Categoria: Historiografia

Teoria da História, historiografia e conceitos históricos.

  • O Tempo Histórico

    Cada pessoa tem uma maneira própria de perceber e viver o tempo, dependendo do seu estado de espírito e da época em que vive. Se estamos felizes, o tempo voa e se estamos tristes ou ansiosos, parece que as horas e os dias não passam. Entretanto, isto é uma ilusão, pois independentemente de nossa vontade, o tempo segue seu curso infinito. Como já dizia o poeta Cazuza, “o tempo não pára”.

    Este tipo de tempo que estamos falando é o tempo cronológico, que medimos através do relógio e dos calendários. Existem ainda outros tipos de tempos: o tempo geológico, que se refere às mudanças ocorridas no planeta, e o tempo histórico, que está relacionado às mudanças nas sociedades humanas. Neste tipo de tempo são os grupos humanos que provocam as mudanças sociais ao mesmo tempo que são modificados por elas. O tempo histórico revela e esclarece o processo pelo qual passou ou passa a realidade em estudo.

    Nos anos 1960, por exemplo, em quase todo o Ocidente, a juventude viveu um período agitado, com mudanças, movimentos políticos e contestação aos governos. O rock, os hippies, os jovens revolucionários, e, no Brasil, o Tropicalismo e a Jovem Guarda, foram experiências que deram à década de 60 uma história peculiar, diferente dos anos 50 ou 70.

    Isso é o tempo histórico: traçamos um limite no tempo para estudar os seus acontecimentos característicos, levando em conta que, naquele momento escolhido, muitos seres humanos viveram, sonharam, trabalharam e agiram sobre a natureza e sobre as outras pessoas de um jeito específico.

    A História não é prisioneira do tempo cronológico. Às vezes, o historiador é obrigado a ir e voltar no tempo com uma velocidade maior que a de piloto de Fórmula 1. Ele volta para compreender as origens de uma determinada situação estudada ou segue adiante ao explicar os seus reflexos.

     

    A contagem do tempo histórico.

    O modo de medir e dividir o tempo varia de acordo com a crença, a cultura e os costumes de cada povo. Os cristãos, por exemplo, datam a História da Humanidade a partir do nascimento de Jesus Cristo. Esse tipo de calendário é utilizado por quase todos os povos do mundo, incluindo o Brasil.

    O ano de 200, em nosso calendário, representa a soma dos anos que passaram desde o nascimento de Jesus Cristo, e não todo o tempo que transcorreu desde que o homem apareceu na terra, há cerca de quatro milhões de anos.

    O ponto de partida de cada povo ao escrever ou contar a sua história é um acontecimento que considera importante. Os judeus, por exemplo, que ainda esperam um Messias salvador, contam o tempo a partir da saída deles do Egito, guiados por Moisés, há mais de 5.700 anos. Na Grécia antiga, o tempo era contado a partir da Primeira Olimpíada, realizada há quase 2.800 anos.

    Os romanos antigos iniciaram a sua contagem a partir da fundação da cidade de Roma, há cerca de 2.740 anos. Os árabes, por exemplo, começaram a sua contagem do tempo a partir do ano em que o profeta Maomé, nas suas pregações, foi obrigado a sair da cidade de Meca e se refugiar em Medina – momento esse que, no Ocidente, corresponde ao ano de 622.

    Os Astecas tinham três diferentes calendários. O primeiro deles referia-se à contagem do dias com um ciclo de 260 dias com 20 meses e semanas de 13 dias. O segundo calendário, chamado solar ou dos camponeses tinha 365 dias e era dividido em 18 meses. Finalmente o terceiro calendário, chamado de ano de Vênus, tinha 584 dias. Esse último calendário estava ligado à mudança da posição de Vênus no céu.

    O calendário solar dos Astecas era também chamado de Pedra do Sol. Foi esculpido em um bloco de pedra com 3.6 metros de diâmetro e 24 toneladas de peso!

