO da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas”.

    Se o #STF demorou, se está parecendo estranho o porquê de se estar agindo só agora eu não tenho a resposta. A #História, mais uma vez, nos dará as respostas. O que posso dizer é que EM UM ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO um JUIZ DEVE SER IMPARCIAL!

    Eu não gostaria de ser julgado por um juiz que, em conluio com a promotoria, tramasse a minha condenação. Eu não gostaria de ser julgado por um juiz que combina com o Ministério Público como deve ser a minha acusação e que grampeia o escritório do meu advogado. Como disse o ministro #GilmarMendes, este tipo de atitude só é possível em ESTADOS AUTORITÁRIOS (eu diria FASCISTA mesmo!).

    ESSA É A GRANDE QUESTÃO: QUAL TIPO DE JUIZ VOCÊ GOSTARIA QUE JULGASSE VOCÊ?

    NÃO SE COMBATE UM CRIME, COMETENDO OUTRO CRIME!

    Se acham que Lula roubou, é corrupto, que o façam dentro dos limites da Lei e que o juiz seja imparcial.

    ISSO É UMA MARCA DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO.

  • A volta às aulas

    Olá meus amigos, bão?!Para quem não sabe, eu também sou professor de História das Redes Públicas de Ensino de Contagem (sou professor de uma EJA – ensino fundamental I e II) e do Estado (onde leciono para os alunos do 6o, 7p. ano/Fundamental e para uma turma do 2o. ano/Médio. Já fui vice-diretor de uma escola do Estado, Diretor de Escola Municipal por 06 anos, coordenador da EJA por 2 anos. Já trabalhei em cursinho pré-vestibular (desde aqueles voltados para a elite até aqueles populares), em cursos preparatórios, em escola particular… Ou seja, já vivi de tudo um pouco dentro do ambiente escolar. E é baseado nessa experiência que vou deixar uma reflexão aqui.

    Essa pandemia serviu para mostrar/escancarar uma coisa: como o ensino público é sucateado!

    A volta às aulas, nas escolas públicas, é IMPOSSÍVEL agora! As escolas públicas NÃO TEM A MÍNIMA CONDIÇÃO de criar um ambiente MINIMAMENTE seguro. Falta tudo em uma escola pública: sabão, papel higiênico, ventilação, cadeiras, mesas, quadros, pinceis… falar em álcool em gel, em pias para se lavar, em torneiras funcionando e em bebedouros adaptados é algo, então, surreal.

    As escolas particulares tem melhores condições, sem dúvida. Não tenho a menor dúvida de que eles tem TODAS as condições para o retorno das atividades presenciais. É claro que há o risco

    Para mim, a grande questão que está em jogo não é se as escolas tem ou não capacidade para se retornar. Para mim, o que se está em jogo é essencialmente a POLÍTICA EDUCACIONAL adotada pelo ESTADO brasileiro. O retorno das aulas exporá as vísceras da educação pública. Será o carimbo definitivo do abismo que separa as redes pública e privada de educação.

    Ao voltar, as diferenças sociais serão expostas de forma explícitas. É certo e sabido que haverá um crescimento da curva de contágios. E a pergunta que se faz é: onde serão tratados os doentes? Os contaminados da rede privada serão tratados na rede privada. O SUS suportará? Quem aí está disposto a ficar doente para tirar a prova dos nove?

    Voltando para a educação.

    Este período sem aulas só confirmou o que já se sabia. A educação pública está sucateada. E não se trata de financiamento, porque dinheiro TEM. Quando falo de sucateamento, não me refiro à falta de dinheiro. Refiro, principalmente, à falta de uma política pública que defina rumos certos e sensatos. O sistema educacional brasileiro é burocrático.

