Eu resolvi fazer este texto, para poder expor as minhas ideias de forma clara, direta e linear, pois assim não serei interrompido aos gritos e aos berros de ser acusado de comunista, de ser “petê” ou até mesmo ser “LulaLivre”.
Eu fiz um acordo comigo mesmo, para meu próprio bem, parar de repercutir o que este energúmeno vem falando. Mas a capacidade dele de produzir imbecilidades a cada dia é superior à minha capacidade de longanimidade.
Juro, eu tentei!
Antes de mais nada, uma breve exposição sobre o que penso sobre a vida.
1. Pra começo de conversa.
Desde a minha juventude eu fui militante de movimentos sociais, comecei no movimento estudantil, sendo presidente de Grêmio Estudantil. Participei ativamente do “Fora Collor”, coordenando uma das importantes forças políticas da juventude naquela época, a JSB (Juventude Socialista Brasileira, chegando a ser coordenador estadual desta força, posteriormente). Aos 18 anos fui eleito o diretor sindical mais novo da História do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte (o 3º maior sindicato de bancários do país), ficando lá até 2005. Neste mesmo período, iniciei meus estudos no Curso de História da PUC Minas, isso lá nos idos de 1993. Nessa época já era membro da executiva estadual do Partido Socialista Brasileiro (MG), quando militava (fazendo oposição à esquerda do ex-prefeito de BH, Dr. Célio de Castro, a quem sempre tive o maior respeito).
Como pode ser percebido, a minha militância política não começa hoje. Sempre me identifiquei com as questões sociais, com os desfavorecidos e com os excluídos. Nunca participei do establishment político. Nas eleições de 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014 sempre votei nos candidatos da chamada esquerda progressista (Lula e Dilma), por reconhecer neles uma oportunidade do povo pobre que sempre foi invisível aos governos burgueses anteriores (não que os governos do PT não tenham sido governos burgueses, tal ok?) serem, pela primeira vez, vistos e ouvidos. Sem dúvida, a eleição do Lula em 2002 representou uma quebra no paradigma da política brasileira tradicional, nem que para isso valha as alianças com as raposas da velha política tradicional.
2. Valeu a pena vender a alma ao diabo?
O PT e a esquerda progressista que governou o Brasil de 2002 a 2016 cometeram erros? Demais da conta. Desde alianças espúrias com setores condenáveis da estrutura oligárquica brasileira, ao abandono de bandeiras históricas da esquerda brasileira, como, por exemplo, a taxação das grandes fortunas e a não realização de uma reforma agrária. Para fazer valer seu projeto de governo, se venderam, compraram deputados, roubaram recursos públicos. Roubaram o Povo.
O PT e seu projeto de governo se esgotaram. A esquerda progressista perdeu os seus melhores quadros, muitos envelheceram, morreram e, como não estavam mais nas ruas, nas bases, não formaram novas lideranças. Nos sindicatos não se discute mais conjuntura política, não se discute mais teoria política. O que vale agora é o bom e velho assistencialismo e a desgraça do corporativismo.
Ao abandonarem as ruas, as fábricas, as escolas, as favelas, o movimento social foi perdendo qualidade na sua militância e nos seus quadros. O grupo que não foi cooptado pelo sistema, adotou uma postura mais radical ainda, com discurso virulento e raivoso. Ao se afastarem do povo, a esquerda progressista acabou. Perdeu a sua representatividade e a sua capacidade de dialogar com os mais pobres, miseráveis e excluídos. O discurso raivoso também não encontra eco.
Ficou um vácuo.
Vácuo este ocupado por ideias reacionárias. Não conservadoras. Porque o conservadorismo, em linhas bem gerais, é o movimento que tende a conservar o que existe, avançando muito pouco e gradualmente, em termos de conquistas sociais, mas tudo dentro de um Estado Democrático de Direito, onde as instituições são preservadas e mantidas e onde o imperativo da LEI seja a regra (lembrando que quem faz as leis é o establishment político que está a serviço dos grupos dominantes). O reacionarismo já é o oposto do conservadorismo. O reacionarismo, nem sabe o que quer. Não sabem se querem a VOLTA do que já existiu, num tempo diferente daquele, ou se querem algo que nunca viveram. Quer voltar ao que era, numa sociedade que rompeu com o que foi. Seria como voltar a ser criança, já sendo adulto. Impossível. Mas lutam cegamente por isso. E são capazes das maiores atrocidades em nome desse reacionarismo. O reacionarismo é antidemocrático pois não aceita a ideia do diferente, não aceita a existência de uma minoria; é totalitário; estatista; corporativista e creem numa sociedade em que o Estado e a Religião andam de mãos dadas. Enfim, o reacionarismo anda de mãos dadas com o FASCISMO.