    A cada 104 anos, os três calendários dos Astecas terminavam juntos e eles acreditavam que, nessas datas o mundo iria acabar

    Assim, como os Astecas, os Maias e os Incas também tinham o seu calendário que não só marcavam, como hoje, os 365 dias, mas estavam também ligados a mitos e lendas destes povos, prevendo acontecimentos extraordinários.

    Os franceses, em 1793, depois de uma Revolução, passaram a contar o tempo de novo, como se estivessem no Ano I e a História começasse a partir dali. Eles deram até outros nomes aos meses. Algum tempo depois, com as mudanças políticas que enfrentaram, voltaram a usar o mesmo calendário que usamos no Brasil.

    Ao estudar a História, trabalhamos com períodos bem longos. Desse modo, temos de usar o século como principal medida de tempo em nossos estudos históricos. Cada século representa tem cem anos e é representado, normalmente, por algarismos romanos: século XVII, século XII, século XX, e assim por diante.

    Como você ao longo do texto, o nascimento de Jesus Cristo é o principal marco em nossa forma de registrar o tempo. Todos os anos e séculos antes do Seu nascimento são escritos com as letras a.C. (que significa antes de Cristo). Vamos pegar como o exemplo o nascimento do filósofo Grego Platão. Platão nasceu em 428 a.C.,  ou seja, nasceu 428 anos antes de Cristo nascer.

    Os anos e os séculos que vieram depois do nascimento de Cristo não precisam ser grafados com as letras d.C (depois de Cristo) ou a.D (anno Dommini), bastando, para isso, escrever apenas o ano. Por exemplo, o ano em que estamos. Ninguém escreve 2.000 d.C., basta escrever 2.000.

  • O Tempo Histórico

    Cada pessoa tem uma maneira própria de perceber e viver o tempo, dependendo do seu estado de espírito e da época em que vive. Se estamos felizes, o tempo voa e se estamos tristes ou ansiosos, parece que as horas e os dias não passam. Entretanto, isto é uma ilusão, pois independentemente de nossa vontade, o tempo segue seu curso infinito. Como já dizia o poeta Cazuza, “o tempo não pára”.

    Este tipo de tempo que estamos falando é o tempo cronológico, que medimos através do relógio e dos calendários. Existem ainda outros tipos de tempos: o tempo geológico, que se refere às mudanças ocorridas no planeta, e o tempo histórico, que está relacionado às mudanças nas sociedades humanas. Neste tipo de tempo são os grupos humanos que provocam as mudanças sociais ao mesmo tempo que são modificados por elas. O tempo histórico revela e esclarece o processo pelo qual passou ou passa a realidade em estudo.

    Nos anos 1960, por exemplo, em quase todo o Ocidente, a juventude viveu um período agitado, com mudanças, movimentos políticos e contestação aos governos. O rock, os hippies, os jovens revolucionários, e, no Brasil, o Tropicalismo e a Jovem Guarda, foram experiências que deram à década de 60 uma história peculiar, diferente dos anos 50 ou 70.

    Isso é o tempo histórico: traçamos um limite no tempo para estudar os seus acontecimentos característicos, levando em conta que, naquele momento escolhido, muitos seres humanos viveram, sonharam, trabalharam e agiram sobre a natureza e sobre as outras pessoas de um jeito específico.

    A História não é prisioneira do tempo cronológico. Às vezes, o historiador é obrigado a ir e voltar no tempo com uma velocidade maior que a de piloto de Fórmula 1. Ele volta para compreender as origens de uma determinada situação estudada ou segue adiante ao explicar os seus reflexos.

    A contagem do tempo histórico.

    O modo de medir e dividir o tempo varia de acordo com a crença, a cultura e os costumes de cada povo. Os cristãos, por exemplo, datam a História da Humanidade a partir do nascimento de Jesus Cristo. Esse tipo de calendário é utilizado por quase todos os povos do mundo, incluindo o Brasil.