    Vou dar exemplo do que está acontecendo nas escolas estaduais. Exige-se do professor e dos gestores o preenchimento de trocentos relatórios que devem ser impressos e arquivados (ou seja, uma rotina analógica). Foram feitos PET (uma espécie de apostila onde o estudante irá realizar algumas atividades) descontextualizados e, para dizer o mínimo, estranhos (o de história do segundo ano/médio então… nem quero falar!). Aí cada escola criou uma rotina e uma forma de trabalho. Ao final do mês os estudantes enviam fotos dos pets respondidos e é lançado no relatório. Muitos não estão fazendo, alguns fazem bem feito e outros nem tanto. E pronto. Fica por isso. Isso não é ensino à distância. Isso não é educação. Estão fazendo algo para dar uma satisfação à sociedade. E a mesma está aceitando.

    Os professores, mal remunerados, sucateados, sem formação para trabalhar no digital são, muitas vezes ridicularizados por não saberem usarem as TIC’s. Assim, o abismo entre as redes aumentam. Muitos dos profissionais em educação sequer tem como bancar uma rede de dados móvel ou fixa com estabilidade e capacidade de tráfego de dados. Além do mais, também são pais e mães com filhos nas escolas. Sem acesso à internet para o básico. Pronto. Aumenta-se o abismo.

    Os pais querem que as escolas voltem pois não aguentam mais ficar com as suas crias em casa. Esqueceram que são responsabilidade deles. Há muitos anos transferiram para a escola o papel de agente educador (por essas e por outras não gosto de ser chamado de educador). E agora, com a hiperconvivência, não sabe o que fazer. Querem que a escola volte não para que seus filhos aprendam… mas sim para terem paz! Que situação chegamos! Na verdade, não estão nem um pouco preocupados com os seus filhos, se serão contaminados, se irão levar o vírus para casa onde moram pais, avós, tios… ou, muito menos, se irá contaminar o professor e os demais servidores da escola… afinal, querem o que… apenas terem paz! Talvez a paz sepulcral é que irão receber.

    Enfim, o governador quando diz que vai abrir as escolas, está jogando pra galera. Não tem responsabilidade e sabe que isso não irá ocorrer. Sabe que as escolas que estão sob sua responsabilidade não tem como voltar. E se voltar, sabe que vai ter que lidar com o crescimento de contaminados e, certamente, os casos graves irão aumentar também… a famosa curva vai subir novamente. O retorno às aulas vai deixar as estranhas da educação pública exposta aos urubus de plantão.

    E deixo aqui uma pergunta: quem da sua família você está disposto a deixar morrer para que as aulas voltem?

    Escolas do Distrito Federal amanhecem vazias
  • A César o que é de César

    No dia de hoje (14/09/2020), o presidente #JairBolsonaro vetou uma parte da lei que anistiava as igrejas do pagamento de dívidas para com a Receita Federal do Brasil. Disse que acreditava que o pleito era justo mas, se ele aprovasse a lei do jeito que estava iria incorrer em crime de responsabilidade e sugeriu ao Congresso Federal que derrubasse o veto dele, aprovando, assim, a anistia.

    Algumas considerações:

    1. O Brasil é, desde 07 de janeiro de 1890 um ESTADO LAICO (Decreto 119 A, de autoria de Ruy Barbosa, ainda durante o Governo Provisório do Marcehal Deodoro da Fonseca). Por ESTADO LAICO entendemos que existe uma SEPARAÇÃO FORMAL E LEGAL entre os interesses do Estado e os insteresses da Igreja (independentemente da matiz). Ressalto aqui: laico, mas não ateu.

    2. A atual Constituição da República Federativa do Brasil assegura no seu artigo 150, inc VI, alínea B, “a imunidade tributária dos templos religiosos”.

    3. As Igrejas não pagam nenhum imposto nas suas atividades fins.

    4. Não há recolhimento de contribuição previdenciária nas Prebendas Pastorais, já que essas, de acordo com a Lei Federal 8.212/91, não são vistas como salários (ou remuneração direta), mas uma forma de retribuir financeiramente ao pastor por sua dedicação ao Ministério.

