A Origem do nosso calendário.

Sete séculos atrás (aproximadamente em 1260), um monge inglês enviou uma carta estridente a Roma. Endereçada ao Papa Clemente IV, tratava-se de um apelo urgente para que se determinasse o próprio tempo. Calculando que o ano do calendário era cerca de onze minutos mais longo do que o ano solar de fato, Roger Bacon informou ao supremo pontífice que isso implicava um erro de um dia inteiro a cada 125 anos, um excedente de tempo que, com o passar dos séculos, tinha acumulado até a época de Bacon nove dias! Se deixado como estava, o afastamento ira um dia levar março para o meio do inverno e agosto cairia na primavera no hemisfério norte. Mais horroroso para aquela época profundamente religiosa era a insistência de Bacon de que os Cristãos estavam celebrando a páscoa e todos os outros dias santos nas datas erradas, uma acusação ultrajante em 1267 que Bacon se arriscava a ser declarado como Herege por desafiar a verdade da Igreja Católica. Entretanto, com a morte de Clemente IV, os pontífices que o sucederão não deram atenção ao clamor do monge.

Somente três séculos depois é que a missiva de Bacon surtiu algum efeito. Em 1582, o Papa Gregório XIII (1502/1585) finalmente fixou o calendário. Naquela época os cientistas já estavam abertamente pedindo a correção por várias décadas. Até Nicolau Copérnico, uma geração antes da correção de Gregório, escreveu uma seção sobre a verdadeira duração do ano no seu Revoluções das Esferas Celestes, publicado em 1543. Este foi o mesmo tratado que ofereceu uma teoria mais do que convincente derrubando a crença de que o Sol os planetas giravam em torno da Terra (Heliocentrismo X Geocentrismo).

A reforma de Gregório veio depois que ele nomeou uma comissão para estudar o calendário entre 1572/1574, liderada pelo matemático bávaro Christopher Clavius (1537/1612), um de dois discretos heróis da correção gregoriana. O outro foi um médico italiano obscuro chamado Aloysius Lilius (1510/1576), que na verdade imaginou a solução que Gregório editou como bula papal em 24 de fevereiro de 1582. Isto aconteceu quase exatamente 316 anos depois do pedido de Bacon.

Bem, por isso que o calendário cristão também é chamado de Calendário Gregoriano.

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