    O ano de 200, em nosso calendário, representa a soma dos anos que passaram desde o nascimento de Jesus Cristo, e não todo o tempo que transcorreu desde que o homem apareceu na terra, há cerca de quatro milhões de anos.

    O ponto de partida de cada povo ao escrever ou contar a sua história é um acontecimento que considera importante. Os judeus, por exemplo, que ainda esperam um Messias salvador, contam o tempo a partir da saída deles do Egito, guiados por Moisés, há mais de 5.700 anos. Na Grécia antiga, o tempo era contado a partir da Primeira Olimpíada, realizada há quase 2.800 anos.

    Os romanos antigos iniciaram a sua contagem a partir da fundação da cidade de Roma, há cerca de 2.740 anos. Os árabes, por exemplo, começaram a sua contagem do tempo a partir do ano em que o profeta Maomé, nas suas pregações, foi obrigado a sair da cidade de Meca e se refugiar em Medina – momento esse que, no Ocidente, corresponde ao ano de 622.

    Os Astecas tinham três diferentes calendários. O primeiro deles referia-se à contagem do dias com um ciclo de 260 dias com 20 meses e semanas de 13 dias. O segundo calendário, chamado solar ou dos camponeses tinha 365 dias e era dividido em 18 meses. Finalmente o terceiro calendário, chamado de ano de Vênus, tinha 584 dias. Esse último calendário estava ligado à mudança da posição de Vênus no céu.

    O calendário solar dos Astecas era também chamado de Pedra do Sol. Foi esculpido em um bloco de pedra com 3.6 metros de diâmetro e 24 toneladas de peso!

    A cada 104 anos, os três calendários dos Astecas terminavam juntos e eles acreditavam que, nessas datas o mundo iria acabar

    Assim, como os Astecas, os Maias e os Incas também tinham o seu calendário que não só marcavam, como hoje, os 365 dias, mas estavam também ligados a mitos e lendas destes povos, prevendo acontecimentos extraordinários.

    Os franceses, em 1793, depois de uma Revolução, passaram a contar o tempo de novo, como se estivessem no Ano I e a História começasse a partir dali. Eles deram até outros nomes aos meses. Algum tempo depois, com as mudanças políticas que enfrentaram, voltaram a usar o mesmo calendário que usamos no Brasil.

    Ao estudar a História, trabalhamos com períodos bem longos. Desse modo, temos de usar o século como principal medida de tempo em nossos estudos históricos. Cada século representa tem cem anos e é representado, normalmente, por algarismos romanos: século XVII, século XII, século XX, e assim por diante.

    Como você ao longo do texto, o nascimento de Jesus Cristo é o principal marco em nossa forma de registrar o tempo. Todos os anos e séculos antes do Seu nascimento são escritos com as letras a.C. (que significa antes de Cristo). Vamos pegar como o exemplo o nascimento do filósofo Grego Platão. Platão nasceu em 428 a.C.,  ou seja, nasceu 428 anos antes de Cristo nascer.

    Os anos e os séculos que vieram depois do nascimento de Cristo não precisam ser grafados com as letras d.C (depois de Cristo) ou a.D (anno Dommini), bastando, para isso, escrever apenas o ano. Por exemplo, o ano em que estamos. Ninguém escreve 2.003 d.C., basta escrever 2.003.

  • O que é e para que serve a História?

    Ao responder esta pergunta, o historiador Marc Bloch afirmou que, ainda que a história fosse incapaz de outros serviços, seria possível dizer que ela distrai um grande número de homens, pois oferece prazeres estéticos que não se assemelham aos de nenhuma outra disciplina, satisfazendo a sensibilidade e a inteligência.