    5. Muitas igrejas são verdadeiras empresas: compram terrenos (urbanos e rurais), imóveis, investem no mercado financeiro, especulam, exercem atividades comerciais regulares (e aqui não estou me referindo ao comércio de almas… isso é um outro assunto). E se são empresas e auferem lucros, devem pagar o respectivo imposto que a legislação determina, uma vez que, especular em bolsa de valores ou comprar fazenda não se trata de atividade fim de uma igreja (de acordo com Jesus Cristo, a missão de todo cristão é IR e pregar as Escrituras a toda a criatura para que sejam salvos)

    6. A renúncia fiscal a que o governo está abrindo mão é referente a mais de 1 bilhão de reais (estima-se algo em torno de UM BILHÃO E QUINHENTOS MILHÕES DE REAIS)

    7. Enquanto isso, o povo pobre está sofrendo com a alta de preços do básico (arroz, feijão, óleo), porque o governo federal não tem nenhuma política monetária eficaz. Na verdade, eu gostaria de saber qual é o plano de governo desse mandrião que ocupa a presidência (triste capítulo este de nossa história… triste e vergonhoso)

    8. O governo federal tenta emplacar uma reforma administrativa que coloca todo o peso nos servidores do executivo (formado em sua maioria por professores, servidores da saúde e segurança, sendo que a massa salarial mais achatada é formada pelos dois primeiros) e deixam de fora o judiciário e o legislativo, ou seja, quem vota e quem julga não estará sujeito à reforma.

    Talvez seja por isso que vemos muitas “lideranças” religiosas vociferando nas redes sociais palavras de apoio a Bolsonaro, aos berros e usando termos não muito cristãos para desqualificar todos aqueles que ousam a pensar fora da caixa. É muito triste ver isso. É muito triste ver o apego que a IGREJA tem ao poder. Mas, se a gente for pensar direitinho… Na época de Jesus era a mesma coisa… a Religião estava sempre vinculada aos poderosos.

    A Religião sempre foi usada para domesticar o povo a aceitar aquilo que os poderosos querem. Por isso Marx não estava errado ao afirmar que a IGREJA é ópio do povo. Em momento algum ele disse que Jesus era o problema. Mas sim, a igreja (e aqui temos que levar em consideração que ele – Marx – fez uma análise histórica da igreja do tempo dele – a do século XIX – a mesma igreja que legitimou e justificou a escravidão como algo salvador e redentor).

    Jesus não frequentava igreja. Jesus não tinha vínculo com poderosos. Jesus não pedia bênção aos poderosos de plantão. Ele era, ELE é e ELE sempre será o REI DOS REIS. O diabo até tentou oferecer a Ele o poder sobre todos os reinos (Mt 4:8-11). Muitos tentaram proclamar Jesus rei, mas então “Jesus, sabendo que estavam para vir pegá-lo a fim de fazê-lo rei, retirou-se novamente para o monte, sozinho” (Jo 6:15).Pra terminar fico com Jesus diante da pergunta dos herodianos (É certo pagar imposto a César – no nosso caso, César representa o ESTADO – ou não?): “Paguem a César o que é de César, mas a Deus o que é de Deus.”. (Mc 12:17)

  • ideias brigam, pessoas não.

    Dias estranhos são estes que estamos vivendo, hein?

    Será que não estamos fazendo acepção de pessoas pelas ideias que elas tem da vida ou da forma como enxergam o mundo? “Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. (Tiago 2:1).

    O REINO DE DEUS será composto somente por um tipo de pensamento? A Igreja do SENHOR é uma igreja de pensamento único?

    Pessoas que aparentavam ser dotadas de uma caridade, de um amor se mostram violentas e virulentas para com aqueles que pensam de forma diferente. Consideram a SUA verdade, como sendo a única e não são capaz de aceitar o contraditório e o pensar diferente. Tenho ouvido muita palavra de maldição, muitos se colocando como juízes, acima do bem e do mal, só porque o outro não pensa igual. Ou seja, a mesma língua que professa o amor de Deus, professa maldição contra um próximo. Como diz o Apóstolo Tiago, “a língua, um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas” (Tg 3:5a) e mais “com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim” (Tg 3:9-10).

