Todos tentam explicar a origem de tudo e de todos – cada um tem a sua explicação. A isso damos o nome de Versão.
Na História não existem verdades, pois cada um tem a sua verdade. O que temos em História são versões. Um mesmo fato histórico pode ser descrito de várias maneiras e formas, variando de autor para autor, dependendo de vários fatores. Entretanto, a História, por ser uma ciência – a ciência que estuda a ação dos homens no tempo – usa toda uma metodologia nas análises dos mais variados tipos e formas de documentos. As versões construídas devem ser seguidas de minuciosos argumentos que possam refutar quaisquer questionamentos, baseados nas análises de inúmeros fatores: documentos produzidos pelos homens, cartas, depoimentos orais, músicas, construções, costumes, técnicas, desenhos, imagens, pinturas, fotos, livros etc., ou seja, tudo o que o homem produziu no seu tempo é objeto de estudo da História e a partir das análises (perguntas que se faz e as respostas que se obtêm) é que se constróem as versões.
Um exemplo de versão é a origem do homem na terra. Existem várias explicações para este acontecimento. Uma delas é a explicação dada pela cultura judaico-cristã. De acordo com a Bíblia Sagrada, o Homem surgiu da vontade de Deus que, após esculpir no barro um ser à sua imagem e semelhança, soprou em suas narinas e deu vida e alma a este ser e o chamou de Homem (Gênesis 2:7). Para outros grupos, o homem surgiu das brigas entre os deuses. Dessas brigas, os derrotados perderam o dom da imortalidade, tornando-se meros mortais e deixando, logicamente, de serem deuses. Outros, explicam ainda que o homem é resultado de uma pesquisa feita por seres extraterrestres e existem milhares de outras explicações. Cada uma atende aos seus grupos. Quem está com a verdade? Quem está com a razão? A resposta vai depender da cultura de cada um.
Temos ainda as versões científicas. Para uns, os homens são resultados de milhões e milhões de anos de evolução de uma espécie primitiva próxima ao macaco; para outros os homens são evoluções de seres aquáticos que evoluíram para viverem na terra. Quem está com a verdade? Não sei. Irá depender dos argumentos. Quem conseguir convencer o maior número de pessoas possíveis, estará construindo uma verdade que não imutável. No futuro, um outro cientista poderá refutar a tese, apresentando outros argumentos muito mais convincentes.
Assim, temos dois tipos de versões: mitológicas ou lendárias e a científica.
As explicações mitológicas ou lendárias são baseadas nos mitos e lendas. Os mitos e lendas são narrativas muito antigas – que dão uma explicação simbólica para os elementos da natureza, dos homens e das coisas que os rodeiam. As narrativas mitológicas ou lendárias não possuem provas científicas que possam justificar tal posição. Acreditar ou não é uma questão pessoal, de fé. Assim, tais explicações são chamadas de irracionais (pois não utilizam a razão e a ciência) para justificar as suas narrações. Os mitos e as lendas são transmitidos por via oral, de geração para geração, de pai para filho.
As explicações científicas são baseadas em experiências utilizando o método científico da “prova e da contraprova”, descrita pelo filósofo francês Renê Decartes, no século XVIII. Por este método, toda a invenção e/ou descoberta deve ser feita de trás para frente para se confirmar a tese defendida. Mas, se o cientista partir de outros princípios chegará a outras conclusões. Contudo, não deixará de ser uma explicação racional para o fato, pois foi utilizado o método científico. Portanto, na ciência também não existe uma verdade absoluta inquestionável. Nada neste mundo é para sempre. Tudo é (e deve ser) questionável.
Qual a conclusão a se chegar nesta aula? A verdade não existe. O que existe são versões..