    Para muitas pessoas a História se preocupa apenas com o passado. Ledo engano. Não nos interessa estudar o passado por si só. Para isso bastaríamos ir ao Museu, pois é lá que estão algumas das lembranças do nosso passado. O tempo passado por si só não tem importância. A História se preocupa com o presente e com o futuro. Mas para podermos compreender melhor o nosso presente e planejar o nosso futuro temos que estudar o nosso passado. Conhecer as raízes dos nossos problemas é uma das tarefas fundamentais para que possamos viver melhor o nosso presente e planejar o nosso futuro com os pés no chão. Por isso, podemos dizer que toda História é História do Presente.

    Reconstruir tempos passados não é uma tarefa fácil, uma vez que, como vimos, não existem verdades absolutas na História, tudo é relativo, tudo são versões daquilo que já não existem. Em outras palavras, são perspectivas diferentes. Isso quer dizer que algumas versões são mentirosas? Não, pelo contrário. São apenas versões, e como tais devem ser respeitadas. Conhecer os argumentos dos que defendem tais versões são peças fundamentais para que possamos compreender melhor as formas pelas quais as mesmas são construídas. E é este o papel da disciplina História nos anos escolares. Ao professor de História, conhecedor de algumas das versões da História, compete proporcionar aos alunos os meios para que possam desenvolver um estudo crítico sobre os textos apresentados, insistindo sempre na afirmação de que o documento ali apresentado não é a verdade, e sim uma versão. A críticidade (capacidade de realizar uma crítica com argumentos) é o principal objetivo que almeja (deseja) o professor de História do 3º ano do 2º ciclo da Escola Municipal José Ovídio Guerra.

    O ensino de História não deve se limitar a descrever simplesmente o passado. Por ser uma ciência – a ciência que estuda a ação do homem no tempo – História se preocupa com o presente. Recorreremos ao passado para responder as perguntas que a sociedade contemporânea (atual) tem sobre a sua existência. Ela deve-se preocupar com o conhecimento das sociedades do passado (como elas se organizavam, como elas produziam e como elas pensavam) para que possamos compreender e transformar a sociedade do presente.

    A História não é apenas o estudo do passado pelo culto ao passado, mas a elaboração de uma pesquisa e de um ensino engajados com o estabelecimento de um diálogo entre as gerações e com a busca de soluções e novos caminhos comprometidos com a transformação da sociedade.

    Esta transformação está ligada ao desejo de vivermos em uma sociedade justa, na qual as pessoas possam exercer os seus direitos de cidadão. Uma sociedade mais humana, sem fome, sem violência, sem guerras, sem injustiças sociais e com felicidade, ou seja, uma sociedade inclusiva, onde todos possam viver uma decente e digna.

    O Historiador (profissional da área de História) tem os seus métodos para a construção de suas versões. Para tanto, ele se utiliza da análise dos vários documentos deixados pelo homem no tempo. Alguns destes documentos têm como objetivo relatar a versão de alguma pessoa sobre determinado assunto para que fique registrado na memória e sirva, no futuro, para o estudo dos costumes, dos hábitos e das tradições de alguma família, comunidade, povo, sociedade e, até mesmo, civilizações. Exemplos disso são os diários pessoais, as atas de reuniões, os livros etc. Outros, por sua vez, não têm a preocupação de deixar registrado para um estudo futuro aquelas características daquela sociedade, estão somente preocupados em relatar – de acordo com os seus interesses de grupo ou de classe – o que está acontecendo naquele momento histórico – que para aquele povo daquela época é o seu presente. Assim temos os jornais, as revistas, as cartas, as pinturas, as pichações (sim, as pichações possuem um fator histórico muito importante. O que são as pinturas rupestres, senão pichações nos interiores das cavernas?). É isso que me permite afirmar que toda a história é história do presente.