    Eu acredito, sinceramente, que isso vem de uma cultura em que a prática do debate não era cultivada. Não aprenderam a debater nas escolas/faculdades. Com isso, nunca tiveram que aprender a defender seus pontos de vistas com argumentos. Hoje as pessoas defendem seus argumentos aos berros, aos gritos; partem para a ofensa moral, pessoal; desqualificam o debatedor (que é diferente de desqualificar o argumento, tal-okei?); acuam com violência e disseminam um discurso de ódio. Nesse momento lembro de Paulo: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra que cause destruição, mas somente a que seja útil para a edificação, de acordo com a necessidade, a fim de que comunique graça aos que a ouvem” (Ef 4:29).

    Que obedeçamos ao apóstolo dos gentios: “Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” (Cl 3:2). E esta ordem “a vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um” (Cl 4:6). E isso vale para mim, também.

    IDEIAS BRIGRAM, PESSOAS NÃO.

     

  • Não use a Bíblia para justificar a sua ignorância

    Alguns líderes políticos, empresariais e religiosos estão subestimando a pandemia de Covid-19. Eu compreendo e respeito a intensão de cada um. Entretanto eu gostaria também que respeitassem o meu direito de optar pelo distanciamento social. Não sou menos cristão por causa disso; não sou um medroso. Apenas optei por uma orientação que vem das autoridades sanitárias mundiais, como a OPAS e a OMS/ONU.

    Ficar em casa é um gesto de respeito e de amor ao próximo. Não desejo para o outro o que não desejo para mim. Poderiam me dizer… Você não confia em seu Deus? Sim, Confio! Confio também que ele deu inteligência aos homens para que possamos passar por este momento com prudência, empatia e respeito. Jesus ao ser tentado no deserto disse: “Também está escrito: não tentarás a teu Deus”. (Mt 4:7).

    Então, não use a Bíblia para justificar a sua coragem de não respeitar a quarentena nem para chamar aqueles que respeitam a quarentena de “crente medroso”.

    “Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver: Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás. Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte” (Ap 2:8‭-‬11).

  • Juro, eu tentei!

    Eu resolvi fazer este texto, para poder expor as minhas ideias de forma clara, direta e linear, pois assim não serei interrompido aos gritos e aos berros de ser acusado de comunista, de ser “petê” ou até mesmo ser “LulaLivre”.

    Eu fiz um acordo comigo mesmo, para meu próprio bem, parar de repercutir o que este energúmeno vem falando. Mas a capacidade dele de produzir imbecilidades a cada dia é superior à minha capacidade de longanimidade.

    Juro, eu tentei!

    Antes de mais nada, uma breve exposição sobre o que penso sobre a vida.

    1. Pra começo de conversa.

    Desde a minha juventude eu fui militante de movimentos sociais, comecei no movimento estudantil, sendo presidente de Grêmio Estudantil. Participei ativamente do “Fora Collor”, coordenando uma das importantes forças políticas da juventude naquela época, a JSB (Juventude Socialista Brasileira, chegando a ser coordenador estadual desta força, posteriormente). Aos 18 anos fui eleito o diretor sindical mais novo da História do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte (o 3º maior sindicato de bancários do país), ficando lá até 2005. Neste mesmo período, iniciei meus estudos no Curso de História da PUC Minas, isso lá nos idos de 1993. Nessa época já era membro da executiva estadual do Partido Socialista Brasileiro (MG), quando militava (fazendo oposição à esquerda do ex-prefeito de BH, Dr. Célio de Castro, a quem sempre tive o maior respeito).

    Como pode ser percebido, a minha militância política não começa hoje. Sempre me identifiquei com as questões sociais, com os desfavorecidos e com os excluídos. Nunca participei do establishment político. Nas eleições de 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014 sempre votei nos candidatos da chamada esquerda progressista (Lula e Dilma), por reconhecer neles uma oportunidade do povo pobre que sempre foi invisível aos governos burgueses anteriores (não que os governos do PT não tenham sido governos burgueses, tal ok?) serem, pela primeira vez, vistos e ouvidos. Sem dúvida, a eleição do Lula em 2002 representou uma quebra no paradigma da política brasileira tradicional, nem que para isso valha as alianças com as raposas da velha política tradicional.