3. Falsos Profetas
Hoje, os grupos reacionários estão alocados, em grande parte, dentro de diversas denominações religiosas. Onde um discurso anti-comunista é amplamente difundido. Entretanto, sequer sabem o que vem a ser o que defendem. São massas de manobra. Gado mesmo. Ficam aos berros mandando ir morar em Cuba ou Venezuela, como se estes países fossem comunistas (só porque os regimes se dizem, nominalmente comunista ou socialista sendo que disso só tem o nome. Eu adoraria dar uma aula sobre comunismo para este povo). Não querem aprender. Tem uma aversão ao conhecimento científico. Preferem receber a comida mastigada por seus pastores que mantém alto padrão de vida, enquanto os fiéis amargam a fome, a doença e a precarização das relações de trabalho.
A defesa cega do governo Bolsonaro e do próprio Bolsonaro em si, que é considerado por muitos líderes religiosos, o enviado de Deus para o Brasil, o “ungido” do SENHOR, aquele que vai levar a nação brasileira a um outro patamar é preocupante (para não dizer outra coisa). Defendem o indefensável, o intolerável.
Por um lado eu consigo vê-los no espelho invertido. Eles defendem o Bolsonaro com a mesma força com que eu defendia o governo Lula. A diferença é que não ocupo nenhum cargo de liderança religiosa, ou seja, não possuo o poder mudar opinião e muito menos sou um formador de opinião que ocupa um lugar privilegiado, um púlpito. Quando defendia Lula, nos anos 2003 em diante, só tinha como força a lógica do argumento e dos fatos. Hoje, estes líderes religiosos além de possuírem o dom do proselitismo, são excelentes formadores de opiniões e sabem, como ninguém, manipular a Palavra de Deus a seu favor. São possuidores legitimidade intelectual. Para muitos membros, eles são os verdadeiros intérpretes da realidade política e como tal, a sua opinião é alçada à categoria de verdade absoluta. Dessa forma, quem pensa diferente é taxado de infiel, de comunista (?), de ser “petê”, de defender ou possuir bandido de estimação.
Contudo, não consigo entender como ainda tem gente que não consegue enxergar o óbvio.
Jair Bolsonaro é um dos políticos mais estúpidos que este país já teve. É cognitivamente limitado. Intelectualmente incapaz. E, se não bastasse isso, não compreendeu a importância e o rito que o cargo que ocupa representa. Ele não é mais representante de um segmento, como era na época em que foi Deputado Federal. Ele é PRESIDENTE DO BRASIL, Chefe de Estado, Chefe de Governo, Comandante-Em-Chefe das Forças Armadas. Ele é muito estúpido, não tem amor para com o próximo. De sua boca não saem palavras que edificam e está muito menos interessado em dividir o país. Ele quer é dividir o povo, dividir os cristãos, pois é muito mais fácil destruir um povo dividido.
Agora ele foi alçado à categoria de PROFETA CONTRA A VIOLÊNCIA. Como que um homem que se inspira em Carlos Brilhante Ustra um torturador diabólico), que defende a tese de que bandido bom é bandido morto (tal como os fariseus fizeram com Jesus), que defende a liberação do porte de arma de fogo, que faz arminha com as mãos, que não nem aí para os mais de 5 mil mortos pode ser um profeta da paz?
O mais triste é ver gente de coração bom, pessoas que amam verdadeiramente a Cristo, defenderem um ser tão desprezível? Em nome de uma luta contra um COMUNISMO, contra o SOCIALISMO (como se isso fosse uma ameaça real), contra a ESQUERDA (ora, se a esquerda fosse tão forte assim, teria ganho as eleições e seria governo hoje! Vamos pensar gente!