    A História é, talvez, a ciência mais perigosa que existe, uma vez que ela mexe com aquilo que é surpreendente e imprevisível: o ser humano. Todas as outras ciências são previsíveis: a água e o óleo não se misturam, se você partir um átomo terá uma explosão atômica, se você acrescentar duas unidades a outras duas unidades você sempre terá quatro unidades. Mas, e o ser humano? Ele é capaz de fazer coisas imprevisíveis. E a História, ao realizar a crítica do presente, tendo como exemplo as sociedades passadas, pode provocar explosões de fúrias coletivas nunca antes imaginadas. Mas, pode também, criar um sentimento de passividade jamais pensado. A História é o produto mais perigosos que a química do cérebro já elaborou, por isso, compreender a História é a tarefa mais difícil que existe.

    Repito, a História é a ciência que estuda a ação do homem no tempo. E o nosso tempo de estudo é sempre o presente, na medida em que herdamos das sociedades e civilizações que, fisicamente, não existem mais, traços e valores fundamentais para a nossa vivência cotidiana. Dizer que a civilização egípcia é antiga, é passado é mentira. Deles herdamos várias características: a cobrança de impostos, por exemplo; dos romanos antigos herdamos o Latim (de onde saiu a língua portuguesa) a idéia de República e de cidadania; dos gregos herdamos a idéia de política, dos fenícios a técnica de navegação, dos sumérios o fogo e a roda, dos povos da Idade Média, o casamento nas Igrejas, o cristianismo, a idéia de demônio e de bruxaria, entre outros. Dos povos que viveram entre os séculos XVI e XVIII, herdamos a terra em que vivemos (a América), a busca do lucro fácil, a exploração do homem pelo homem para alcançar o lucro. Ou seja, o homem contemporâneo (nós) é filho da humanidade e de tudo o que ela produziu no tempo e no espaço. Compreender esta ação do homem no tempo é a tarefa primordial da História.

    O objeto de estudo da História é, por natureza o Homem. Melhor: os homens. Mais do que o singular, favorável à abstração, convém a uma ciência da diversidade o plural, que é o modo gramatical da relatividade. Por detrás dos traços sensíveis da paisagem, dos utensílios ou das máquinas, por detrás dos documentos escritos aparentemente mais glaciais e das instituições aparentemente mais distanciadas dos que as elaboraram, são exatamente os homens que a História pretende apreender. Quem não o conseguir será, quando muito e na melhor das hipóteses, um servente da erudição. O bom historiador, esse, assemelha-se ao monstro da lenda. Onde farejar carne humana é que está a sua caça.

    Compreender o Tempo Histórico, que é diferente do tempo do relógio, do tempo da natureza (primavera, outono, verão e inverno), do tempo geológico ou geográfico é uma das principais tarefas que os alunos do 3º ano do 2º ciclo têm pela frente. Não é uma das tarefas mais fáceis, mas temos que fazê-la.

    Você já deve ter percebido que, quando uma aula está muito interessante ela passa rápido e, ao contrário, quando uma aula está chata e monótona ela demora a passar? Ora, o tempo das aulas é o mesmo: uma hora. Mas por que esta variação? Você já percebeu que quando você sai de férias e vai, por exemplo, para a praia, as suas férias parecem que duraram pouco, aí você se indaga: pôxa vida, parece que eu entrei de férias ontem… E quando você fica em casa as férias demoram a passar? O tempo das férias escolares são os mesmos para todos: um mês. Mas por que esta variação? Um outro exemplo: quando você está passando mal, morrendo de vontade de ir ao banheiro, mas o professor de História não deixa, não parece que a aula dura mais que o tempo previsto? Por que esta variação?

    A resposta é simples: o tempo dos homens é diferente do tempo do relógio. O tempo do relógio marca as horas, os minutos, os segundos; o tempo do calendário marca os dias, os meses, os anos. O tempo dos homens marcam sensações, e essas sensações são chamadas de durações. Às vezes essas sensações são longas – o que chamamos de longa duração – e às vezes essas sensações são breves e curtas – o que chamamos de curta duração. Nesses tempos, encontraremos permanências e mudanças, semelhanças e diferenças. E é isto que eu quero dizer quando afirmo que “A História é a ciência que estuda a ação dos homens no tempo”, seja no tempo longo, seja no tempo curto.