    2. Valeu a pena vender a alma ao diabo?

    O PT e a esquerda progressista que governou o Brasil de 2002 a 2016 cometeram erros? Demais da conta. Desde alianças espúrias com setores condenáveis da estrutura oligárquica brasileira, ao abandono de bandeiras históricas da esquerda brasileira, como, por exemplo, a taxação das grandes fortunas e a não realização de uma reforma agrária. Para fazer valer seu projeto de governo, se venderam, compraram deputados, roubaram recursos públicos. Roubaram o Povo.

    O PT e seu projeto de governo se esgotaram. A esquerda progressista perdeu os seus melhores quadros, muitos envelheceram, morreram e, como não estavam mais nas ruas, nas bases, não formaram novas lideranças. Nos sindicatos não se discute mais conjuntura política, não se discute mais teoria política. O que vale agora é o bom e velho assistencialismo e a desgraça do corporativismo.

    Ao abandonarem as ruas, as fábricas, as escolas, as favelas, o movimento social foi perdendo qualidade na sua militância e nos seus quadros. O grupo que não foi cooptado pelo sistema, adotou uma postura mais radical ainda, com discurso virulento e raivoso. Ao se afastarem do povo, a esquerda progressista acabou. Perdeu a sua representatividade e a sua capacidade de dialogar com os mais pobres, miseráveis e excluídos. O discurso raivoso também não encontra eco.

    Ficou um vácuo.

    Vácuo este ocupado por ideias reacionárias. Não conservadoras. Porque o conservadorismo, em linhas bem gerais, é o movimento que tende a conservar o que existe, avançando muito pouco e gradualmente, em termos de conquistas sociais, mas tudo dentro de um Estado Democrático de Direito, onde as instituições são preservadas e mantidas e onde o imperativo da LEI seja a regra (lembrando que quem faz as leis é o establishment político que está a serviço dos grupos dominantes). O reacionarismo já é o oposto do conservadorismo. O reacionarismo, nem sabe o que quer. Não sabem se querem a VOLTA do que já existiu, num tempo diferente daquele, ou se querem algo que nunca viveram. Quer voltar ao que era, numa sociedade que rompeu com o que foi. Seria como voltar a ser criança, já sendo adulto. Impossível. Mas lutam cegamente por isso. E são capazes das maiores atrocidades em nome desse reacionarismo. O reacionarismo é antidemocrático pois não aceita a ideia do diferente, não aceita a existência de uma minoria; é totalitário; estatista; corporativista e creem numa sociedade em que o Estado e a Religião andam de mãos dadas. Enfim, o reacionarismo anda de mãos dadas com o FASCISMO.

    3. Falsos Profetas

    Hoje, os grupos reacionários estão alocados, em grande parte, dentro de diversas denominações religiosas. Onde um discurso anti-comunista é amplamente difundido. Entretanto, sequer sabem o que vem a ser o que defendem. São massas de manobra. Gado mesmo. Ficam aos berros mandando ir morar em Cuba ou Venezuela, como se estes países fossem comunistas (só porque os regimes se dizem, nominalmente comunista ou socialista sendo que disso só tem o nome. Eu adoraria dar uma aula sobre comunismo para este povo). Não querem aprender. Tem uma aversão ao conhecimento científico. Preferem receber a comida mastigada por seus pastores que mantém alto padrão de vida, enquanto os fiéis amargam a fome, a doença e a precarização das relações de trabalho.

    A defesa cega do governo Bolsonaro e do próprio Bolsonaro em si, que é considerado por muitos líderes religiosos, o enviado de Deus para o Brasil, o “ungido” do SENHOR, aquele que vai levar a nação brasileira a um outro patamar é preocupante (para não dizer outra coisa). Defendem o indefensável, o intolerável.

    Por um lado eu consigo vê-los no espelho invertido. Eles defendem o Bolsonaro com a mesma força com que eu defendia o governo Lula. A diferença é que não ocupo nenhum cargo de liderança religiosa, ou seja, não possuo o poder mudar opinião e muito menos sou um formador de opinião que ocupa um lugar privilegiado, um púlpito. Quando defendia Lula, nos anos 2003 em diante, só tinha como força a lógica do argumento e dos fatos. Hoje, estes líderes religiosos além de possuírem o dom do proselitismo, são excelentes formadores de opiniões e sabem, como ninguém, manipular a Palavra de Deus a seu favor. São possuidores legitimidade intelectual. Para muitos membros, eles são os verdadeiros intérpretes da realidade política e como tal, a sua opinião é alçada à categoria de verdade absoluta. Dessa forma, quem pensa diferente é taxado de infiel, de comunista (?), de ser “petê”, de defender ou possuir bandido de estimação.

    Contudo, não consigo entender como ainda tem gente que não consegue enxergar o óbvio.

    Jair Bolsonaro é um dos políticos mais estúpidos que este país já teve.  É cognitivamente limitado. Intelectualmente incapaz. E, se não bastasse isso, não compreendeu a importância e o rito que o cargo que ocupa representa. Ele não é mais representante de um segmento, como era na época em que foi Deputado Federal. Ele é PRESIDENTE DO BRASIL, Chefe de Estado, Chefe de Governo, Comandante-Em-Chefe das Forças Armadas. Ele é muito estúpido, não tem amor para com o próximo. De sua boca não saem palavras que edificam e está muito menos interessado em dividir o país. Ele quer é dividir o povo, dividir os cristãos, pois é muito mais fácil destruir um povo dividido.

    Agora ele foi alçado à categoria de PROFETA CONTRA A VIOLÊNCIA. Como que um homem que se inspira em Carlos Brilhante Ustra um torturador diabólico), que defende a tese de que  bandido bom é bandido morto (tal como os fariseus fizeram com Jesus), que defende a liberação do porte de arma de fogo, que faz arminha com as mãos, que não nem aí para os mais de 5 mil mortos pode ser um profeta da paz?

    O mais triste é ver gente de coração bom, pessoas que amam verdadeiramente a Cristo, defenderem um ser tão desprezível? Em nome de uma luta contra um COMUNISMO, contra o SOCIALISMO (como se isso fosse uma ameaça real), contra a ESQUERDA (ora, se a esquerda fosse tão forte assim, teria ganho as eleições e seria governo hoje! Vamos pensar gente!

  • “Vagabundo” não é quem faz greve. É quem se nega a estudar História

    Leonardo Sakamoto – Direitos que você tem hoje, como aposentadoria, férias, 13o salário, limite de jornada de trabalho, descanso aos finais de semana, piso de remuneração, proibição do trabalho infantil, licença maternidade não foram concessões vindas do céu. Mas custaram o suor e o sangue de muita gente através de diálogos e debates, demandas e reivindicações, paralisações e greves, não só no Brasil, mas em todo o mundo.


    É função de empregadores e políticos fazerem parecer que foram eles que, generosamente, ofereceram direitos. E função da História contada pelos vencedores registrar isso como fato inquestionável, retirando do povo, a massa muitas vezes amorfa e sem rosto, o registro dessas vitórias.

    Desde que as Reformas da Previdência e Trabalhista foram apresentadas, o governo federal teve que ceder em alguns pontos devido à pressão social. Foram poucos, sem dúvida. Mas isso beneficiou desde o trabalhador assalariado que vê a vida passar do sofá da sala, chamando de ”comunistas” todos que reclamam das reformas, até aqueles que resolvem ir à luta. Sim, ironicamente muita gente se beneficia do resultado obtido por aqueles que costumava xingar.


    Não é de hoje que, na tentativa de menosprezar uma reivindicação de trabalhadores, nega-se a eles exatamente essa identificação. Afirma-se que quem entra em greve não é trabalhador porque, naquele momento, não está trabalhando. Aplicando essa lógica absurda a outros exemplos, quem viajar para fora do Brasil deixaria de ser brasileiro.

    Ou seja, nessa lógica, o trabalhador só merece ser tratado como produtivo à sociedade se estiver sempre trabalhando. Caso exerça seu direito, previsto na Constituição, de parar para protestar, torna-se o oposto – que, numa concepção distorcida significa preguiça e indolência.