  • A Verdade não existe

    Todos tentam explicar a origem de tudo e de todos – cada um tem a sua explicação. A isso damos o nome de Versão.

    Na História não existem verdades, pois cada um tem a sua verdade. O que temos em História são versões. Um mesmo fato histórico pode ser descrito de várias maneiras e formas, variando de autor para autor, dependendo de vários fatores. Entretanto, a História, por ser uma ciência – a ciência que estuda a ação dos homens no tempo – usa toda uma metodologia nas análises dos mais variados tipos e formas de documentos. As versões construídas devem ser seguidas de minuciosos argumentos que possam refutar quaisquer questionamentos, baseados nas análises de inúmeros fatores: documentos produzidos pelos homens, cartas, depoimentos orais, músicas, construções, costumes, técnicas, desenhos, imagens, pinturas, fotos, livros etc., ou seja,  tudo o que o homem produziu no seu tempo é objeto de estudo da História e a partir das análises (perguntas que se faz e as respostas que se obtêm) é que se constróem as versões.

    Um exemplo de versão é a origem do homem na terra. Existem várias explicações para este acontecimento. Uma delas é a explicação dada pela cultura judaico-cristã. De acordo com a Bíblia Sagrada, o Homem surgiu da vontade de Deus que, após esculpir no barro um ser à sua imagem e semelhança, soprou em suas narinas e deu vida e alma a este ser e o chamou de Homem (Gênesis 2:7). Para outros grupos, o homem surgiu das brigas entre os deuses. Dessas brigas, os derrotados perderam o dom da imortalidade, tornando-se meros mortais e deixando, logicamente, de serem deuses. Outros, explicam ainda que o homem é resultado de uma pesquisa feita por seres extraterrestres e existem milhares de outras explicações. Cada uma atende aos seus grupos. Quem está com a verdade?  Quem está com a razão? A resposta vai depender da cultura de cada um.

    Temos ainda as versões científicas. Para uns, os homens são resultados de milhões e milhões de anos de evolução de uma espécie primitiva próxima ao macaco; para outros os homens são evoluções de seres aquáticos que evoluíram para viverem na terra. Quem está com a verdade? Não sei. Irá depender dos argumentos. Quem conseguir convencer o maior número de pessoas possíveis, estará construindo uma verdade que não imutável. No futuro, um outro cientista poderá refutar a tese, apresentando outros argumentos muito mais convincentes.

    Assim, temos dois tipos de versões: mitológicas ou lendárias e a científica.

    As explicações mitológicas ou lendárias são baseadas nos mitos e lendas. Os mitos e lendas são narrativas muito antigas – que dão uma explicação simbólica para os elementos da natureza, dos homens e das coisas que os rodeiam. As narrativas mitológicas ou lendárias não possuem provas científicas que possam justificar tal posição. Acreditar ou não é uma questão pessoal, de fé. Assim, tais explicações são chamadas de irracionais (pois não utilizam a razão e a ciência) para justificar as suas narrações. Os mitos e as lendas são transmitidos por via oral, de geração para geração, de pai para filho.

    As explicações científicas são baseadas em experiências utilizando o método científico da “prova e da contraprova”, descrita pelo filósofo francês Renê Decartes, no século XVIII. Por este método, toda a invenção e/ou descoberta deve ser feita de trás para frente para se confirmar a tese defendida. Mas, se o cientista partir de outros princípios chegará a outras conclusões. Contudo, não deixará de ser uma explicação racional para o fato, pois foi utilizado o método científico. Portanto, na ciência também não existe uma verdade absoluta inquestionável. Nada neste mundo é para sempre. Tudo é (e deve ser) questionável.

    Qual a conclusão a se chegar nesta aula? A verdade não existe. O que existe são versões..