    É paradigmático, portanto, que o prefeito de São Paulo, João Doria, tenha chamado grevistas de ”vagabundos” na manhã desta sexta (28). Ele, que defende as Reformas da Previdência e Trabalhista, tem criticado duramente o movimento. Afirmou que, “neste confronto, só a população que trabalha, que é honesta, é quem perde”.

    Ele tem todo o direito a ter sua opinião e a expressa-la quando quiser. Mas também temos a liberdade de lembrar que, durante muito tempo, a polícia exigiu a carteira de trabalho para definir se alguém era ”uma pessoa de bem” por aqui.

    A caracterização como ”vagabundos” daqueles que resolvem cruzar os braços e protestar por direitos não é nova e nem foi inventada por políticos brasileiros.

    Quem visita a cidade de Chicago, nos Estados Unidos, encontra uma frase gravada em um monumento: ”Chegará o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso do que as vozes que vocês estrangularam hoje”. Ele foi erguido em memória de uma greve que começou no dia Primeiro de Maio de 1886, exigindo a redução da jornada de trabalho para oito horas por dia, tocada por trabalhadores que foram chamados de vagabundos. Resultado: a polícia abriu fogo contra a multidão, mas a data foi escolhida para ser um dia de luta em todo o mundo por condições melhores de vida. Menos nos Estados Unidos, em que o Labor Day é na primeira segunda de setembro.

    Só o trabalho gera riqueza. E o silêncio de trabalhadores, que se reconhecem como tais, percebem a injustiça que, muitas vezes, recai sobre eles e resolvem cruzar os braços, não apenas aumentou salários ou criou aposentadorias, mas já ajudou a derrubar regimes, a democratizar países, a mudar o rumo da história.

    Mahatma Gandhi pediu para que trabalhadores cruzassem os braços e entrassem em greve, não por melhores salários, mas pela independência da Índia junto ao Reino Unido. Martin Luther King fez o mesmo pelo direitos civis de mulheres e homens negros diante do racismo institucionalizado nos EUA. É dele a frase: ”a greve, no fundo, é a linguagem dos que não são ouvidos”.

    Nelson Mandela foi chamado de vagabundo por querer que a África do Sul parasse contra o apartheid. A paralisação das operárias russas contra a fome e contra a participação do país na Primeira Guerra precipitou os acontecimentos que desencadearam a queda do regime imperial em 1917. Esse povo não protestou apenas em finais de semana e feriados, ou seja, em seu ”tempo livre”.

    Quero comparar essas figuras citadas com nossos líderes nacionais? Nunca, seria um crime histórico. O que discute-se aqui é até que ponto somos capazes de furar a programação que nos foi incutida, de criminalizar quem cruza os braços. Você pode discordar da greve. Mas não julgue alguém que concorda sem subsídios para tanto.


    Manifestações que questionam a desigualdade e a injustiça social, mais do que a política em si, tendem a ser reprimidas pela força pública. São vistas como subversivas. As ”ordeiras”, que não mexem com a estrutura econômica e social do país, não. Têm direito até a catracas de metrô liberadas.

    Tudo isso acaba por criar uma ”nova língua”. Paulo Mathias, prefeito regional de Pinheiros, município de São Paulo, gravou um vídeo mostrando que trabalhadores iriam dormir nas dependências do prédio para trabalharem nesta sexta de greve geral. Nele, diante de trabalhadores visivelmente constrangidos, afirmou: ”Sou a favor do direito à greve, mas não em dia de trabalho.” Foi parabenizado pelo chefe.

    O que ele disse é equivalente a pedir X-burguer sem queijo ou um cachorro-quente sem salsicha.

    Temos diversas formas de silêncio. O poder não está no silêncio das bocas fechadas que aceitam as coisas como elas são porque acreditam que nada pode mudar e que ficam felizes se ganharam uma TV do sindicato pelego no feriado.

    Mas dos braços parados que se negam a produzir riqueza sem que um diálogo aberto e franco com os empregadores seja estabelecido. Trabalhadores são fortes. Pena que se esquecem disso

    (Fonte: http://www.contraponto.blog.br/artigos/571/vagabundo-nao-e-quem-faz-greve-e-quem-se-nega-estudar-historia)